Teixeira Duarte

Teixeira Duarte perde 15 milhões com BCP e prejuízo atinge 36 milhões

Teixeira Duarte foi responsável pelas obras do Túnel do Marão.
Teixeira Duarte foi responsável pelas obras do Túnel do Marão.

Imparidades no BCP, impactos das evoluções cambiais e redução de atividade atiram resultados da Teixeira Duarte para o vermelho

A Teixeira Duarte fechou as contas do primeiro semestre com perdas de 35,8 milhões de euros, valor que compara com os ganhos de 24 milhões conseguido nos primeiros seis meses de 2015. O grupo perdeu 14,8 milhões com o BCP entre janeiro e junho deste ano.

De acordo com o comunicado hoje divulgado pela empresa, o volume de negócios caiu 16,7% ao longo do primeiro semestre, para 570 milhões de euros, com os proveitos a recuar quase em igual medida, para 590 milhões. Também em queda esteve o endividamento líquido da Teixeira Duarte, que passou de 1,23 mil milhões para 1,15 mil milhões (-6,7%).

O grupo registou ainda uma redução significativa no número médio de trabalhadores, que nos primeiros seis meses deste ano ficou nos 11 777, contra os 13 628 do mesmo período de 2015. A redução de 11,8% acompanhou a diminuição da atividade registada nos primeiros seis meses do ano, explica a empresa.

Segundo explica a empresa, “para estes resultados contribuíram fortemente dois fatores”, identificando desde logo as variações cambiais, “as quais em junho de 2016 foram negativas no valor de 23.723 milhares de euros, enquanto que no período homólogo de 2015 haviam sido positivas em 19.136 milhares de euros”.

Como segundo fator, diz a construtora, está a já recorrente perda com o BCP. Segundo a Teixeira Duarte, entre janeiro e junho a posição naquele banco teve “um impacto negativo, líquido de impostos diferidos, no montante de 14.810 milhares de euros, por imparidade na participação no ‘Banco Comercial Português, S.A.’ registada nos primeiros seis meses de 2016”. Em termos trimestrais, individualiza a empresa, a imparidade no BCP teve um impacto de 8,4 milhões.

A deterioração dos resultados do grupo é também apontada como resultado da sua exposição “a contextos económicos atualmente mais adversos”, referindo-se aos países em que a Teixeira Duarte está presente, onde em quase todos eles se registaram quebras – Angola, Argélia, Brasil, Espanha, ou Venezuela.

A pesar nas contas estiveram também os resultados financeiros da empresa, “negativos em 72,3 milhões de euros”, um agravamento de 54,3 milhões face ao primeiro semestre de 2015. Neste valor, e além das imparidades no BCP, estão também incluídas as perdas cambiais, rubricas que invalidaram a melhoria conseguida pelo grupo ao nível dos juros pagos, que caíram 17%.

Em termos de setores, a Teixeira Duarte registou uma quebra de 9,7% no volume de negócios da Construção, o mais expressivo, valendo 246,2 milhões até junho, com as Concessões e Serviços a verem este indicador crescer 4,4%, para 55,7 milhões. Também no Imobiliário, Hotelaria e Distribuição se registaram recuos de 11,3%, 32,3% e 5,9%, respetivamente.

A maior quebra de todas, porém, foi no setor Automóvel, cujo volume de negócios caiu 58%, dos 108 milhões de junho de 2015 para 45 milhões até junho de 2016. “Nos primeiros seis meses do ano registou-se um decréscimo de 76% das unidades vendidas no segmento de ligeiros e uma diminuição de 17% nos serviços de pós-venda”, detalha.

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