5G puxa pelo setor mas contribuição das telecom para o PIB estagnou

Últimos dados da Anacom sobre o mercado das comunicações indica que contributo das telecomunicações para a economia nacional estabilizou. Número de trabalhadores no setor continua a cair No entanto, 5G alavanca investimentos e valoriza ativos.

Nunca o investimento nas telecomunicações foi tão elevado como em 2021, com o setor a captar 873,9 milhões de euros "especificamente para as comunicações eletrónicas", mais 25% do que no ano de 2020. No entanto, apesar dos níveis inéditos de investimento, a contribuição do setor para o produto interno bruto do país (PIB) estagnou nos 1,4%, revela o relatório "Mercado das Comunicações na Economia Nacional (2017-2021)" da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), publicado na sexta-feira.

O crescimento homólogo do investimento para a atividade das comunicações eletrónicas "resultou maioritariamente de investimentos na aquisição de espetro no âmbito do leilão 5G, em expansão da rede e na aquisição de equipamentos de telecomunicações para instalação em casa de clientes". A Anacom realça que por detrás desta "variação positiva" estão quatro operadores, nomeadamente Altice, NOS, Vodafone e Nowo.

Se se contabilizarem as apostas fora da atividade core das telecom, o nível de investimento global totaliza mais de 1,6 mil milhões de euros, o que representa um disparo de mais de 44% em termos homólogos.

A capacidade de investimento das empresas de telecomunicações, aliada à necessidade de avançar no 5G, levou a que se registasse um reforço nos ativos do setor. Em 2021, o total do ativo das empresas do setor das telecomunicações cresceu 5,8% em termos homólogos, para 16,6 mil milhões de euros. "Este acréscimo foi no essencial explicado pelo aumento do ativo não corrente, por parte dos quatro prestadores com maior peso no setor das comunicações eletrónicas, no contexto da aquisição de espetro no leilão do 5G para a prestação de serviços de comunicações eletrónicas", lê-se.

Refira-se que a corrida ao 5G resultou numa receita de 566,802 milhões de euros no leilão de frequências. Além disso, os últimos dados da Anacom, apontam que o número de estações base 5G instaladas em Portugal aumentou 48% entre julho e setembro, face ao trimestre anterior, para 4 317 (distribuídas por 271 concelhos e 1191 freguesias). Ou seja, no final de setembro 88% dos concelhos e 39% das freguesias portuguesas tinham antenas 5G.

Com a aceleração do investimento também os rendimentos da atividade do setor das telecomunicações subiram. No último ano, a Anacom observou um aumento de 4,65%, para 4,5 mil milhões de euros em rendimentos. Sem identificar o player, lê-se no relatório que o aumento "deveu-se preponderantemente ao aumento nos rendimentos de uma empresa com atividade grossista no setor, fornecedora de referência de redes de fibra ótica às restantes empresas de comunicações eletrónicas em Portugal".

Se for tido em conta as atividades não core das telecomunicações, os rendimentos globais de todas as empresas subiram 8,86%, para 6,163 mil milhões de euros.

Já o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) global das empresas que atuam no setor cresceu 2,5%, em 2021, atingindo um valor de 1,97 mil milhões de euros. Esta variação é justificada "maioritariamente pelo EBITDA contabilizado por uma empresa cuja atividade principal não é comunicações eletrónicas, mas que em função da sua principal atividade e da diminuição das restrições decorrentes da covid-19, registou um acréscimo significativo no valor de seu EBITDA". O relatório não identifica a empresa em causa.

Apesar de todo o crescimento registado nas telecomunicações, o número de trabalhadores voltou a cair. Já em 2020 o setor registava o menor número de sempre de trabalhadores. Em 2021, volta a registar um novo mínimo histórico. O número médio de empregados afetos à atividade de comunicações eletrónicas caiu 5,39% em termos homólogos, para 7 354 trabalhadores. Se forem incluídos os trabalhadores das empresas do setor que não estão dedicados às comunicações eletrónicas a quebra é de 3,27%, para 10 501 pessoas.

"O decréscimo do número de empregados, que mantém uma trajetória descendente desde 2017, não foi compensado pela contratação de trabalhadores em outras empresas do setor, nomeadamente pelo acréscimo do número médio de trabalhadores ocorrido em uma das três empresas com maior peso no setor", alerta a Anacom. Igual alerta era feito no relatório de 2020.

Contas feitas, o contributo das telecomunicações para o PIB já não é o que era. Se se recuar a 2012 (primeiro registo do género disponível no site da Anacom), o valor acrescentado bruto (VAB) do setor correspondia a 2,23% do PIB. Nos anos de 2015 e 2016 verifica-se que o VAB já se traduzia a pouco mais de 2%. Desde, então, o contributo tem vindo a cair. Em 2019 o VAB do setor representava 1,59% do PIB e, em 2020, 1,42%. Em 2021, o VAB atingiu 3,1 mil milhões de euros, o que se traduz até num aumento de cerca de 7,5% em termos homólogos, mas corresponde a 1,43% do PIB.

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