Portugal lídera na cobertura de redes de alta velocidade com fibra ótica

A conclusão é da Associação de Operadores, que, numa análise ao desempenho do setor, destaca o crescimento, em cinco anos, da cobertura em fibra ótica.

Elisabete Tavares
Pedro Mota Soares é o secretário-geral da associação que representa os operadores de telecomunicações. (Orlando Almeida / Global Imagens) © Orlando Almeida / Global Imagens

Numa análise ao setor com base em dados da Anacom (Autoridade Nacional de Comunicações), a Associação dos Operadores de Comunicações Eletrónicas (Apritel) destaca que o "investimento contínuo dos operadores, mesmo num contexto adverso, permitiu a Portugal atingir uma cobertura de redes de alta velocidade superior a 90% , o que representa um aumento de 4,3 pontos percentuais face ao primeiro semestre de 2020". A Apritel frisa ainda que "a cobertura em fibra ótica atingiu 87,6%, o que representa um crescimento médio anual de 8,7% nos últimos cinco anos". "Com estes resultados, Portugal é líder europeu na cobertura de famílias com redes de fibra", salienta a associação, que sublinha ainda que "este alargamento de cobertura aconteceu ao longo de todo o país, com especial destaque para as regiões mais periféricas, contribuindo para a coesão territorial".

A maioria das famílias portuguesas já subscrevia serviços de internet de alta velocidade antes do início da epidemia do novo coronavírus. Mas no final do primeiro semestre deste ano 78,1% dos lares em Portugal já acediam a internet de banca larga, o que representa um salto face aos 67,3% registados no final de 2019. Eventos como confinamentos, aulas online e teletrabalho fizeram parte da vida de muitas famílias portuguesas em 2020 e 2021.
Segundo a Apritel, "pelo menos 80% dos novos clientes contratam um serviço suportado em fibra ótica. Nas regiões em que a penetração destes serviços é mais baixa - Norte, Centro e Alentejo -, o crescimento registado no primeiro semestre foi superior à média nacional", acrescenta a associação. No global, houve um aumento de 9,3% de clientes residenciais com serviços de alta velocidade que no mesmo período do ano anterior.

Oito em cada 10 novos clientes de redes de alta velocidade contrataram um serviço suportado em redes de fibra ótica. Houve ainda um crescimento de 5,3% em alojamentos cablados com uma rede de alta velocidade. No caso das redes de fibra, o aumento foi de 8,5% face ao período homólogo, aponta a associação. E diz ainda que do total de 5,8 milhões de alojamentos cablados com uma rede de alta velocidade 5,6 milhões são com rede de fibra ótica.

Tráfego de internet cresce

Citando dados da Anacom, a Associação de Operadores aponta que o volume de tráfego de internet, tanto em redes fixas como móveis, registou aumentos significativos face ao semestre homólogo. O tráfego total cresceu em redes fixas 39,2%, tendo registado um crescimento de 24,6% em redes móveis. Esta evolução traduz-se "no aumento do tráfego médio mensal por utilizador de 33,1% na internet fixa e de 23,7% na internet móvel".
Quanto ao serviço de televisão por subscrição, 94,2% das famílias dispunham deste tipo de serviço. Trata-se de uma subida de cinco pontos percentuais face ao semestre homólogo do ano anterior.
Neste tipo de serviço, o número de assinantes cresceu 3,5%, num total de 4,3 milhões no final de junho deste ano. Os assinantes com ofertas em fibra ótica aumentaram 14,8% face aos primeiros seis meses de 2020 e correspondem a 54,4% dos assinantes de TV por subscrição.

A Apritel refere ainda que "89,4% das famílias em Portugal utiliza pacotes de comunicações. Se considerarmos as ofertas mais representativas no mercado (4/5P), a receita média mensal por utilizador do serviço caiu 1,9% face ao período homólogo, e no agregado a receita de pacotes diminuiu 0,7%", afirma. E explica que "esta redução deve-se ao aumento do número de clientes (3,9%) superior a um aumento das receitas (3,5%)".
Quanto ao número de reclamações, a associação frisa que no segundo trimestre deste ano se registou "uma redução relevante do número de reclamações do setor efetuadas na Anacom: menos 5% face ao mesmo trimestre de 2020 e menos 23% face ao primeiro trimestre de 2021. No total, os consumidores fizeram 18,7 mil reclamações respeitantes a serviços de comunicações eletrónicas no segundo trimestre deste ano.

A Associação de Operadores destaca que, em matéria de qualidade de serviço, "os testes da ferramenta da Anacom - Net.Mede - realizados no segundo trimestre de 2021 indicam um aumento da qualidade do serviço de acesso à internet, quer fixa, quer móvel, face ao trimestre homólogo". Aponta que houve um "aumento da velocidade de download (descarregamento de dados) de 83% no fixo e 68% no móvel e upload (carregamento de dados) de 113% no fixo e 22% no móvel, para além da redução da latência".

Na análise, a Apritel destaca que metade dos testes à velocidade de download através de acessos fixos residenciais atingiu pelo menos 83 Mbps e nos acessos móveis pelo menos 12 Mbps. Quanto aos acessos móveis, "houve também um aumento em termos homólogos, em 68% e 22%, respetivamente nas velocidades de download e de upload, enquanto a latência foi semelhante (-2%)".

No segundo trimestre deste ano foram efetuados no NET.mede cerca de 287 mil testes à velocidade dos acessos à internet, numa média de 3150 testes diários. No global, a Apritel conclui que os relatórios da Anacom demonstram "a vitalidade e extraordinária qualidade das redes e serviços de comunicações em Portugal, num cenário de redução de receita nas comunicações consumidas pela quase totalidade dos portugueses".

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