Rede de comunicação quântica avança em Portugal em projeto de 6,8 milhões de euros

Deimos Engenharia, Altice Labs, IST e ISEL são quatro das 14 entidades do consórcio que vai construir segmento português da rede europeia, já autorizado por Bruxelas. Nova rede implementada até 2026.

José Varela Rodrigues
 © Pixabay

A Comissão Europeia deu luz verde ao PTQCI. Trata-se do projeto de um consórcio de 14 entidades nacionais que visa a construção do primeiro segmento de uma rede europeia de comunicação quântica em Portugal. O PTQCI deverá estar pronto dentro de quatro anos, num projeto avaliado em 6,8 milhões.

O consórcio é liderado pela Deimos Engenharia, contando com a colaboração do Gabinete Nacional de Segurança, da IP Telecom, da Altice Labs, do Instituto de Telecomunicações e do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores - Investigação e Desenvolvimento. A Adyta, o Instituto Superior Técnico, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, a Warpcom, a Omnidea, o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, o Instituto Português da Qualidade e a Portuguese Quantum Institute também participam no consórcio.

O grupo tinha submetido à apreciação de Bruxelas o troço português da inédita rede europeia, em março. A decisão foi conhecida no final de julho.

O PTQCI surgiu a propósito do Programa Europeu Digital, que lançou a base da componente portuguesa do que virá a ser a Infraestrutura de Comunicação Quântica Europeia (EuroQCI), que deverá ser um dos pilares da segurança nacional e europeia, de acordo com os dados recolhidos pelo Dinheiro Vivo junto da Deimos, Altice Labs e Adyta.

O projeto em causa tem como base o Discretion, outro projeto iniciado em dezembro de 2021 que também prevê o desenvolvimento de comunicações quânticas para as autoridades da Defesa de Portugal. O Discretion já está numa fase de implementação sobre infraestruturas em fibra ótica na Área Metropolitana de Lisboa, interligando organismos públicos e uma rede de bancos de ensaios, incluindo a academia e empresas interessadas.

O que o PTQCI prevê é a implementação da primeira infraestrutura de comunicação quântica, que se acredita ser "ultra-segura" para o país, através de ligações terrestres. No entanto, também se pretende que venha a assegurar ligações espaciais, utilizando tecnologias como a Distribuição Quântica de Chaves Criptográficas (QKD). Aliás, um dos "nós" QKD a desenvolver no Discretion servirá também a rede PTQCI.

O PTQCI arrancará em 2023, com o desenho das fases de implementação. Os standards e a integração daquilo que é o Discretion estão previstos para 2024. E no ano seguinte começa a implementação dos testes funcionais e de segurança. A fase de implementação da inédita infraestrutura decorrerá em 2026.

O PTQCI pretende criar infraestruturas de comunicações seguras para o fornecimento de tecnologia e para blindar as instituições críticas do Estado e da União Europeia.

Para Catarina Bastos, coordenadora do PTQCI e do Discretion na Deimos, "estes são projetos que vão marcar um antes e um depois nas telecomunicações". Já Carlos Carvalho, CEO da Adyta, considera que "está a ser construído o futuro das telecomunicações". Para o Altice Labs, este é um projeto que permitirá mostrar "competência e know how na área das redes definidas por software".

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