Anacom lança consulta pública sobre 5G ultrarrápido

Regulador vai auscultar o mercado para aferir do interesse na exploração da faixa dos 26 GHz, que permitirá desenvolver o chamado 5G ultrarrápido.

A Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) anunciou esta segunda-feira o lançamento da consulta pública sobre a faixa dos 26 GHz (gigahertz). Esta é uma parte do espetro que ainda não está disponível para as telecoms nacionais explorarem, mas cuja exploração deverá permitir rede 5G ultrarrápida. A consulta foi aprovada no dia 10 de dezembro e decorre até 31 de janeiro de 2022.

"A Anacom decidiu auscultar o mercado para aferir do interesse na disponibilização de espetro na faixa dos 26 GHz, uma das que integra o conjunto de faixas pioneiras/prioritárias para o desenvolvimento do 5G, em particular por permitir coberturas com dimensão mais reduzida comparativamente com as restantes faixas de frequências (700 MHz e 3,6 GHz), mas com capacidade ultra-elevada, permitindo que novos modelos de negócios e setores da economia beneficiem do 5G".

A consulta também servirá para ouvir os players do setor e outros interessados sobre as condições de acesso e de utilização desse espetro, bem como calendário a aplicar na sua adoção. Esta banda poderá vir a ser disponibilizada ao mercado através de um novo leilão de frequências, por exemplo.

A faixa em causa, "por ter cobertura geográfica mais reduzida que as restantes faixas de frequências, mas uma muito mais elevada capacidade de transmissão de dados, pode vir a ser utilizada em pontos específicos e localizados", a fim de proporcionar "uma elevada capacidade para a prestação de serviços inovadores de comunicações eletrónicas sem fios de banda larga".

Além desta, são essenciais ao 5G as faixas dos 700 MHZ (megahertz) e dos 3,6 GHZ. A primeira permite coberturas mais alargadas, embora a velocidades menores, enquanto a segunda permite aumentar a capacidade e a velocidade de transmissão de dados, mas tem uma cobertura geográfica inferior à dos 700 MHz. Estas duas bandas do espetro foram disponibilizadas no leilão do 5G, que terminou a 27 de outubro, a fim de permitir que os operadores que vão apostar na nova rede consigam fornecer, desde o início, um 5G com condições mínimas de cobertura geográfica e capacidade e velocidade de rede.

A faixa dos 26 GHz não entrou no leilão do 5G, porque o regulador entendeu tratar-se de um passo posterior a dar, uma vez os atuais equipamentos no mercado ainda não estão preparados para o 5G ultrarrápido, por um lado. Por outro, os equipamentos que o permitem também ainda não estão suficientemente desenvolvidos.

Em 2018, quando a Anacom fez a consulta pública ao leilão do 5G, verificou-se "interesse relevante do mercado nesta faixa, numa perspetiva de implementação futura do 5G". O interesse observado, contudo, não era "acompanhado por uma perspetiva definida sobre a utilidade a curto prazo desta faixa e do modo como esta devia ser disponibilizada pelo regulador".

Ora, concluído o leilão do 5G e entregues todas as licenças, a Anacom decidiu agora avançar com a consulta sobre os 26 GHz. Esta faixa quando estiver operacional permitirá complementar as redes móveis 5G (operadas nos 700 MHZ e 3,6 GHZ), a fim de fornecer "elevada capacidade [5G] em locais de área reduzida, mas também para os designados "verticais" (empresas, indústrias e organizações públicas que operam num determinado setor) que, através da sua utilização, podem usufruir de redes de elevada capacidade em locais específicos (tais como portos, fábricas, etc.) sem necessidade de recorrer aos serviços prestados pelos operadores móveis".

Desta forma, o regulador quer preparar o mercado português para o uso de diferentes faixas 5G, com diferentes propósitos. "Existirão faixas mais vocacionadas para proporcionar cobertura, outras para proporcionar capacidade e outras para um misto de cobertura e de capacidade", lê-se.

Atualmente, já há seis países europeus a disponibilizar a faixa dos 26 GHZ, nomeadamente Croácia, Dinamarca, Finlândia, Grécia, Itália e Eslovénia. Outros dois países (Alemanha e Reino Unido) disponibilizaram o espetro através do princípio de first come, first served, segundo a Anacom.

Todos os interessados em participar na consulta lançada, agora, podem fazê-lo por escrito, através de correio eletrónico CP26GHz@anacom.pt, ou enviando as pronúncias para a sede da Anacom , na Avenida José Malhoa, n.º 12, em Lisboa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de