Deco Proteste acusa operadores de cobrar 5G quando "ainda há pouca cobertura"

Apesar dos operadores oferecerem rede 5G gratuita até 31 de março, a Deco Proteste diz que o custo adicional a ser cobrado depois não se justifica face à pouca cobertura 5G existente.

A Deco Proteste alertou esta sexta-feira que o custo adicional que os valores que os operadores vão cobrar aos consumidores pelo uso da rede 5G não se justifica, uma vez que "ainda há pouca cobertura". Até 31 março, o 5G da Meo, NOS e Vodafone é de acesso gratuito para quem tem telemóveis compatívias, mas a partir de 1 de abril o acesso à nova rede móvel poderá representar acréscimos de cinco euros nos tarifários 5G, "sobretudo nos pacotes com menos de 10 GB [gigabytes] de internet".

"Os operadores cobram cinco euros por mês (60 euros por ano) pela utilização de 5G, a não ser que os consumidores tenham um tarifário da Vodafone, Meo ou NOS com, pelo menos, 10 GB de internet", alerta a Deco Proteste numa nota enviada à redação.

"No caso dos tarifários para telemóvel da Meo, são apenas os tarifários pós-pagos os que estão incluídos nesta situação. Os três operadores optaram por cobrar um valor adicional pelo 5G nos tarifários mais utilizados (e mais baratos) - algo que não aconteceu com as tecnologias antecessoras", adianta a associação de defesa do consumidor.

Para a Deco Proteste não fará sentido cobrar mais pelo acesso à rede 5G, pois a cobertura desta rede no país ainda não justifica. Além disso, os valores de velocidade de internet prometidos, segundo uma análise desta entidade, "estão muito longe dos referidos pelos operadores".

"O 5G está em fase inicial de implementação, com cobertura ainda reduzida, pelo que pouco sentido faz cobrar mais para conceder o acesso à tecnologia", argumenta António Alves, coordenador de hi-tech da Deco Proteste.

A análise da associação de consumidores, além de constatar o futuro aumento do custo dos tarifários, mediu as atuais velocidades da nova rede móvel, em Portugal, nas zonas onde há 5G.

"As medições revelaram que os valores estão ainda longe do que alguns operadores referem nos seus sites (ex: até 10Gbps), sendo que estas indicações de velocidade se referem aos tetos máximos que se perspetivam que o 5G possa atingir no futuro", lê-se.

A medição foi feita através da aplicação móvel QualRede, registando-se "uma velocidade média de download de 140 Mbps, o quádruplo do 4G e de 17,5 Mbps de upload, quase o dobro da que se estava a registar na geração anterior". "Pontualmente foram registados valores máximos de 300 Mbps de download e superiores a 100 Mbps para o upload", adianta.

Ora, conclui a Deco Proteste, os valores estão aquém do prometido pelos operadores, sendo que "a nova tecnologia ainda é limitada e está distante de oferecer cobertura em todo o país". Os valores do 5G - sublinha a nota enviada - "só deverão aproximar-se [do prometido] numa fase mais avançada do 5G, ainda distante no tempo".

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