Migração do TDT "atrasada" devido à pandemia. "Regulador não devia ter procrastinado", diz Altice

Alexandre Fonseca critica procrastinação da Anacom e anuncia que haverá novos atrasos na migração do TDT por causa do agravar da pandemia. 5G novamente em causa.

O CEO da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, não poupou nas críticas ao regulador Anacom ao anunciar que a migração de TDT em Portugal vai ter um novo atraso. O motivo direto? As limitações das viagens pelo aumento de casos de covid-19 em Portugal e na Europa, que prejudicaram as operações do parceiro alemão Rohde & Schwarz.

Ao Dinheiro Vivo e durante o Portugal Mobi Summit que decorre esta sexta-feira em Cascais (com transmissão online), o gestor admite: "informámos ontem a tutela que o avolumar de casos de covid no país levou o nosso parceiro Rohde & Schwarz a indicar que teria de parar as viagens para Portugal, ou seja, o TDT vai voltar a atrasar".

Quanto tempo? Alexandre Fonseca admite que ainda não sabe, já que está à espera do feedback dos parceiros. Certo é que tudo isto "poderia e devia ter sido evitado", explica.

"Só é pena que não nos tenham dado ouvidos há um ano e meio quando anunciámos que a migração do TDT devia ter começado mais cedo, com as regiões autónomas da Madeira e dos Açores e que nunca deveria ter sido deixada para o fim", critica Alexandre Fonseca.

O responsável da Altice Portugal admite que ninguém previa a pandemia, mas o mal feito pela Anacom já é anterior. "Mais uma vez procrastinámos e quando o regulador procrastina corremos estes riscos e hoje estamos perante atrasos sucessivos da migração, que são completamente alheios à Altice Portugal". Isso mesmo irá trazer, provavelmente, mais atrasos na implementação do 5G no país.

"São erros lamentáveis e vão impactar com certeza a libertação do espectro do 700 Mhz no país", avança o gestor. A libertação da chamada faixa dos 700 MHz feita com a migração de TDT estava prevista ser feita até 30 de junho de 2020. Esse seria um dos passos para que pudessem ser disponibilizados os serviços de comunicações eletrónicas terrestres sem fios de banda larga, o chamado 5G (quinta geração móvel).

Sobre o 5G, Alexandre Fonseca não tem dúvidas especialmente depois do que a pandemia mostrou: "Vimos durante a pandemia que as nossas redes de 3G e 4G aguentaram bem e fizeram a diferença mesmo com mais necessidades e é mais uma prova que o foco do país não deve ser ter pressa e investir muito agora no 5G, até porque já vamos atrasados, há outras prioridades".

O responsável da Altice Portugal queixa-se ainda dos elevados custos para os operadores do espectro do 5G.

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