Teletrabalho trouxe aumento de produtividade a 63% das empresas

Um estudo feito pela Capgemini aponta que 63% das empresas inquiridas relataram um aumento na produtividade devido ao trabalho remoto. Já 88% das empresas afirmam que conseguiram poupar nas despesas com imobiliário em 2020.

Um estudo da Capgemini perguntou a 500 empresas de diversos setores de atividade que principais conclusões tiraram da aplicação do teletrabalho no terceiro trimestre de 2020. A maioria das inquiridas(63%) relata que notou um aumento da produtividade dos trabalhadores, muito devido à redução dos tempos de viagem, horários flexíveis e à adoção de ferramentas colaborativas em plataformas de comunicação.

Segundo este estudo, alguns setores de atividade registaram aumentos de produtividade maiores, devido ao tipo de trabalho em si. A maior percentagem de empresas que disse ter registado um aumento de produtividade foi na área das tecnologias de informação e serviços digitais (68%), seguidas pelas da área do atendimento ao cliente (60%) e pelas empresas de vendas e marketing (59% sentiram um aumento de produtividade). De acordo com a empresa, este crescimento é justificado pelo aceleramento da digitalização e da utilização de tecnologias mais avançadas em algumas empresas.

Já setores como a produção e fabrico 51% das empresas registaram aumentos de produtividade, assim como a investigação e desenvolvimento, inovação e a cadeia de abastecimento. Sendo áreas que habitualmente precisam da presença física dos trabalhadores nas instalações, fica assim justificado o aumento mais ligeiro da produtividade.

O estudo revela ainda que 88% das empresas conseguiram poupar nas despesas ligadas a imobiliário devido ao uso do trabalho remoto. A esmagadora maioria (92%) acredita inclusive que possa vir a concretizar poupanças maiores nos próximos dois a três anos.

Com a pandemia ainda sem fim à vista, quase 70% das empresas acreditam que os ganhos de produtividade registados ao longo de 2020 podem manter-se depois de a pandemia terminar. Mas a Capgemini sublinha que estes ganhos de produtividade só continuarão caso as empresas consigam tirar conclusões "dos ensinamentos desta experiência, aprendendo com eles e reorientando as organizações".

Nos próximos dois a três anos, quase 3 em cada 10 empresas acreditam que mais de 70% dos trabalhadores continuarão em teletrabalho. Quase metade aponta ainda que, devido a esta situação, as necessidades totais de presença física nas instalações possam reduzir-se em 10%.

Além disso, quase 45% dos colaboradores espera vir a estar em modo de teletrabalho pelo menos três dias por semana futuramente. Deste modo, prevê-se que venhamos a assistir a um rápido crescimento dos espaços de trabalho colaborativos híbridos.

56% apreensivos com a necessidade de estar sempre "ligado"

Se o teletrabalho permitiu poupar em viagens e aumentou a flexibilidade, também há queixas e preocupações por parte dos trabalhadores. Cerca de 56% dos inquiridos refere que sente alguma apreensão por se sentirem obrigados a estar sempre "ligado" e disponível para responder a pedidos.

Já os trabalhadores mais novos, entre os 26 e os 35 anos, pedem que lhes seja prestado um maior apoio na gestão do stress que advém da incerteza trazida pela pandemia.

Quem começa a trabalhar em novos empregos em modo remoto também revela ter níveis de motivação mais baixos: 54% revelou que este cenário gerou alguma confusão e desorganização durante os primeiros dias de trabalho em novas empresas. Já 52% dos trabalhadores nesta situação aponta "não ter ideia dos valores e benefícios que a empresa oferece".

Estas dificuldades também foram observadas entre os trabalhadores que já pertenciam aos quadros das empresas inquiridas: 38% revelaram que tiveram dificuldade em colaborar com os recém-contratados.

"Para manterem o crescimento da produtividade, em vez de medirem os níveis de produção registados e as horas de trabalho, os sistemas de gestão de desempenho precisam atualizar-se e passar a avaliar a produtividade e os resultados,» explica Claudia Crummenerl, Managing Director, People and Organization da Capgemini Invent.

Esta responsável aponta que o estudo "revela que o trabalho remoto pode ter um impacto negativo na saúde mental dos colaboradores das empresas", devendo os gestores estar "atentos e agir, proporcionando um apoio adicional aos seus colaboradores, de modo a criarem um ambiente em que estes possam falar abertamente sobre as suas preocupações, e esforçarem-se por promover um maior equilíbrio entre a vida profissional e privada dos seus trabalhadores."

(Correção às 21h10: A percentagem do estudo diz respeito ao número de empresas que sentiram ganhos de produtividade, e não à produtividade dos trabalhadores como aparecia inicialmente no comunicado em português enviado pela Capgemini - a versão original em inglês não deixa dúvidas)

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