Tentativa de compra da TVI atira Cofina para prejuízos de 1,3 milhões até junho

A operação de aquisição da Media Capital gerou custos não recorrentes de cerca de 1,6 milhões de euros levando aos prejuízos do grupo dono da CMTV.

A Cofina registou prejuízos de 1,3 milhões de euros no primeiro semestre, contra lucros de três milhões um ano antes, impactados pelos custos da compra da Media Capital e impacto da pandemia, divulgou hoje a empresa.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Cofina adianta que "os resultados do primeiro semestre de 2020 ficaram marcados pela pandemia covid-19 e pelos custos não recorrentes da operação de aquisição da Media Capital".

A pandemia "teve um impacto relevante nas receitas dos grupos de media, tendo-se assistido a quedas significativas em todas as rubricas que constituem as receitas, nomeadamente, a forte contração dos investimentos publicitários, receitas de circulação afetadas pela implementação das medidas de confinamento entre março e maio, o que se traduziu no encerramento de muitos dos pontos de venda ao público das publicações e, consequentemente, nas receitas associadas a marketing", refere a empresa liderada por Paulo Fernandes.

Além disso, a operação de aquisição da Media Capital gerou custos não recorrentes de cerca de 1,6 milhões de euros, adianta, referindo que "sem estes custos, a empresa registaria resultados líquidos positivos".

Nos primeiros seis meses do ano, as receitas totais da Cofina caíram 20% para 34 milhões de euros.

"As receitas de circulação e as receitas de publicidade registaram decréscimos de 20,7% e de 28,8%, respetivamente", refere, adiantando que "as receitas associadas a marketing alternativo e outros atingiram 8,3 milhões de euros (-7,1%)".

No período em análise, "foram implementadas medidas de redução de custos, tendo os custos operacionais recorrentes registado um decréscimo de cerca de 15%, atingindo 29,8 milhões de euros".

No primeiro semestre, os custos operacionais recorrentes "foram reduzidos em cerca de 5,1 milhões de euros".

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) atingiu cerca de 4,2 milhões de euros, o que reflete um decréscimo de 45,5%.

"Em 30 de junho de 2020, a dívida líquida nominal da Cofina era de 44,1 milhões de euros, o que corresponde a uma redução de aproximadamente um milhão de euros relativamente à dívida líquida nominal registada a 31 de dezembro de 2019, a qual era de 44,9 milhões de euros", refere a Cofina.

"Estes montantes incluem o caucionamento de um montante de 10 milhões de euros no contexto do contrato de compra e venda celebrado em 20 de setembro de 2019 com a Promotora de Informaciones, S.A. (Prisa) para a aquisição de 100% do capital social e direitos de voto da Vertix, SGPS, S.A. (e indiretamente de 94,69% do capital social e direitos de voto do Grupo Média Capital, SGPS, S.A.)", salienta o grupo.

Em 11 de março deste ano, a Cofina anunciou a desistência da compra da dona da TVI, depois de falhar a operação de aumento de capital em cerca de três milhões de euros.

As receitas totais da CMTV caíram 2,3% para sete milhões de euros.

"As receitas de publicidade atingiram 2,6 milhões de euros e as receitas provenientes de 'fees' de presença e outros atingiram 4,3 milhões de euros", adianta.

"Os custos operacionais foram reduzidos em cerca de 5,2%", acrescenta a Cofina, que refere que EBITDA da televisão "alcançado foi de cerca de 1,8 milhões de Euros, um crescimento de cerca de 8%" em termos homólogos.

"O segmento de imprensa da Cofina, que engloba todas as publicações em papel e as receitas provenientes do mercado digital, foi o mais afetado, pelo consequente encerramento de pontos de venda de publicações ao público e pela inexistência de eventos desportivos, durante o período em que as medidas do Governo, tendo como objetivo o isolamento social, estiverem em vigor", salienta, apontando que se registou uma "quebra ao nível da publicidade em todos os produtos".

No semestre, "as receitas totais foram de cerca de 27,1 milhões de euros, o que representa um decréscimo de cerca de 24% face ao período homólogo do ano anterior", apontando que "as receitas provenientes de publicidade e as receitas associadas à circulação registaram um decréscimo de cerca de 36% e de 21%, respetivamente".

Ainda no segmento de imprensa, "as receitas associadas aos produtos de marketing alternativo e outros registaram uma diminuição de cerca de 12%".

Os custos operacionais "foram de 24,6 milhões de euros, registando uma contração de cerca de 17%. O EBITDA deste segmento ascendeu a 2,5 milhões de euros, um decréscimo de cerca de 60% face ao período homólogo do ano anterior".

A Cofina recorda que, em 15 de abril, comunicou ao mercado ter sido notificado de um requerimento de arbitragem apresentado pela Prisa junto da Câmara do Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), "na qual reclama o direito de que lhe seja entregue, pelo Escrow Agent (Banco BPI, S.A.), o montante de 10 milhões de euros ali depositado a título de 'down payment'".

A dona do Correio da Manhã "entende que os pedidos da Prisa carecem de qualquer fundamento e apresentou a sua resposta no âmbito do referido processo arbitral. É, por isso, entendimento do Conselho de Administração do Grupo Cofina, com base na informação disponível, atual e de conhecimento à data, suportado nos seus assessores legais, que o montante será devolvido ao Grupo, motivo pelo qual não procedeu ao registo de qualquer provisão", lê-se no comunicado.

"À presente data, o processo arbitral encontra-se a seguir os seus trâmites normais", acrescenta.

A Cofina anunciou em 12 de agosto o lançamento de uma OPA sobre a totalidade do capital da Media Capital, alterando a oferta de 21 de setembro, sendo o valor de referência proposto de 0,415 euros por ação, a que corresponde um montante total de 35 milhões de euros e considera um 'entreprise value' de cerca de 130 milhões de euros.

Relativamente às perspetivas futuras, a Cofina refere que "o contexto atual continua marcado por um elevado nível de incerteza".

No que diz respeito às receitas, "tem-se vindo a assistir a uma recuperação face aos níveis atingidos no período de confinamento".

A Cofina conclui referindo que a equipa de gestão está focada na sustentabilidade das operações e na segurança de todos os colaboradores.

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