Termas querem estar na linha da frente no pós-covid

Norte aposta na promoção da sua rede de estâncias termais e prepara o lançamento de programas de reabilitação respiratória e motora para quem já passou pela doença.

Foi no tempo do Império Romano que os banhos em águas termais ganharam fama. Ainda o calendário anual se regia por outros signos e já as águas que brotavam das profundezas da terra eram procuradas para tratar diversas maleitas do corpo. Hoje está comprovada a capacidade terapêutica das imersões e da ingestão destas águas em múltiplos problemas de saúde, desde respiratórios, a dermatológicos, digestivos ou reumatológicos.

Já nos tempos que correm, com uma pandemia que assola há um ano o país e o mundo, deixando sequelas em muitos dos doentes recuperados, a Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) decidiu investir na promoção das mais de duas dezenas de estâncias termais da região, sublinhando o produto como potenciador de saúde e bem-estar. Em simultâneo, a Associação das Termas de Portugal está a desenvolver programas direcionados para a recuperação dos doentes pós-covid. Como sublinha Luís Pedro Martins, presidente da TPNP, "as termas estarão na linha da frente na oferta de soluções para a promoção de saúde e de estilo de vida saudável, e para o reforço do sistema imunitário".

Já em abril arranca a campanha de promoção da marca Termas do Porto e Norte de Portugal, com foco nos mercados interno, espanhol, brasileiro e nas comunidades portuguesas residentes em França, Suíça, Luxemburgo e Alemanha. A mensagem será clara: "Evidenciar a importância deste produto associada a fins terapêuticos de equilíbrio psicofísico nesta fase pós-covid e como alavanca em termos de reforço da capacidade imunológica", diz Luís Pedro Martins. E é para chegar a todos, desde casais jovens a famílias com crianças, que procuram programas de bem-estar e saúde, a adultos sozinhos e pessoas com mais de 55 anos, com escolhas mais direcionadas para a promoção e prevenção de saúde.

Com esta nova aposta, que visa também incrementar a diversidade e diferenciação do destino, a região vai procurar combater a sazonalidade da época termalista, incrementar a estadia média e a taxa de ocupação, assim como os proveitos das unidades e de todos os agentes que rodeiam esses complexos. Para isso, a TPNP está focada na qualificação e valorização destes recursos, de que é exemplo o projeto de reabilitação do Parque Termal das Termas de Moledo, numa parceria com a autarquia do Peso da Régua. O plano de promoção, cuja verba ronda os 280 mil euros, está a ser desenvolvido em conjunto com a Associação das Termas de Portugal.

Para Victor Leal, presidente da associação, esta campanha vai permitir impulsionar "um produto que estava um pouco esquecido" e no qual a região Norte se distingue por possuir "equipamentos com um nível de qualidade semelhante ao que melhor existe a nível europeu". Como frisa, a promoção das termas e dos benefícios para a saúde e bem-estar que advêm da sua prática garante também um impulso a produtos turísticos como natureza, cultura ou gastronomia. E, segundo diz, já houve quem tenha feito as contas: por cada euro gasto por dia em tratamentos termais o turista despende outros quatro no território.

Covid travou crescimento

Segundo dados da Associação das Termas de Portugal, as 22 estâncias da região Norte receberam um total de 47 600 clientes, que geraram proveitos de 4,8 milhões de euros em 2019, um crescimento de 11% face ao ano anterior. O mercado clássico (segmento terapêutico) contribuiu com 3,7 milhões, sendo que o produto bem-estar gerou pouco mais de um milhão de euros. Para Victor Leal, é neste último segmento que é necessário apostar, criando mais ofertas estruturadas de forma a prolongar a estadia por pelo menos mais um dia.

Como revela, o turista que procura o produto bem-estar normalmente fica pouco mais que o equivalente a um fim de semana e gasta em média 20 a 25 euros/dia em tratamentos. Já o cliente que procura as termas com um intuito terapêutico tem uma estadia média de 12 dias e os gastos já atingem os 250 euros/dia. A nível nacional, as 48 termas do país receberam 145 mil utentes em 2019, a larga maioria portugueses, que geraram um volume de vendas global de 15 milhões de euros, mais 12% do que no exercício anterior. O termalismo terapêutico valeu 81,3% da faturação, apesar de só terem beneficiado deste serviço 16 mil pessoas.

Os números de 2020 são impactados negativamente pela pandemia e pelas restrições que os complexos termais foram sujeitos, nomeadamente o encerramento durante o período do primeiro confinamento geral do país. Os valores ainda não estão totalmente fechados, mas apontam para uma quebra na faturação da ordem dos 70% face a 2019 e de 67% no que toca a utentes.

Victor Leal lembra que, no ano passado, na época de verão, os programas de bem-estar de curta duração "tiveram grande adesão" e o território do Alto Tâmega (Chaves, Vidago e Pedras Salgadas) "o melhor ano de sempre". A justificação prende-se com a tentativa de muitos portugueses de fugir às zonas e produtos turísticos massificados, optando por territórios de baixa densidade. Para o presidente das Termas de Portugal, esta tendência deverá consolidar-se neste ano. E para apoiar a recuperação dos doentes pós-covid deverão ser lançados no final de março programas termais de reabilitação respiratória e motora.

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