Têxteis técnicos

Têxteis mostram inovações como o tecido com comandos do carro

Proteção para ciclistas
Proteção para ciclistas

Têxteis técnicos valem 15 a 20% do volume de negócios da indústria têxtil portuguesa

As empresas portuguesas de têxteis estão cada dia mais inovadoras. Uma manta antibacteriana e antiácaros, que incorpora no fio 20% de cortiça; um tecido 100% basalto de filamento contínuo, que suporta temperaturas até 700 graus centígrados; uma camisola desenhada especialmente para o râguebi e que ajuda a colar a bola contra o peito ou até um material que incorpora já os comandos de luz e os sensores de um carro são alguns dos exemplos de produtos que esta semana estiveram em exposição no Inovativo Business Forum, que se realizou na Alfândega do Porto, no âmbito da Modtíssimo – Salão da Fileira Têxtil e Moda Portuguesa. Entre materiais, produtos e projetos, foram 125 as novidades em exposição no fórum da inovação, por onde passaram seis mil visitantes nacionais e estrangeiros.

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Os têxteis técnicos já valem hoje 20% do mercado. “A catalogação dos têxteis técnicos é um problema. Um tecido 100% algodão, com um revestimento especial, continua a ser um tecido em termos de classificação pautal. Mas se o utilizador que vai comprar aquela tela a vai aplicar num produto técnico, passou então a ser um têxtil técnico”, diz Hélder Rosendo, subdiretor-geral do Citeve, centro tecnológico da indústria, para explicar a dificuldade em medir com confiança quanto vale este subsegmento da indústria.

Um dos indicadores mais fidedignos, garante, é a participação em feiras técnicas. “Ninguém vai a uma ISPO, a uma Medica ou a uma TechTextil se não for para apresentar artigos técnicos. E desde 2007 mais do que triplicamos a presença portuguesa neste tipo de feiras, com 72 empresas no ano passado”, diz.

Hélder Rosendo acredita que os têxteis técnicos representem entre 15% e 20% do volume de negócios atual da indústria têxtil portuguesa – que em 2014 rondou os três mil milhões de euros -, mas com tendência de crescimento. “Se pensarmos na Alemanha, que é o top, os têxteis técnicos rondarão cerca de 40% a 45% do volume de negócios total. Portugal poderá chegar aos 30%. Quando são empresas que só produzem têxteis técnicos é fácil, agora quando pegamos numa empresa que tanto faz malhas convencionais para moda como faz malhas técnicas é muito difícil estimar”.

Um bom exemplo disso é a Penteadora, que acabou de ver um dos seus tecidos premiado no iTechStyle Innovation Business Forum. “Dou sempre a Penteadora como exemplo da importância deste segmento do mercado. É uma empresa de tecidos de lã, tipicamente tecidos para fatos de homem, e que há três anos começou a investir no kevlar, uma fibra sintética de aramida muito resistente e leve, misturando-o com lã, para o segmento de bombeiros e proteção civil e que está a ter um crescimento enorme nessa área, e produtos premiados”, destaca Hélder Rosendo.

Mas houve muito mais na Alfândega do Porto. A equipa da LeafXPRO, por exemplo, apresentou uma estrutura protetora, leve e aerodinâmica que permite aos ciclistas utilizar a bicicleta confortavelmente mesmo com condições climáticas extremas. “É não só fácil de montar, sem necessidade de ferramentas, como é fácil de transportar, cabendo num pequeno saco compacto”, garante. Uma solução que tem suscitado grande interesse juntos dos mercados nórdicos, sobretudo na Holanda e na Bélgica.

Entre materiais, produtos e projetos, foram 125 as novidades em exposição no Porto. Conheça algumas das inovações:

 

Chef Socks

Não foi uma das premiadas mas já está no mercado. A pensar nos chefes de cozinha que passam longas horas de pé, a Barcelcom Têxteis desenvolveu umas meias de compressão graduada, extremamente leves e confortáveis, que ajudam a diminuir a fadiga e o edema e a sensação de pernas cansadas. Estão certificadas como um dispositivo médico classe 1. São vendidas numa embalagem plástica estanque, a lembrar as embalagens alimentares.

iTecinovcar

O iTechinovcar – uma parceria da Simoldes com o Citeve e o Centi – visou a integração de novas soluções de iluminação, sensorização e atuação em componentes para o interior do automóvel. Em exposição estava o pilar de um carro, no qual o comando (que funciona por tato) foi integrado no material têxtil, aplicado por moldagem. Quando chegará ao mercado? O grupo PSA já fez a primeira validação e está na fase da industrialização.

Algo.natur

A Tintex nasceu como tinturaria mas hoje é líder mundial em malhas Lyocell, uma fibra que provém da madeira. Ganhou um dos prémios com o colorau, marca que registou na UE, Japão, Rússia e EUA. Desenvolvido em parceria com o Centi, é um novo sistema de coloração baseado em enzimas e extratos vegetais que permite fazer tingimentos sem recurso a corantes químicos. Reduz em 56% o consumo de energia e em 17% o de água.

Springbok Rugby Team

Nelson Évora, Vanessa Fernandes e Usain Bolt são alguns dos atletas que a P&R Têxteis ajudou a sagrarem-se campeões. Agora é a seleção de râguebi da África do Sul que está equipada com as últimas inovações. O calção tem uma lateral atoalhada, para que o atleta possa limpar as mãos antes dos lançamentos, a camisola só tem efeito strecht num sentido, dificultando ser puxada pelos adversários, e o acabamento rugoso, de silicone, na zona do peito ajuda a colar a bola.

LeafXPRO

O nome remete para o que parece, uma folha que é “leve, funcional, fácil de usar, segura, mas asima e tudo, altamente resistente”. E para quê? É uma estrutura modular para quem anda de bicicleta. “A chuva durante o ciclismo não é nada agradável e por isso criamos uma estrutura leve e aerodinâmica, com resistência em condições extremas”, promete a equipa do LeafXPRO. Que garante que a mesma é não só fácil de montar, sem necessidade de uso de ferramentas, como é fácil de transportar, cabendo num pequeno saco compacto. Uma solução que tem suscitado grande interesse junto dos mercados nórdicos, designadamente holandês e belga.

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