Têxtil JF Almeida sobe salários aos 600 trabalhadores

A empresa de Guimarães, especializada em têxteis-lar, quer os colaboradores motivados num ano em que impera a cautela.

A Têxteis JF Almeida, especializada na produção de felpos para banho e mesa, decidiu dar neste ano um aumento de 35 euros a todos os seus 598 trabalhadores, decisão já com efeito no recibo de janeiro. Com o incremento salarial, o salário mínimo na empresa passou a 700 euros. Segundo Juliana Almeida, administradora e filha do fundador Joaquim Ferreira Almeida, a medida significa "um esforço grande, mas é necessário apostar nos colaboradores e manter as pessoas motivadas neste período difícil".

Como a generalidade das empresas, a têxtil de Guimarães não passou incólume à crise sanitária que se abateu em 2020. A faturação caiu 4% para cerca de 40 milhões de euros. Mas o ano de 2021 arrancou de forma positiva. Como adianta Juliana Almeida, a empresa já garantiu encomendas que ocupam a unidade durante todo o primeiro trimestre. As perspetivas são de "um bom ano", mas impera a cautela. A incerteza da pandemia obriga a maiores cuidados na gestão, nomeadamente a "reforçar a tesouraria e a procurar reduzir custos".

No horizonte há algumas oportunidades. Segundo a gestora, há "um aumento da procura de clientes que eram abastecidos por países orientais", movimento que justifica pela confiança na produção nacional, na proximidade com os mercados europeus, na rapidez e flexibilidade das indústrias portuguesas. No caso da JF Almeida, que produz para marcas como a Zara Home, Gant, H&M, El Corte Inglés, entre outras, regista-se "um aumento de pedidos de orçamento por parte de novos clientes e um reforço das encomendas" dos já habituais. Juliana Almeida lembra que uma das mais-valias da JF Almeida é a elevada qualidade do produto, a segurança no cumprimento dos prazos de entrega e a capacidade logística. "Nós temos a possibilidade de só expedir quando o cliente quer colocar o produto na loja", sublinha.

Crise na hotelaria

A têxtil vimaranense, cuja especialização produtiva abrange as áreas da fiação, tecelagem e tinturaria, exporta 70% da produção para mais de 35 países, destacando-se Itália, Espanha, França e Alemanha como principais destinos. Um dos segmentos de negócio é a hotelaria, que em 2020 já só valeu 5% do volume de negócios, o que compara com os 10% de 2019. Ainda assim, no ano passado, a JF Almeida equipou os 352 quartos do luxuoso hotel Royal Savoy, na Madeira, assim como a unidade de cinco estrelas La Torre del Canónigo, em Ibiza, Espanha. Para o corrente exercício, as perspetivas são pouco animadoras. "É um mercado que está a apresentar muitas dificuldades, sem projetos de renovação de produtos, e que não sabemos quando vai começar a laborar em força. Talvez no verão reanime", diz, sem grande convicção.

A JF Almeida é uma empresa 100% familiar e assim se quer manter. No ano passado, o fundador decidiu que era necessário estabelecer um protocolo que garantisse essa vontade. Com o apoio de um consultor espanhol, que passou a marcar presença no conselho de administração, foram assegurados esses interesses, instituídas algumas regras com vista a uma gestão mais profissional e definidas as responsabilidades de cada um dos quatro filhos. O objetivo "foi garantir que a empresa será sempre familiar, assente nos valores com que foi criada, valorizando o trabalho de mais de quatro décadas" de Joaquim Ferreira Almeida. O patriarca, com 60 anos, ainda está longe da reforma, mas considerou "mais seguro organizar" a casa, revela a filha. De fora desta organização ficaram as empresas Mi Casa Es Tu Casa, que produz roupa de cama, a Vayola, sociedade comercial espanhola dedicada ao setor da hotelaria e uma participada alemã, também de cariz comercial.

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