indústrias criativas

THU. O evento de entretenimento digital prepara adeus a Portugal

André Lourenço, fundador do Trojan Horse was a Unicorn. Fotografia: Álvaro Isidoro / Global Imagens
André Lourenço, fundador do Trojan Horse was a Unicorn. Fotografia: Álvaro Isidoro / Global Imagens

Troia "já não consegue acompanhar o crescimento do evento", afirma André Lourenço, o criador do festival que começou em 2013

Arranca na próxima segunda-feira a quinta edição do Trojan Horse was a Unicorn (THU). O maior evento mundial de entretenimento digital vai reunir mais de mil participantes em Troia durante seis dias e vai conseguir juntar, pela primeira vez, desde os líderes das empresas desta indústria aos programadores e criadores. Só que esta deverá ser a última edição do THU em Portugal, admite ao Dinheiro Vivo o fundador do evento, André Lourenço.

“Muito provavelmente, posso afirmar que este é o último ano do THU em Portugal”, assume o criador do evento em entrevista por telefone esta quinta-feira. “Sem outra abordagem ao evento, não conseguimos criar uma comunidade mundial dedicada ao entretenimento digital, que é a nossa ambição.”

André Lourenço explica que Troia, apesar de ter “condições únicas” para a realização do THU, “já não consegue acompanhar o crescimento do evento. Tivemos de parar as vendas de bilhetes ao fim de oito dias depois de ficarmos com uma lista de espera de mil pessoas”. Além disso, acrescenta o fundador, “Troia já não tem capacidade hoteleira nem estrutura elétrica próprias, o que nos obriga a recorrer a geradores.” Para a edição este ano, o investimento é de 1,4 milhões de euros.

O fundador do evento lembra que em setembro de 2015 esteve para sair do país por falta de respeito e apreciação por parte de Portugal mas acabou por cá ficar após seis meses de negociações, que envolveram, na altura, dois membros do Governo.

“Tínhamos feito, em 2016, uma promessa de ficar mais dois anos em Portugal ao secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, e à secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, para deixar cá o evento. Da parte das entidades oficiais, tem havido o máximo de ajuda possível. Só que o evento ganhou uma dimensão que nos faz pensar duas vezes e ter outra abordagem”.

A edição de 2017 arranca com um processo de recrutamento nos primeiros dois dias, seguindo-se palestras e aulas práticas. Entre as presenças, destaque para Scott Ross (Digital Domain), que conquistou três Oscares para melhores efeitos visuais com Titanic, o Estranho Caso de Benjamin Button e Para Além do Horizonte; o diretor de projetos Brian Sharp (Oculus) e o cineasta sul-coreano Erick Oh.

A comunicação social estrangeira também estará presente no evento, com jornalistas vindos de pelo menos 11 órgãos diferentes, entre os quais a revista Wired, o jornal The Guardian e o portal TechCrunch.

Além disso, o THU contará com a presença de uma comitiva oficial de Malta, um dos países que quer atrair o evento dedicado ao entretenimento digital. Além disso, segundo André Lourenço, países como Espanha, África do Sul, Irlanda e Índia também estão a tentar seduzir os responsáveis por este acontecimento, que é o principal evento da THU.

15% de portugueses

Apesar de ser realizado em Troia desde a primeira edição, o THU habitualmente capta participantes estrangeiros em larga escala. Apenas 15% são portugueses, ainda assim, o melhor ano de sempre.

“É o ano em que mais portugueses vêm ao evento e que percebem o investimento que querem fazer às carreiras deles. Há muito talento em Portugal mas as colaborações com o mercado nacional têm sido reduzidas. Há falta de projetos que possam competir com as apresentações no palco do THU”, avalia André Lourenço.

Mas este não é o único problema do mercado português. “Não há perceção do público e dos media nem a preocupação em explicar a indústria do entretenimento digital, que a Comissão Europeia já disse que pode contribuir para resolver os problemas da sociedade. Depois, as instituições públicas não entendem o verdadeiro impacto que um evento como o THU poderia ter no nosso país se olhassem para isto de outra forma.”

De acordo com a Comissão Europeia, as indústrias culturais e criativas contribuem em 4% para o produto interno bruto da União Europeia e 7,5% do emprego total na mesma região.

O Trojan Horse Was a Unicorn começou em 2013 com 200 participantes, tendo evoluído para os 500 e 600 participantes nos anos seguintes. Andrew Jones (vencedor do Óscar para Efeitos Visuais com o filme Avatar e responsável pelos efeitos visuais de Titanic), Syd Mead (criador do universo de ficção de Blade Runner) e Sven Martin (responsável pelos efeitos visuais da série Game of Thrones) foram alguns dos nomes que passaram por este festival desde o início.

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