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Tiago Vidal. LLYC vai ter “investimento relevante” em inteligência artificial

Tiago Vidal,  diretor geral da LLYC
Tiago Vidal, diretor geral da LLYC

Operação em Portugal da consultora de comunicação cresceu 19% o ano passado. Foi um dos mercados que ajudou ao crescimento global da LLYC.

Foi um ano de crescimento para LLYC e a operação em Portugal não foi exceção. Em 2019 a consultora de comunicação registou mais 43 milhões de euros em receitas, uma subida de cerca de 13% face ao ano anterior.

Um crescimento para o qual o escritório de Lisboa contribuiu, assegura Tiago Vidal, sócio e diretor-geral da LLYC Portugal, lembrando alguns dos processos de compras e aquisições nos quais a consultora prestou assessoria.

“Vamos ter um investimento relevante em tecnologia aplicada à comunicação, como a inteligência artificial, com o objetivo continuarmos na vanguarda das soluções mais disruptivas e avançadas do nosso setor”, adiantou Tiago Vidal ao Dinheiro Vivo.

Mercadona, Sonae Sierra, Sonae Arauco, Abanca ou Randstad são alguns dos clientes trabalhados pela equipa de 21 colaboradores em Portugal.

A LLYC fechou o ano passado com receitas de 43,1 milhões de euros, uma subida de 12,4% face ao ano anterior. Qual foi o contributo da operação portuguesa?
Portugal foi uma das cinco operações da LLYC que mais cresceram em 2019 (+19% vs 2018) e representa cerca de 4% das receitas da LLYC a nível global. (1,652 milhões de euros).

Que conquistas contribuíram para esse desempenho?
Foi, sem dúvida, um ano positivo, e enquadrado num crescimento sustentado e onde a capacidade de termos cada vez mais clientes que estão connosco em Portugal e Espanha começa a ter um impacto importante na nossa operação. É importante destacar que o projeto da LLYC em Portugal, que iniciámos em 2015, cresceu, em média, 17% ao ano. Neste crescimento destacaram-se as áreas de Engagement, Comunicação Corporativa e Financeira, e Assuntos Públicos. A área Digital manteve-se estável mas foi um ano onde investimos na preparação de uma nova proposta de valor onde juntamos o Digital Advocacy com a geração de leads de negócio graças à integração do Inbound Marketing na nossa oferta digital permitindo fechar todo o ciclo de valor.

 

A Consultoria de Comunicação e Assuntos Públicos em Portugal pratica preços demasiado baixos quando comparado com outros países

 

Destacaria ainda a diversidade de projetos em que estivemos envolvidos, em áreas distintas, com clientes como Abanca, COSEC, JLL, L’Oréal Professionnel, Media Capital, Mercadona, Pescanova, SIVA, Sonae Sierra, Sonae Arauco, Randstad, Unilever, entre outras importantes empresas nacionais e internacionais.

Estiveram envolvidos em movimentos de M&A (fusões e aquisições), como é o caso das compras do Abanca em Portugal, e até determinada fase assessoraram a Media Capital. Antecipam novos crescimentos por esta via?
Sim. As competências que temos na nossa equipa em Portugal e a nível global têm permitido à LLYC crescer significativamente nesta área. Para além das operações que refere, apoiámos também a aquisição da SIVA pela Porsche Holding Salzburg e a venda do negócio de property management da JLL à MVGM, entre outras.

Em 2019, reforçámos a nossa capacidade de executar projetos de comunicação financeira, com a entrada da LLYC como membro associado da Global Partnership, formada pelas consultoras Finsbury, Hering Schuppener e Glover Park Group (GPG), uma adesão que dá acesso a uma rede de mais de 500 profissionais especializados em mercado de capitais, crises, reputação corporativa e assuntos públicos, com operação em todo o mundo, incluindo os principais centros financeiros e regulatórios.

Quando olham para o mercado nacional por onde antecipam a procura dos clientes ao nível de serviços? Que desafios de adaptação isso colocou à consultora?
É nosso objetivo não só olhar para o mercado nacional, mas também para o que se passa a nível global, pois essa é a mais-valia de sermos uma consultora internacional. Na nossa visão, a necessidade central dos clientes é a mesma ontem, hoje e será a mesma amanhã: a procura das melhores soluções para os seus desafios. Mas também sabemos que muito do que iremos fazer em 2025 será distinto do que fazemos hoje.

 

Sou totalmente favorável a formas de remuneração onde a consultora e o cliente partilham o sucesso

 

Em 2019, adaptámos a nossa proposta de valor ao atual contexto disruptivo, sendo que, acreditamos que para responder a essa necessidade temos de ser capazes de conhecer e compreender o contexto, saber escutar e antecipar riscos e oportunidades para os nossos clientes. Isto implica dominar competências estratégicas, criativas e operacionais para podermos apoiar os nossos clientes a compreenderem as expectativas das diferentes comunidades com quem necessitam relacionar-se, de modo a serem relevantes e comunicarem com impacto em canais distintos.

Esta proposta de valor exige sermos capazes de integrar diferentes disciplinas da comunicação numa estratégia única. Temos ainda um contexto de transformação digital, pelo que vamos ter um investimento relevante em tecnologia aplicada à comunicação, como a inteligência artificial, com o objetivo continuarmos na vanguarda das soluções mais disruptivas e avançadas do nosso setor.

O mercado já ‘normalizou’ do período pós troika onde bateu no fundo ao nível de preços? Em 2018, um estudo da Apecom dava conta que os 73,6% dos clientes considera fundamental a agência trabalhar em exclusividade para a marca, embora 64,7% estivesse indisponível para pagar. Preferem um esquema de remuneração baseado numa taxa de sucesso: 50,9%. É ainda esta a realidade?
Infelizmente, existem poucos dados de mercado que permitam ter uma opinião informada sobre este tema para além do facto de que dentro do “mercado” existem muitas realidades distintas, seja pela dimensão das agências, seja pelo tipo de serviços que prestam. No entanto, é um facto que a Consultoria de Comunicação e Assuntos Públicos em Portugal pratica preços demasiado baixos quando comparado com outros países. Podemos dizer que a dimensão do mercado assim obriga, mas temos excelentes profissionais em Portugal e, no caso da LLYC, estamos cada vez mais envolvidos nos desafios estratégicos dos nossos clientes com um impacto significativo nos seus negócios. Acredito que as melhores empresas de consultoria de comunicação deveriam ser capazes de ter honorários ao nível de outros consultores, como as consultoras de negócio, os consultores jurídicos ou financeiros.

Sobre o tema da exclusividade, vejo duas realidades: por um lado, os clientes que compreendem que temos compromissos éticos e profissionais que permitem ter clientes concorrentes dentro da mesma consultora, criando uma “chinese wall” que garante a total confidencialidade dos seus temas. Por outro, os clientes que querem exclusividade, mas não estão dispostos a pagá-la – e essa é uma exigência que não me parece equilibrada.

Relativamente a taxas de sucesso, sou totalmente favorável a formas de remuneração onde a consultora e o cliente partilham o sucesso, e onde os KPI são cada vez mais ligados ao negócio do cliente ao invés de apenas a indicadores de comunicação. Afinal, trabalhamos cada vez mais para ter impacto direto no negócio dos nossos clientes.

O recurso a influenciadores era outra tendência detetada nesse estudo, com o Branded Content a ser a palavra-chave em 2018. Qual foi a de 2019? E qual a que antecipam para 2020?
2019 foi um ano em que o Advocacy veio dar um novo foco à discussão em torno dos influenciadores e do seu papel na comunicação moderna. Em 2020, acreditamos que vamos começar a falar cada vez mais do propósito das organizações e da importância da narrativa corporativa. Sem nunca esquecer duas palavras chave que devem estar sempre presentes em cada ano: Reputação e Confiança!

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