Tomás Correia acusado de três crimes. Processo tem 14 arguidos

Em causa está um processo aberto pelo Ministério Público sobre a venda de um terreno em Coimbra.

O presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, António Tomás Correia, é acusado de três crimes num processo de insolvência dolosa e burla qualificada na venda de um terreno em Coimbra. AS suspeitas envolvem ainda a emissão de cheques sem provisão, acordos estabelecidos com o objetivo de não serem cumpridos e vendas de terreno sem que estes tenham sido pagos ao proprietário inicial.

O processo, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, conta com 14 arguidos, incluindo, além de Tomás Correia, a própria Caixa Económica Montepio Geral, o Montepio Imóveis, o antigo presidente do Finibanco, Humberto da Costa Leite, e ainda o presidente da Martifer, Carlos Martins.

A informação foi avançada pela edição desta quarta-feira do Público, que diz que, em causa, está a venda, em 2008, de um terreno de 30 hectares junto à entrada de Coimbra, o Colinas de Vale Meão, por 32,4 milhões de euros e que foi vendido por uma empresa detida pelo jurista Tavares de Almeida, que na altura do negócio acumulava funções com as de administrador e auditor do Finibanco.

O terreno terá sido vendido mas não pago e o empresário foi reclamar junto dos tribunais uma dívida de 17 milhões de euros. No final de 2009, o diretor financeiro da Vicaima (controladora do Finibanco) e o gerente da Cityprofit, Manuel Bessa Monteiro, entregaram ao vendedor um cheque de 32,4 milhões sem provisão. Decorriam entretanto negociações para a OPA sobre o Finibanco e é neste ponto que surge a ligação a Tomás Correia.

Segundo o documento a que o Dinheiro Vivo teve acesso, Tomás Correia é acusado de três crimes: um de insolvência danosa e dois de burla qualificada. Os mesmos que os restantes envolvidos no processo: o diretor financeiro Bessa Monteiro e Ricardo Henriques, da Vicaima, Carlos Martins, presidente da Martifer, e o colaborador Ricardo Henriques, o dono da Prestige, José Pucarinho, e ainda Manuel Guerra.

Fernando Magalhães é acusado de um crime de burla qualificada e, além das entidades ligadas ao Montepio, a Vicaima é acusada de um crime de insolvência dolosa e dois crimes de burla qualificada. Já a Sogicaima, gestora imobiliária, é acusada de dois crimes de burla qualificada, os mesmos que a Estia SGPS.

Segundo o Público, e como também confirmou o Dinheiro Vivo junto de fonte conhecedora do processo, semana passada, na última reunião do Conselho Geral da Associação Mutualista Montepio Geral, Tomás Correia, prestou informações a seu pedido sobre o facto de ser arguido em três dossiês.

Além deste caso, é citado num processo do Banco de Portugal por, em 2014, enquanto presidente do banco Montepio, ter falhado a introdução dos procedimentos necessários ao controlo de movimentos financeiros ilícitos. É também suspeito ainda, como noticiou o Expresso, de ter recebido 1,5 milhões de euros de José Guilherme (que "ofereceu" 14 milhões a Ricardo Salgado), num negócio imobiliário.

A investigação foi espoletada pelo ministério público de Viseu e refere-se à venda do terreno ao mesmo tempo que decorria a OPA lançada em 2010 pelo Montepio Geral, na altura liderado por Tomás Correia, sobre o Finibanco, liderado por Humberto Costa Leite, atualmente da Vicaima. Um negócio de 341 milhões de euros que também está a ser investigado pelo Ministério Público.

 

 

 

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de