Desperdício Alimentar

Too Good to Go no Porto. Magic Box para aproveitar 14 mil toneladas de comida

To Good to Go chega ao Porto

Fotografia: D.R.
To Good to Go chega ao Porto Fotografia: D.R.

Arranca no Porto com mais de 60 parceiros. Depois de Lisboa e Porto querem chegar a mais 18 distritos este ano.

Uma peça de fruta ali, uma fatia de bolo de chocolate acolá, todos os anos 14 mil toneladas de comida são atiradas ao lixo na região do Porto. São, imaginem, 233 camiões TIR com carga máxima a seguir com comida em boas condições para uma lixeira. É para ajudar a acabar com este desperdício alimentar que a aplicação dinamarquesa Too Good to Go acaba de entrar no Porto. Faro e Braga são as próximas cidades. Expandir para 18 distritos em 2020 está na meta da empresa.

Entram no Porto já com mais de 60 parceiros. “O objetivo principal é um crescimento exponencial na cidade tanto de utilizadores como de estabelecimentos, assim como a aposta em diversidade: cafés, restaurantes, mercearias e, eventualmente, também hotéis e supermercados. Acreditamos que o Porto tem um potencial enorme e a prova é o número de adesão pré-lançamento”, adianta Madalena Rugeroni, country manager da Too Good To Go Portugal, ao Dinheiro Vivo.

Rota do Chá, Casa da Tété, Essência Restaurante Vegetariano, The Bird, Restaurant Try, Di Bistrô, Manna Porto, Confeitaria do Bolhão, Terrella, Camélia Brunch Garden, Paparoca da Foz, Nectar, Pimenta Rosa, Em Canto, Cantinho do Vasconcelos, Mixpão, Pizzaria Gallo Grigio, My Kai Poke Bowls e O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo são alguns dos parceiros que têm Magic Boxes disponíveis na aplicação (sistema iOS e Android).

 

Até agora evitámos 45 toneladas de CO2 de serem emitidas no meio ambiente, 18 mil refeições de serem desperdiçadas”

 

A chegada ao Porto surge praticamente três meses depois da entrada no mercado nacional.“Em apenas três meses desde o lançamento em Lisboa, e apenas numa cidade, salvámos mais de 18 mil refeições e temos mais de 350 estabelecimentos parceiros. O balanço tem sido bastante positivo, com um crescimento rápido e visível mês após mês”, refere a responsável em jeito de balanço.

Em Lisboa, a aplicação fechou uma parceria com a Auchan Retail, que colocou à venda Magic Boxes na aplicação, mas nesta fase apenas circunscrito ao hipermercado da cadeia de retalho alimentar no Almada Forum. Para quando uma expansão a outras zonas? “Não há um timing definido específico, a Auchan Retail Portugal é um parceiro que está empenhado em ter um grande impacto na redução de desperdício alimentar e acreditamos que juntos podemos fazer a diferença”.

Fundada em 2016 na Dinamarca, a To Good To Go tem objetivos de crescer no mercado nacional e já tem cidades alvo: “Faro e Braga, sendo que já temos bastantes utilizadores registados nessas cidades e também existe uma grande concentração de potenciais estabelecimentos parceiros”, diz a country manager.

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“Os objetivos este ano são expandir para os 18 distritos de Portugal Continental tendo estabelecimentos em cada uma das 18 cidades principais, e angariar parcerias com grandes cadeias com as quais acreditamos que, por uma questão de escala, podemos ter mais impacto no meio ambiente rapidamente”, revela.

E com a expansão fazer crescer a empresa também em número de colaboradores. “O nosso crescimento de equipa está diretamente correlacionado com o crescimento ao nível dos resultados, sendo que neste momento já somos 18 pessoas. Temos uma equipa dedicada exclusivamente à aquisição de parceiros independentes e cadeias, uma equipa de marketing e comunicação, recrutamento, assim como um departamento de acompanhamento a parceiros e utilizadores. Prevemos no final do ano contar com uma equipa de 25 a 30 pessoas em Portugal.”

Impacto ao nível do combate ao desperdício

Com presença em apenas numa cidade, Madalena Rugeroni mostra-se entusiasmada com o impacto que a aplicação já está a ter no combate ao desperdício alimentar e na redução das emissões de CO2 em Portugal.

“Muitas pessoas não sabem que o desperdício alimentar é um dos principais emissores de CO2 no mundo. Se toda a comida desperdiçada fosse um país, seria o terceiro maior emissor de CO2 do planeta, logo a seguir aos EUA e da China. Cerca de um terço de tudo o que produzimos é deitado fora, um em cada três alimentos acaba no lixo. Além disso, 28% da terra agrícola é usada para produzir alimentos que não são consumidos”, destaca Madalena Rugeroni.

“Com a Too Good To Go em Portugal podemos orgulhosamente dizer que já estamos a ter um impacto positivo: até agora evitámos 45 toneladas de CO2 de serem emitidas no meio ambiente, 18 mil refeições de serem desperdiçadas, e contamos que este número dispare até ao final do ano.”

Madalena Rugeroni, responsável para Portugal da plataforma Too Good to Go, fotografada esta tarde em Lisboa. ( Pedro Rocha / Global Imagens )

Madalena Rugeroni, responsável para Portugal da plataforma Too Good to Go
( Pedro Rocha / Global Imagens )

A aplicação funciona como um marketplace onde os parceiros colocam a sua oferta, com preços mais reduzidos, para permitir a compra e posterior levantamento pelos utilizadores. Uma atuação que não se fica por aqui. Nem pelo mercado nacional.

“Quando falamos da Too Good To Go é importante referir que somos bastante mais que uma app. A Too Good To Go é um movimento contra o desperdício alimentar que atua em cinco frentes: no marketplace (que é efetivamente a app, onde qualquer pessoa consegue ter um papel ativo); mas também nas escolas, na indústria alimentar, na política e nos agregados familiares”, diz.

“Em 2020 queremos lançar globalmente programas educativos em 500 escolas e conseguir trabalhar a par com o governo de, pelo menos, cinco países para alterar a legislação e continuar a construir um planeta sem desperdício com que sonhamos. Queremos educar e inspirar sobre o problema que o desperdício alimentar provoca, porque muitas vezes é a ignorância das causas e efeitos que nos previne de ter hábitos mais sustentáveis e conscientes.”

A app já está presente em 15 países (Europa e EUA) e no total conta com mais de 39 mil estabelecimentos parceiros e mais de 19 milhões de utilizadores, que já salvaram mais de 30 milhões de refeições, evitando com que 76.000 toneladas de CO2 fossem emitidas para a nossa atmosfera, segundo os dados fornecidos pela empresa.

“Queremos expandir para novos países. Queremos ser o principal player, a empresa que lidera esta luta contra o desperdício alimentar e a que tem mais impacto”, garante Madalena Rugeroni.

Para 2020, “ambicionamos ter uma comunidade de 75 milhões de utilizadores e cooperar com 75 mil estabelecimentos parceiros. Até 2024, queremos alcançar 1 bilião de refeições salvas e entrar noutro continente. Já anunciámos a nossa expansão para os EUA e agora temos que conquistar esse novo mercado em que quase 40% da comida produzida é desperdiçada.”

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