Indústria 4.0

Toworkfor cria sapatos sem costuras e de fabrico 100% automatizado

Albano Fernandes, CEO da AMF, segura um exemplar da linha Infinity produzido com a tecnologia 3D Bonding. Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens
Albano Fernandes, CEO da AMF, segura um exemplar da linha Infinity produzido com a tecnologia 3D Bonding. Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Inovação permite concorrer em pé de igualdade com a Ásia. “A simplificação do processo torna economicamente viável” ter 100% da produção na Europa

A AMF Shoes, detentora da Toworkfor, quer aceder à “primeira liga” da produção mundial de calçado, aliando costumização a fabrico totalmente automatizado. Esta é uma indústria de mão de obra intensiva, dando cartas num mercado onde a Ásia é responsável por 87% da produção mundial. Panorama que a empresa de Felgueiras pretende mudar, com a sua linha Infinity, um sapato sem costura, colado por processo de injeção, produzido sem intervenção humana, mas com materiais tradicionais, como o couro.

“A digitalização e a automação são banais noutras indústrias, mas o calçado tem, ainda, muito a fazer. O sector apresenta ótimos resultados, mas há muitas operações que não faz sentido continuarem a ser feitas por pessoas”, explicou, ao Dinheiro Vivo, Albano Fernandes, CEO da AMF Shoes. A tecnologia 3D Bonding foi desenvolvida pela Simplicity Works, uma spin-off da Universidade de Alicante, e a AMF detém a exclusividade do seu uso no mercado europeu. A primeira coleção foi apresentada em outubro e a produção arranca em breve. “Com esta tecnologia será possível produzir calçado em Portugal a custos quase iguais aos da Ásia. Já para não dizer que isto reduz em mais de 50% os stocks dos nossos distribuidores, com poupanças brutais em termos de combustível e de ambiente”, destaca Albano Fernandes, sublinhando que “são 12 a 15 semanas de transporte, a partir da Ásia, que desaparecem”.

Leia, também, Toworkfor: Calçado português ganhar tração com sola Michelin

Mais conhecida pela marca Toworkfor, a AMF produz calçado de segurança para a indústria automóvel, petrolífera ou retalho especializado, tendo, em Portugal, clientes como a AutoEuropa, o Aki, o Lidl ou o INEM. Albano Fernandes comprou a empresa em 1999 e, até 2005, dedicou-se à produção em regime de subcontratação para outras empresas da região.

As primeiras exportações de calçado de segurança surgiram em 2002, por mero acaso, mas levaram o empresário a redefinir a sua estratégia e a concentrar-se exclusivamente nesta área de negócio a partir de 2005, criando a 2W4, que deu origem, depois, à Toworkfor. Dava, então, emprego a 14 pessoas e faturava um milhão de euros. Hoje são 140 trabalhadores e 11,7 milhões de euros de vendas. Produz mais de quatro mil pares por dia, que vende para 25 mercados, nos cinco continentes, com as exportações a pesarem 85%. A marca própria vale 47%.

Mas a entrada em produção da linha Infinity, a par da conquista de novos clientes e novos mercados, permite antecipar que o volume de negócios vai este ano crescer, pelo menos, 30%. Mas vai obrigar, também, à construção de uma nova fábrica porque a atual, construída em 2011 e alargada em 2015 e 2016, não permite acompanhar o novo projeto. “A nova unidade terá de ter um lay out completamente diferente. Eu não gostaria de separar as duas unidades, mas andamos à procura de soluções. Precisamos, no mínimo, de 20 mil metros quadrados e é preciso músculo financeiro”, reconhece Albano Fernandes. O investimento associado não está, por isso, totalmente contabilizado, mas será, no mínimo, de seis milhões de euros. Que irá submeter ao FOOTure, o plano de apoio à Indústria 4.0 do calçado. “Estamos a lutar contra o tempo. A fábrica tem que estar pronta no final de 2019, seja num só espaço ou dividida em duas”, admite o empresário.

A produção da nova linha, a par das restantes, arranca com a máquina de injeção que já tem. Encomendada está já outra. Para produzir mil pares destes inovadores sapatos ao dia precisará, apenas, de 10 pessoas. “No calçado tradicional precisaria, no mínimo, de 120”, garante. O que não significa que vá reduzir pessoal, pelo contrário. “Os postos de trabalho não estão em risco nem aqui nem na indústria. As máquinas não trabalham sozinhas e vamos precisar de muito mais gente na logística”, assegura. “Temos de fazer o que for preciso para sermos competitivos e mantermos a indústria na Europa”, argumenta.

No imediato, os modelos Infinity são de calçado de segurança, mas o objetivo é chegar ao segmento de moda e desporto, de olhos postos no mercado americano e nas grandes marcas internacionais de desporto. “Até 2022 devemos, no mínimo, duplicar a faturação”, diz Albano Fernandes, que se mostra disponível para partilhar o projeto com outros parceiros, nomeadamente através da criação de um consórcio com outros produtores europeus. Em Felgueiras ficará, sempre, o coração do projeto.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Caixa Geral de Dep—ositos -

CGD perdeu 1200 milhões em empréstimos de risco

Miguel Setas, presidente da EDP Brasil

EDP Brasil quer duplicar presença no país até 2020

Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças. Fotografia: Jorge Amaral/Global Imagens

Portugal não vai concorrer a vaga de topo no BCE, nem mexe na previsão do PIB

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Toworkfor cria sapatos sem costuras e de fabrico 100% automatizado