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Toys “R” Us em Portugal só sobrevive com venda

REUTERS/Stephane Mahe
REUTERS/Stephane Mahe

Maior vendedora de brinquedos do mundo fecha todas as lojas nos EUA e no Reino Unido. Em Portugal o futuro ainda é incerto.

Acabou a brincadeira. Foi com lágrimas nos olhos e carrinhos de compras cheios que milhares de crianças, e alguns adultos, visitaram ontem o Toys “R” Us pela última vez. O momento ficou gravado para a posteridade em centenas de vídeos do YouTube.
A maior loja de brinquedos do mundo não acabou só com os sonhos de milhões de crianças. Nos EUA, onde encerrou todas as lojas, estão em risco mais de 33 mil postos de trabalho. No Reino Unido, onde vai fechar portas até ao final de abril, são mais três mil. No resto do mundo ainda não se sabe.

Em comunicado enviado ontem, a empresa garantiu estar ainda a estudar a viabilidade do negócio em Portugal, onde conta com oito lojas. “Para o negócio internacional da empresa na Austrália, França, Polónia, Portugal e Espanha, estão a ser consideradas opções que incluem a eventual venda de cada um desses mercados”, pode ler-se na nota.

Jean Charretteur, diretor-geral da marca para Portugal e Espanha, sublinhou que a empresa está a trabalhar “em estreita colaboração” com os seus assessores “para definir medidas que nos permitam preservar a continuidade da nossa atividade em Portugal e Espanha, bem como os interesses dos nossos funcionários”.

A multinacional garante que enquanto a situação não estiver resolvida, as lojas vão continuar a funcionar “com absoluta normalidade”.
Nos Estados Unidos são quase 900 as lojas ameaçadas. Há ainda, no entanto, uma réstia de esperança para as que faturam mais. “A empresa anunciou que está a negociar um potencial acordo pelo qual 200 lojas dos EUA possam ser operadas pelo Canadá.” A operação canadiana está a ser “reorganizada”, podendo escapar ao encerramento.

O mesmo acontece na Ásia, Alemanha, Áustria e Suíça. Aqui, está a ser implementado “um acordo de serviços de transição e a desenvolver planos para uma possível função de serviço partilhado para apoiar operações internacionais no futuro”, explicou a empresa.
A Toys “R” Us foi fundada nos Estados Unidos há 70 anos, em 1948, por Charles Lazarus. Foi durante décadas a líder mundial na venda de brinquedos, e conta com mais de 65 mil funcionários. Em 2016, gerou receitas superiores a 9,5 mil milhões de euros.

O declínio começou em setembro do ano passado, quando a empresa apresentou um pedido de insolvência, justificado por uma dívida superior a quatro mil milhões de euros. Chegou a ser negociado um financiamento de três mil milhões de dólares junto dos credores. Já no início de 2018 foi apresentado um plano estratégico com o objetivo de assegurar a sobrevivência da marca. A Toys “R” Us pretendia encerrar as lojas menos lucrativas e apostar na renovação das restantes. Outra das medidas previstas no plano de reestruturação era a aposta nas vendas online, um segmento desde sempre apontado como um dos pontos fracos da marca, que não soube adaptar-se às mudanças dos hábitos de consumo. Em menos de três meses, todos os planos caíram por terra.

A queda do império dos brinquedos está a causar preocupação na indústria. Só nos EUA, a Toys “R” Us representava até agora entre 15% e 20% das vendas do setor. Enquanto parte dos produtos serão redistribuídos por outras cadeias, como a Amazon ou o Walmart, há uma fatia que, segundo uma estimativa do Jeffreys Group, vai perder-se para sempre. As ações de fabricantes como a Mattel ou a Hasbro caíram a pique com a notícia da falência da Toys “R” Us e já estão a ser preparados planos de contingência. A brincar a brincar, a Toys “R” Us vale 10% das vendas da Barbie e do Monopólio.

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