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Trabalhadores da Autoeuropa discutem novos horários a 05 de junho

Autoeuropa conta com cerca de 5700 trabalhadores. ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Autoeuropa conta com cerca de 5700 trabalhadores. ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

A proposta da Autoeuropa não agrada aos trabalhadores. A 05 de junho serão apresentadas propostas para ultrapassar o diferendo com a administração.

A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa convocou reuniões plenárias para o próximo dia 05 de junho com o objetivo de discutir a proposta da empresa de pagamento do trabalho aos domingos como trabalho normal acrescido de uma folga adicional.

Em causa está a remuneração do trabalho aos domingos a partir de agosto, quando entrar em vigor o novo horário de laboração contínua, com um total de 19 turnos por semana — três turnos diários de segunda a sexta-feira e dois turnos ao sábado e ao domingo. Cada trabalhador irá cumprir cinco dias de trabalho por semana, sendo que o trabalho aos sábados será pago com um acréscimo de 100%.

Segundo revelou à agência Lusa o novo coordenador da Comissão de Trabalhadores, Fausto Dionísio, que substituiu o demissionário Fernando Gonçalves, a empresa, com a implementação do novo horário de laboração contínua a partir de agosto, pretende manter o pagamento do trabalho ao sábado com um acréscimo de 100%, mas propõe-se pagar os domingos como trabalho normal, oferecendo uma folga adicional por mês como compensação.

“Neste momento os trabalhadores estão a fazer dois sábados por mês que são pagos a 100%. Com o novo horário, a partir de agosto, a empresa propõe-se pagar o mesmo por dois sábados e dois domingos, apenas com mais uma folga adicional”, disse Fausto Dionísio, lembrando que, de acordo com o modelo do novo horário, cada trabalhador deverá fazer, em média, dois sábados e dois domingos por mês.

“Dado que a empresa não tem orçamento para este ano — o que nós entendemos perfeitamente –, propusemos que nos pagasse um domingo [a 100%] e que o outro domingo também fosse pago [a 100%] a partir de janeiro do próximo ano, mas a empresa diz que [não tem condições para pagar] nem para um nem para outro”, acrescentou Fausto Dionísio.

Na prática, a reivindicação da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa significaria que, não obstante cumprirem apenas cinco dias de trabalho por semana, todos os trabalhadores beneficiariam de um acréscimo de 100% na remuneração sempre que trabalhassem ao sábado e ao domingo.

A Autoeuropa recusou a proposta da Comissão de Trabalhadores, mas a compensação oferecida pela administração pelo trabalho ao domingo também não agrada à Comissão de Trabalhadores, que já convocou reuniões plenárias de trabalhadores para o próximo dia 05 de junho, onde deverão ser discutidos os novos horários.

Segundo Fausto Dionísio, além de ouvir os funcionários da empresa, a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa deverá apresentar algumas propostas para tentar ultrapassar o diferendo com a administração, que se escusou a revelar, assegurando, no entanto, que aquele órgão representativo dos trabalhadores não irá apresentar qualquer proposta de greve.

Quem já apelou à greve foi o SITESUL, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Ambiente do Sul, que também considera insuficiente a compensação oferecida pela Autoeuropa pelo trabalho ao domingo.

“Entendemos que a administração tem condições para dar uma compensação maior do que aquela que se propõe pagar. E, como há um pré-aviso de greve emitido para dia 09 de junho, devido à manifestação da CGTP, num comunicado que distribuímos na segunda-feira na Autoeuropa, apelamos aos trabalhadores para manifestarem o seu descontentamento aderindo a esse pré-aviso de greve”, disse à agência Lusa Eduardo Florindo, coordenador do SITESUL.

“Não pomos em causa o horário. Mas entendemos que a Autoeuropa devia pagar uma compensação justa pelo esforço que os trabalhadores vão fazer, na sua vida pessoal, na saúde, com a implementação do novo horário a partir de agosto, até porque há outras empresas do parque industrial da Autoeuropa que estão a propor o pagamento de uma compensação de 300 euros mensais pelo trabalho aos domingos. E nós entendemos que a Autoeuropa também poderia pagar mais do que está a oferecer”, frisou o sindicalista, escusando-se a revelar o nome dessas empresas, alegando que os acordos ainda não estão fechados.

A agência Lusa tentou saber quais as empresas que estariam a oferecer uma compensação de 300 euros pelo trabalho ao domingo, mas fonte da Coordenadora das Comissões de Trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa disse desconhecer a existência de qualquer proposta de empresas do parque industrial com essa ordem de grandeza.

De acordo com uma nota interna da Autoeuropa, a partir de agosto, a fábrica de automóveis do grupo Volkswagen em Palmela deverá produzir cerca de 750 veículos por dia, de segunda a sexta-feira, e cerca de 500 aos sábados e domingos.

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