greve

Trabalhadores da Efacec voltam à greve contra “despedimentos”

Efacec emprega 2.500 trabalhadores e fatura 500 milhões de euros/ano

A Efacec emitiu um comunicado a desmentir despedimentos, ao mesmo tempo que os trabalhadores se manifestavam em Lisboa.

Dezenas de trabalhadores da Efacec, hoje em greve, manifestaram-se em frente ao parlamento contra ‘despedimentos’ na empresa, ao mesmo tempo que a administração emitia um comunicado a esclarecer que os funcionários têm saído de “livre e espontânea vontade”.

“As pessoas que optam por sair da Efacec fazem-no de comum acordo ou por sua livre e espontânea vontade para assumir novos desafios profissionais”, afirma a Efacec, num comunicado distribuído aos jornalistas que faziam a cobertura da manifestação, e também divulgada na página de internet da empresa.

A empresa – que tem mais de 2.300 trabalhadores – considera “inexplicável” a greve convocada pelo SITE-Norte Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Norte, e diz que “não corresponde à verdade a existência de pressões para a saída de colaboradores da empresa” e que ” está sempre disponível para chegar a soluções de entendimento”.

“A Efacec iniciou um processo de despedimentos, dizem eles [a administração] amigável e por mútuo acordo, mas está a pedir a trabalhadores, muito jovens ainda, e a coagi-los para que se vão embora, se não forem a bem podem ir a mal, e há trabalhadores que, com medo, estão a rescindir”, denunciou o dirigente do SITE-Norte, Miguel Moreira, adiantando serem ainda “poucos” os que o fizeram.

A administração da empresa, no comunicado emitido, admite haver um processo de transformação da Efacec, desde outubro de 2015, com um novo modelo de gestão de recursos humanos para tornar a estrutura operacional da empresa “mais clara e ágil”, premiando o mérito e a competência, promovendo a “mobilidade interna, como forma de preservação do emprego e do desenvolvimento dos colaboradores”.

“Estamos nesta manifestação para que a empresa trave os despedimentos”, explicou Miguel Moreira, salientando a importância de deputados, Governo e Presidente da República acompanharem este processo de mudança na Efacec.

O sindicalista adiantou que a luta dos trabalhadores “não vai parar enquanto a empresa não arrepiar caminho” e alertou para a quebra de produção na Efacec que considera ser “propositada” e sem justificação face ao facto de existirem “muitas” encomendas.

“O que estamos a constatar é que esta empresa está a despedir mão de obra altamente qualificada, recorrendo ao trabalho precário ou ao trabalho sem direitos”, denunciou o sindicalista.

Os trabalhadores da Efacec já tinham feito greve no mês passado, a 27 de outubro, pelas mesmas razões, tendo também na altura sido feito um esclarecimento pela administração ad empresa a refutar as acusações e a razão da paralisação.

Em janeiro, o grupo Efacec pediu a extensão da concessão do estatuto de empresa em reestruturação até ao final de 2018, permitindo avançar com rescisões por mútuo acordo, até um total de 424.

A empresa tem atividades nos domínios das soluções de Energia, Engenharia, Ambiente, Transportes e Mobilidade Eléctrica.

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