Gestão

Trabalhadores em primeiro lugar. É assim que as melhores empresas lideram

O que fazem as melhores empresas do país para motivar trabalhadores e obter resultados? Como se lidera uma equipa? As melhores empresas para trabalhar em Portugal explicam.

Ir buscar os filhos à escola se o colaborador se atrasar no trabalho, horários flexíveis, salários acima da média, apoio psicológico, formação paga ou direções flat (horizontais, pouco estratificadas) com escritórios em open space (espaço aberto, sem gabinetes). Estas são algumas da características na génese das melhores empresas para trabalhar em Portugal como a MSD, a Growin e a Medtronic, distinguidas pela Great Place to Work (GPTW), especialista no estudo de ambientes de trabalho e práticas de gestão de pessoas, na categoria “Prémio Liderança”.

A GPTW elege todos os anos as melhores empresas e distingue as lideranças de excelência no mercado nacional. O estudo levado a cabo pela consultora é baseado na opinião dos funcionários que preenchem um questionário anónimo sobre diversos aspetos relacionados com a sua satisfação laboral. Na edição deste ano, a GPTW analisou 100 empresas das quais 25 foram distinguidas, no início do mês de abril.

É o caso da tecnológica médica Medtronic, presente em mais de 160 países e com 84 mil colaboradores a nível mundial. A cultura da empresa é um aspeto natural desde a sua fundação em 1949 e que começa no primeiro dia. “Não há hierarquias, tratamo-nos todos por “tu”, há uma política de porta abertas que permite que haja uma conversa com a direção, sempre que necessário sem ser preciso marcar reunião”, atesta a diretora de RH, Susana Pereira. Diariamente, o diretor geral vai almoçar com colaboradores aleatórios de forma espontânea. “As pessoas são convidadas na hora e não estão preparadas. Isto faz com que a prática seja natural e fomenta a ligação da direção com a equipa. É uma oportunidade para ouvir as opiniões e conhecer as pessoas”, refere Susana.

As 150 pessoas empregadas na Medtronic Portugal trabalham num ambiente de liberdade e responsabilidade, com regalias peculiares. O horário laboral é flexível bem como os dias de folgas. É possível aceder a vários serviços de forma gratuita, como aconselhamento jurídico ou psicológico. “Se um funcionário se atrasar no trabalho pode pedir um profissional que lhe vá buscar os filhos à escola ou alguém que fique a tomar conta de um familiar doente. Pode ir ao psicólogo ou recorrer a um advogado. Tudo confidencial, o serviço está pago pela empresa, quem quiser usufrui”, prossegue.

Leia também: Estas são as melhores empresas para trabalhar em Portugal

A tecnológica médica, com a sede portuguesa nas Torres de Lisboa, tem como preocupação o bem-estar da sua equipa e a formação desta. Todos os colaboradores traçam, em conjunto com a direção, um plano de carreira com objetivos a médio e longo prazo. As formações são pagas pela entidade empregadora e há também um protocolo com a Harvard Business School, para cursos online.

Susana Pereira aponta a comunicação como um pilar fundamental que faz parte da cultura Medtronic e que se traduz em resultados positivos para a companhia. Há reuniões regulares, com direito a café e bolos, nas quais toda a equipa participa para discutir assuntos internos. “Nem sempre são assuntos fáceis de abordar. Às vezes há momentos com questões mais difíceis, e a liderança está sempre presente para falar com as pessoas e estas são envolvidas nas decisões.”, elucida.

Lideranças de sucesso

Mas afinal, qual deve ser papel de um líder? O especialista em consultoria de gestão de pessoas da GPTW, Maurício Korbivcher, acredita que, em primeiro lugar, é preciso tratar os colaboradores “como seres humanos” uma vez que estes são “o referencial competitivo da empresa”. “O principal papel da liderança é ser um patrocinador da cultura laboral, do desenvolvimento das suas equipas. As lideranças que atuam próximo dos funcionários motivam mais, transmitem mais credibilidade, provocam e estimulam a camaradagem e transmitem o orgulho de pertencer e de estarem todos no mesmo barco e a remar na mesma direção e no mesmo sentido”, assegura. Esta atitude “tem uma relação direta com produtividade, com lucro, com eficiência e com o resultado da empresa”.

Esta visão é comum aos princípios da Growin. “Quem faz as empresas são as pessoas, o nosso principal foco é a retenção do talento”, refere a HR Business Partner, Joana Mendes. A tecnológica, com 3 anos e meio, tem pautado o seu percurso por um crescimento evidente. No ano passado faturou 6,2 milhões de euros e em 2018 pretende preencher mais 35 postos de trabalho.

Leia também: Growin faturou 6,2 milhões e cresceu 24% em 2017

Também aqui há uma preocupação na comunicação entre as chefias e as equipas, numa hierarquia também assumida como flat. A aposta no desenvolvimento de talentos é assunto do dia com formações em diversas áreas disponíveis para quem se quiser inscrever.

Na startup portuguesa de desenvolvimento de software à medida e análise de sistemas trabalham 180 pessoas. A boa relação entre elas é importante e, por isso, são organizadas várias atividades de convívio, como a “Growin Hangout”, que consiste num encontro a cada dois meses, depois das 18h30 e que tem como mote a troca de ideias e confraternização.

Funcionários felizes, empresas felizes

Todas estas políticas têm um objetivo comum: formar profissionais realizados e competentes que reflitam as suas conquistas nos resultados da empresa. Para Ricardo Martins, diretor do Centro de Estudos de Gestão e Organização Científica (Cegoc), um bom líder tem de inspirar as pessoas à sua volta, apoiá-las e dar-lhes ferramentas para o sucesso. “As empresas que não tiverem a capacidade de abraçar este modelo rapidamente vão perder os seus melhores quadros, o que as leva à perda de competitividade”, alerta.

Vítor Virgínia está ciente destas premissas. O diretor geral da MSD não tem dúvidas de que o segredo da liderança passa por dar o exemplo à organização.“É um enorme desafio e às vezes corre mal, mas temos de ter a humildade de reconhecer os nossos erros, ninguém é perfeito”, assegura.

Leia também: Growin Innovation. Este produto é a sua cara. E não é por acaso

A MSD está presente no mercado nacional há 45 anos e conta com 314 colaboradores, com uma média de tempo de serviço de 13 anos. O lema é claro e objetivo: “Máxima liberdade com máxima responsabilidade. Só desta forma é que as pessoas crescem. Não somos uma empresa paternalista nem maternalista, damos responsabilidade às pessoas”, indica o diretor.

Vítor faz parte da farmacêutica especialista em investigação e cuidados de saúde há 29 anos. Sabe bem com que linhas se cose a estrutura da sua empresa e a responsabilidade que tem de estar presente em ambas as partes. De cima vem o exemplo e a equipa deve seguir o modelo. “A primeira coisa que um colaborar nosso tem de ter é integridade, porque trabalha numa indústria e numa empresa com padrões de integridade e de ética altíssimos, numa indústria que trabalha com a vida das pessoas. Lealdade, confiança e respeito. E em cima destes pilares vem o resto. Nós queremos ser os melhores e por isso queremos ter os melhores”, clarifica.

Susana Pereira não tem dúvidas de qual deve ser a postura de quem manda.“Tem de haver um lado humano. O mínimo que a empresa pode fazer é dar as condições aos colaboradores para que sejam felizes”. conclui.

 

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