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Trabalhadores rejeitam transferência para nova empresa da Altice

Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal
Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal

Meo Serviços Técnicos deverá receber 2 mil trabalhadores da DOI da Meo através de uma cedência ocasional. Trabalhadores estão a rejeitar a proposta

Os trabalhadores da Direção Operacional (DOI) do Meo estão a rejeitar a passagem para a nova empresa criada pela Altice, a Meo Serviços Técnicos (MST), para a qual deverão ser transferidos os cerca de dois mil trabalhadores que asseguram o funcionamento das redes e infraestruturas, apurou o Dinheiro Vivo. “A criação da empresa MST é estruturante para a Altice Portugal”, diz fonte oficial da operadora, garantindo que a “criação desta nova empresa não tem afetado o normal relacionamento com os trabalhadores”.

Em abril foi conhecida a intenção de criar a MST (que vai também absorver as empresas do grupo TNord e a SudTel), através da qual a Altice Portugal tem ambição de prestar serviços a empresas externas, e para a qual os trabalhadores da DOI serão transferidos através de um mecanismo de cedência ocasional.

Plenários pelo país

Previsto no Acordo de Empresa (ACT), a cedência ocasional permite que a empresa ceda um colaborador a uma outra empresa por um período de até 20 anos. Apesar de ser um procedimento em prática na operadora desde os anos 80 (tendo sido transferidos milhares de trabalhadores para várias empresas do universo PT, a última das quais em 2011), de ser um processo voluntário, de não implicar a perda de benefícios ou condições salariais, e de existir a possibilidade de regresso, os trabalhadores estão a rejeitar a proposta.

“Temos feito vários plenários e a vontade inequívoca é que não haja a passagem para a nova empresa”, adianta Jorge Félix, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do grupo Altice Portugal (STPT). Até ao momento já foram ouvidos cerca de 400 trabalhadores de Setúbal, Grande Lisboa, Alentejo e Madeira. “Estão a levantar sérias dúvidas. Há um receio à mudança e uma falta de confiança face a uma série de medidas que a empresa tomou em certas situações no passado”, diz Jorge Félix.

“A empresa tem dado garantias. Primeiro, que o trabalhador não é obrigado a ir, que enquanto estiver cedido não perde benefícios ou garantias, nem em termos salariais nem em tempo de trabalho, havendo direito a aumentos caso os mesmos ocorram na Meo SA”, descreve o sindicalista.

Garantias que, ainda assim, não estão a convencer os trabalhadores que maioritariamente estão a rejeitar a cedência ocasional nos plenários organizados pelos sindicatos. “Não acreditam na bondade da decisão, não percebem a necessidade de criar uma empresa autónoma para cumprir os objetivos de eficácia e melhoria da prestação de serviços invocada pela Altice e de servir empresas externas a nível do grupo e fora do grupo”, continua. Receiam ainda que em caso de regresso, ou de não aceitação da cedência, que não sejam integrados em funções similares, pois a MST irá assegurar os serviços da DOI.

Algarve, Porto, Coimbra, Minho e Açores são as próximas zonas do país em que os vários sindicatos vão realizar plenários para ouvir a posição dos trabalhadores. “Vamos tentar que até meados de julho se façam todos os plenários”, diz Jorge Félix. “A empresa quer uma decisão até ao final do ano”.

Processo concluído até dezembro

A manter-se esta posição de rejeição dos trabalhadores à cedência ocasional, os serviços de rede continuarão a ser prestados pela DOI?

Questionada pelo Dinheiro Vivo sobre se dará continuidade à Meo Serviços Técnicos por outra via se os trabalhadores rejeitarem a cedência, fonte oficial da operadora afirmou que “a criação da empresa Meo Serviços Técnicos é estruturante para a Altice Portugal. As diretrizes sempre apontaram para a execução deste projeto durante o decurso de 2019, pelo que tudo tem sido executado de acordo com o planeado”.

A mesma fonte garantiu que “a criação desta nova empresa não tem afetado o normal relacionamento com os trabalhadores, as suas estruturas representativas e, por outro lado, este projeto tem permitido estabelecer um ambiente de diálogo ainda mais próximo entre administração e os trabalhadores, o que se tem revelado essencial e crucialmente construtivo na afinação da estratégia operacional da empresa o que, certamente, solidificará a senda publicamente visível de crescimento em diferentes áreas do mercado”.

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