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TransferWise: “Foi central para nós construir um negócio sustentável”

Taavet Hinrikus é um dos fundadores da fintech TransferWise, que tem uma plataforma que permite a transferência de dinheiro. Foto: TransferWise.
Taavet Hinrikus é um dos fundadores da fintech TransferWise, que tem uma plataforma que permite a transferência de dinheiro. Foto: TransferWise.

A TransferWise, uma plataforma que permite a transferência de dinheiro, está apostada em crescer o segmento de negócio dedicado às empresas.

É a fintech mais valiosa da Europa: a ronda de financiamento de mais de 261 milhões de euros anunciada recentemente conferiu-lhe esse estatuto. Mas a história da TransferWise, que nasceu pela mão de dois estónios e que tem sede em Londres, não se resume a isto. É uma empresa considerada como unicórnio (avaliada em mil milhões de dólares ou mais), que dá lucro, com escritórios espalhados por vários pontos do globo. Uma das chaves para este retrato, explica ao Dinheiro Vivo Taavet Hinrikus, um dos fundadores, é a eficiência e a vontade de fazer mais com menos.

Para perceber a história da TransferWise é preciso recuar no tempo alguns anos. Taavet Hinrikus foi o primeiro funcionário a ser contratado pelo Skype (a primeira empresa da Estónia a ser considerada um unicórnio), auferindo o seu salário em euros. Mas vivia em Londres e precisava de libras. Kristo Käärmann tinha o problema oposto: recebia o salário em libras, mas precisava de enviar dinheiro para a Estónia.

Ambos recorriam aos bancos para tratar da transferência de verbas até que, um dia, resolveram tratar o assunto de uma outra forma. Hinrikus depositava o seu dinheiro – em euros – na conta de Kristo Käärmann na Estónia, e Käärmann fazia o mesmo mas para a conta de Taavet Hinrikus num banco britânico. O resultado era que o dinheiro ficava disponível rapidamente e os custos associados eram bem mais baixos.

Perceberam que esta solução poderia ser vantajosa para outros e daí ao lançamento da empresa foi apenas um passo. Nascida em 2011, o modelo da TransferWise passa por juntar uma pessoa que está a transferir dinheiro para um local com pessoas que estão a fazê-lo em outra direção. Assim, a plataforma consegue cobrar taxas mais baixas que os outros meios de transferência de dinheiro.

A fintech é atualmente uma das empresas deste setor mais valiosa e que dá lucro. Não é algo muito comum. Qual a receita para isso? “É algo que está relacionado com a nossa herança de tentar alcançar muito com pouco. Levantar a primeira ronda de financiamento foi difícil mas depois foi bastante simples. Tomámos consciência que a única maneira manter o controlo sobre o nosso destino é não ter de angariar capital. Para isso, tens de construir um negócio que seja sustentável. Isso foi central para nós desde o início. É desta maneira que trabalhamos: garantir que construímos as coisas de uma forma que sejam sustentáveis. Na verdade, tornámo-nos lucrativos mais cedo do que esperávamos”, responde ao Dinheiro Vivo Taavet Hinrikus.

As contas auditadas para o ano fiscal que terminou em março de 2018 mostram um crescimento de 77% das receitas para 117 milhões de libras (mais de 133 milhões de euros) e um resultado líquido após impostos de 6,2 milhões de libras (mais de 7 milhões de euros).

Do ponto de vista tecnológico, o co-fundador e atual Chairman (deixou o cargo de CEO em 2017 que foi assumido por Kristo Käärmann) explica que a empresa está empenhada em fazer “crescer o nosso negócio para soluções para PME, que é provavelmente a coisa com o crescimento mais rápido que temos e que continua a precisar de muito trabalho”. Além disso, a TransferWise está “a trabalhar com vários bancos por isso anunciamos [uma parceria com] o segundo maior banco em França [Grupo BPCE]” em junho do ano passado.

A TransferWise tem 12 escritórios espalhados pelo mundo, empregando 1.600 pessoas. Pretendem recrutar 750 pessoas nos próximos 12 meses. E esse é um dos principais desafios que a empresa enfrenta atualmente: captar talento. “Crescer uma equipa garantindo que continuamos fieis às nossas raízes e manter a cultura e a forma de trabalhar” é difícil. A fintech não tem planos para abrir, pelo menos para já, escritório em Portugal.

Quanto ao futuro das fintech, Taavet Hinrikus acredita que nos próximos “três ou quatro anos vamos ver sobretudo mais do mesmo”. A diferença, aponta, será sobretudo ao nível da presença no mercado que vão ter. “A TransferWise, no Reino Unido, tem uma quota de mercado 15%, isso é muito bom, mas não temos em mais nenhum país ainda. Mas também não há nenhuma outra fintech no mundo que tenha uma quota de mercado” desse nível.

* Jornalista viajou para a Estónia a convite da e-Estonia Briefing Centre, do Startup Leaders Club, da Start-up Estonia, e do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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