Três empresas disputam primeira refinaria que a brasileira Petrobras quer vender

“A empresa recebeu propostas com valores próximos, por isso fará uma nova rodada para receber propostas vinculantes”, indicou a petrolífera.

As companhias brasileiras Ultrapar e Raízen e a chinesa Sinopec disputam o controlo da primeira das oito refinarias que a petrolífera Petrobras pretende vender no âmbito do seu milionário plano de desinvestimentos, informaram fontes oficiais.

“A empresa recebeu propostas com valores próximos, por isso fará uma nova rodada para receber propostas vinculantes”, indicou a petrolífera estatal, em comunicado.

O ativo em disputa é a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada no estado do Paraná, com capacidade para processar 208 mil barris de petróleo por dia (9% da capacidade total de refinamento do Brasil), e que conta ainda com cinco terminais de armazenamento e 474 quilómetros de oleodutos.

A Petrobras colocou à venda oito de suas 13 refinarias, responsáveis por cerca de metade de sua capacidade de processamento, como parte de um plano de desinvestimento com o qual pretende reduzir sua dívida milionária e focar-se nos ativos de produção de petróleo.

Entre os interessados na Repar, destaca-se a chinesa Petroleum&Chemical Corporation (Sinopec), que atua no país por intermédio da Repsol Sinopec Brasil, empresa com participação do grupo espanhol Repsol, e que tem investimentos significativos em blocos de produção em águas profundas brasileiras.

As outras partes interessadas são duas grandes distribuidoras de combustíveis do Brasil, começando pela Ultrapar, líder no mercado de distribuição de gás liquefeito de petróleo e a segunda maior distribuidora de combustíveis com a rede Ipiranga.

Já a Raízen é uma associação de risco compartilhado, que une os negócios de distribuição no Brasil da multinacional Shell e do grupo brasileiro Cosan, um dos maiores produtores mundiais de açúcar e etanol de cana.

No mesmo comunicado, a Petrobras, empresa controlada pelo Estado mas com ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo, Nova Iorque e Madrid, esclareceu que a sua administração aprovou a 09 de julho o início das negociações para a venda também da Refinaria Laudulpho Alves (RLAM).

A RLAM, localizada no estado da Bahia, tem capacidade de processamento de 333 mil barris de petróleo por dia (14% da capacidade total de refino de petróleo do Brasil), e os seus ativos incluem quatro terminais de armazenamento e um conjunto de oleodutos num total de 669 quilómetros.

Embora a empresa não tenha divulgado interessados na RLAM, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, anunciou numa recente conferência de imprensa que a companhia está a discutir os detalhes do negócio com o fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, frisando que foi a empresa que apresentou a melhor oferta.

Em novembro, quando lançou o processo de venda de quatro das oito refinarias incluídas no plano de desinvestimento, a estatal esclareceu que não vai abrir licitação, mas negociar diretamente com as empresas que manifestarem interesse e apresentarem a melhor oferta.

A primeira fase de vendas inclui também a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e a Refinaria Gabriel Passos (Regap).

A Rnest, localizada em Pernambuco, tem uma capacidade de processamento de 130 mil barris de petróleo por dia (5% da capacidade total de refino do Brasil), e os seus ativos incluem um terminal de armazenamento e um conjunto de oleodutos num total de 101 quilómetros.

Já a Regap, fixada no estado do Rio Grande do Sul, tem capacidade para processar 208 mil barris diários (9% da capacidade total de refino de petróleo do Brasil), e os seus ativos incluem dois terminais de armazenamento e um conjunto de oleodutos ao longo de 260 quilómetros.

A petrolífera brasileira está há vários anos imersa num ambicioso programa de venda de ativos com o objetivo de reverter a severa crise económica em que se viu envolvida devido a escândalos de corrupção e à queda dos preços do petróleo.

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