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Trimestre amargo: Apple apresenta piores resultados dos últimos 13 anos

Tim Cook, CEO da Apple.
REUTERS/Stephen Lam
Tim Cook, CEO da Apple. REUTERS/Stephen Lam

Pela primeira vez na história, as vendas homólogas do iPhone caíram no segundo trimestre fiscal. Mas não foi o único problema da marca da maçã.

Foi um terrível, horrível, nada bom, péssimo trimestre para a Apple. Nem as previsões mais cautelosas dos analistas eram tão más quanto os números que a empresa divulgou ontem, depois do fecho do mercado em Nova Iorque. A gigante tecnológica reportou uma quebra histórica no segundo trimestre fiscal, findo a 26 de março, que levou todos os segmentos a eito. Desde o iPhone ao iPad, ao Mac e ao Watch. A reação de Wall Street após a divulgação dos números também foi tremenda – as ações estiveram a cair mais de 8% nas trocas fora de horas.

As receitas derraparam 13% para 45 mil milhões de euros, em relação ao mesmo trimestre de 2015, e os lucros recuaram 22% para 9,33 mil milhões. A Apple vendeu 51,1 milhões de iPhones, menos 16% que no ano anterior (foi a primeira vez que registou uma queda das vendas do smartphone), e 10,2 milhões de iPads, menos 19%. Até os computadores Mac se portaram mal este trimestre, depois de terem estado em contra-ciclo com o mercado durante o ano passado – 4 milhões de unidades vendidas representaram uma contração de 12%.

Na categoria “Outros”, onde se inclui o Apple Watch, a quebra de receitas foi impressionante, 50% para 2,5 mil milhões de euros.

O que é que justifica tal performance? O CEO Tim Cook e o diretor financeiro Luca Maestri deram várias explicações na conferência com analistas, que se seguiu à apresentação de resultados.

Na categoria “Outros”, onde se inclui o Apple Watch, a quebra de receitas foi impressionante, 50% para 2,5 mil milhões de euros.

Cook explicou que este foi um trimestre “muito atarefado e desafiante” e tentou dar um tom positivo ao cenário que a empresa tem pela frente este ano. “Apesar da pausa no crescimento, os resultados refletem a excelente execução da nossa equipa perante os problemas macroeconómicos que continuam em grande parte do mundo, e uma comparação difícil com o mesmo período do ano passado”, referiu o executivo. Para pôr isto em contexto, a Apple teve em 2015 o melhor segundo trimestre fiscal de sempre, com um crescimento da venda de iPhones na ordem dos 40% devido ao sucesso dos modelos 6 e 6 Plus; Cook argumentou que seria muito difícil não cair em relação a um trimestre tão extraordinário.

Leia mais: Os dias exóticos da Apple

Por outro lado, o dólar continua a fortalecer-se e isso prejudica as contas da empresa, que faz a maior parte das vendas fora dos Estados Unidos. Ainda assim, disse o executivo, houve alguns sinais positivos. “Adicionámos o maior número de sempre de clientes que mudaram de Android para iPhone e de pessoas que nunca tinham tido um Mac”, revelou.

O único número positivo deste relatório foi a subida de 20% nas receitas de serviços, onde se incluem itens como a loja iTunes, a App Store e o serviço de streaming Apple Music. Esta é já a segunda área mais valiosa nas receitas da empresa, tendo trazido 5,2 mil milhões de euros. Cook revelou que a App Store deu um salto de 35% e que o Apple Music já tem 13 milhões de utilizadores pagantes – está claramente no encalço do Spotify, que tinha 20 milhões na última vez que atualizou dados. “O nosso negócio de música estava em declínio e agora chegámos a um ponto de inflexão. Acreditamos que podemos começar a crescer outra vez”, afirmou Luca Maestri. O executivo explicou ainda que a empresa irá aumentar em 10% os dividendos trimestrais, que serão de 57 cêntimos por ação, pagáveis a 12 de maio.

Leia mais: Aos 40 anos, esta é a terceira vaga

Todavia, é preocupante a perspetiva que o diretor financeiro deu para o terceiro trimestre fiscal, que corresponde termina a 27 de junho. Maestri espera uma “queda sazonal” do iPhone e do iPad e uma subida dos Macs. Isso quer dizer que a Apple não espera que o novo iPhone SE tenha impacto suficiente para colmatar a desaceleração que o mercado de smartphones está a sofrer (tanto a IDC como a Gartner preveem um crescimento a um dígito este ano, pela primeira vez). Mas como é um modelo mais barato, a marca antecipa uma descida do preço médio de venda, que neste trimestre se situou em 642 dólares. “Estamos otimistas”, frisou Cook. Já o mercado? Nem por isso.

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