"Triplicámos o orçamento para apoios desde o início da crise”

Inês Oom de Sousa, administradora executiva do Santander, revela que o banco vai criar fundo para projetos de impacto social ligados à covid.

Iniciativas do Santander Portugal no combate à covid já somam mais de 3,2 milhões de euros. O valor foi alocado à compra de ventiladores, material hospitalar e de proteção, campanhas solidárias ligadas ao Banco Alimentar, à Cruz Vermelha e outras associações que estão no terreno, mas também apoios ao ensino superior. Além de participar no projeto de doação de ventiladores pulmonares ao SNS, associou-se à Resposta Global ao COVID19 - Conferência de Doadores, organizada pela Comissão Europeia para reunir esforços de governos, empresários, fundações e cidadãos na recolha de 7,5 mil milhões para acelerar o desenvolvimento, produção e acesso equitativo a vacinas, diagnósticos e tratamentos. A participação portuguesa é de 10 milhões: 1,55 milhões doados pelo governo e o resto por privados, entre eles o Santander, que contribuiu com 500 mil euros.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Inês Oom de Sousa, administradora executiva do Santander, explica como foi reforçada a área de responsabilidade social neste contexto de pandemia, para dar resposta mais alargada a quem precisa.

O grupo Santander reuniu já 100 milhões para o combate à covid-19. Para que serão usados?

Os fundos reunidos no grupo serão usados para a compra de equipamentos médicos e apoiar a investigação do vírus em colaboração com as universidades e outros organismos. Começámos a perceber que o impacto desta crise ia ser muito forte e percebemos muito cedo que tínhamos de atuar rapidamente no apoio à sociedade em várias vertentes para chegar rapidamente às famílias mais vulneráveis. A verdade é que a história do Santander no apoio à comunidade é já longa. Estas iniciativas do Santander Portugal inserem-se na sua política de Banca Responsável, através das quais a instituição procura desenvolver projetos de apoio à comunidade, sendo neste caso focados em iniciativas destinadas a combater o coronavírus. Nos últimos 7 anos, investimos quase 50 milhões de euros no apoio à sociedade. Faz parte da nossa missão este contacto de proximidade com várias instituições de solidariedade social e também com as universidades. Sabemos que podemos ter impacto positivo junto destas áreas que, na sua maioria, acolhem projetos muito enriquecedores e que precisam de apoio da sociedade civil. Este nosso envolvimento tem atraído o voluntariado dentro de casa. São já 475 voluntários que participam, e que equivale a 3.895 horas. E isto é algo que me deixa muito orgulhosa. Sentir que muitos colaboradores se envolvem de coração. Em 2019, apoiámos 336 associações, em causas ligadas à educação, proteção de menores, saúde, incapacidade, inclusão social e cuidado a idosos, com um impacto direto em 28.649 pessoas. A nossa presidente Ana Botín costuma afirmar que “o desenvolvimento económico e social anda lado a lado. O valor que criamos deve traduzir-se em benefício de todos”.

Sabemos que do montante disponibilizado, um quarto vem da retribuição da presidente Ana Botín (que prescindiu de 50% dos seus rendimentos) e dos administradores do grupo. Os quadros gestores de Portugal estão incluídos nesse esforço?

O valor do fundo também incorpora novas contribuições dos países através de doações voluntárias dos colaboradores e de terceiros, assim como dos fundos alocados diretamente pelas filiais do Grupo. Em Portugal, lançámos também um Fundo Santander Solidário, uma iniciativa interna, através da qual todos os colaboradores puderam participar na angariação de verbas para apoiar as instituições que estão no terreno a garantir o acesso à alimentação a pessoas e famílias vulneráveis em tempos de Covid-19. O valor angariado está já em 80 mil euros.

Leia também: Santander põe 100 milhões na luta contra a covid

Que percentagem dos resultados do banco é normalmente adjudicada a esta área e em quanto foi reforçada?

Desde o início da crise, triplicámos o valor do orçamento de responsabilidade social nos donativos a instituições.

Em Portugal, há muitas iniciativas neste combate à pandemia e aos seus efeitos, somando mais de 3,2 milhões de euros. Em que áreas se distribuem e como se financiam?

O valor foi alocado à compra de ventiladores, material hospitalar e de proteção, a campanhas solidárias ligadas ao Banco Alimentar, à Cruz Vermelha e outras associações que estão no terreno, passando também, no âmbito das universidades e politécnicos, por apoios financeiros e tecnológicos aos estudantes em situação económica mais vulnerável e a projetos na área da Saúde que possam impactar diretamente na solução da pandemia. O Santander será uma das grandes empresas a participar no projeto de doação de ventiladores pulmonares ao Serviço Nacional de Saúde, a instalar nos cuidados intensivos de várias unidades hospitalares. E, dentro dos nossos apoios, destaco algumas iniciativas, como o apoio ao Tech4Covid19, para o qual contribuímos com 50 mil euros, para adquirir 50 mil máscaras, a participação na iniciativa da Associação Portuguesa de Bancos para doação ao Serviço Nacional de Saúde de 100 ventiladores e 100 monitores, o apoio à Região Autónoma dos Açores com equipamento para realizar testes de despiste da Covid-19, o lançamento do já referido Fundo Santander Solidário e as campanhas solidárias “SOS Coronavírus”, “Nunca Desistir” – cuja angariação de fundos superou os 620 mil euros. No apoio às universidades, gostaria de destacar que, a partir de setembro, serão atribuídas mil bolsas de apoio social e, na área da Saúde, as verbas do Santander permitirão às universidades e politécnicos intensificar um papel muito importante no combate a Covid-19 para o qual estão a ser chamados, adaptando os seus laboratórios para a produção de testes e utilizando impressoras 3D para a produção de equipamento de proteção para o pessoal de saúde que tanto escasseiam no mercado. Algumas destas instituições arrancaram já com iniciativas relevantes, como a disponibilização das suas infraestruturas para acolhimento de doentes, alojamento para funcionários de saúde em residências universitárias, entre outros. Por exemplo, com o nosso apoio, a Universidade de Évora criou um fundo solidário de 200 mil euros e, por outro lado, a Universidade de Trás-os-Montes instalou um Centro de Acolhimento Temporário para acomodar os idosos provenientes de lares afetados pela pandemia. Ao todo, o edifício poderá receber 150 pessoas. O Instituto Politécnico de Setúbal também está na linha da frente ao disponibilizar equipamentos para a realização de testes, produção de viseiras e álcool gel, entre outras iniciativas. Mas estou convencida que vão surgir muitos projetos interessantes durante esta crise.

Acredita que os bancos - e o Santander em particular pela sua relevância e resultados - têm o dever de, de certa forma, devolver à sociedade?

Uma preocupação que nós temos é exatamente o que podemos devolver à sociedade, o apoio que podemos dar para contribuir para ajudar os mais desfavorecidos e os que estão a sofrer mais com as consequências económicas e sociais da pandemia. Neste contexto, temos uma grande iniciativa para apoiar as pessoas mais vulneráveis: estamos a apoiar a distribuição de alimentos, de refeições, às pessoas que contavam com a distribuição de restaurantes e IPSS – e que neste momento não podem contar com essa ajuda. Temos campanhas para angariar fundos nesse sentido e distribuir pelas várias IPSS do continente, Açores e Madeira. Criámos um fundo solidário, com o mesmo fim, em que os colaboradores do Santander participam com o valor que entendam por bem – e o banco duplica todos os montantes entregues. Temos levado a cabo diversas campanhas semelhantes ao longo dos anos, mas esta é de longe a que teve maior sucesso, não só no número de participações como nos montantes alcançados.

O grupo é particularmente ativo na ligação às universidades. Esta área faz mais sentido neste momento?

É uma excelente pergunta com uma resposta clara: faz ainda mais sentido nestes tempos que correm. Temos vindo a sentir uma necessidade clara das universidades e dos universitários, mas também da sociedade em geral. Nós trabalhamos com as universidades no sentido de potenciar a proximidade que têm com os estudantes, não há quem melhor conheça as suas necessidades. Por isso mesmo, no âmbito dos programas de mecenato que já existiam entre o Santander Portugal e as Universidades, as várias instituições estão a utilizar fundos e verbas do banco para apoio direto aos estudantes que sentem, naturalmente, os efeitos económicos e sociais desta pandemia. Respondemos de acordo com as principais necessidades. O Santander é a empresa privada que mais apoia o Ensino Superior no mundo. Criámos uma rede única de universidades em todo o mundo, através da qual apoiamos a educação, o empreendedorismo e a empregabilidade, já que estas são as bases de um crescimento inclusivo e sustentável.

Que iniciativas considera mais importantes ou capazes de fazer a diferença?

Muitas das iniciativas que estamos a promover agora, ligadas à Covid-19, são ações que com certeza vão marcar a diferença. Por outro lado, o Santander vai criar um fundo para atribuição imediata a fim de acelerar projetos de impacto social ligados à Covid-19, que estejam a ser desenvolvidos por voluntários universitários.

Há outras iniciativas que destaque neste período e no pós-pandemia, quando as famílias e as empresas mais vão precisar de ajuda?

Tal como nos momentos difíceis do passado e do presente, estaremos sempre ao lado dos nossos clientes, avaliando e aplicando novas medidas que se venham a tornar necessárias. O Santander tem um conjunto de medidas para oferecer condições excecionais para a regularização e redução dos encargos mensais dos portugueses. Sabemos bem os momentos difíceis por que passam e queremos estar ao lado das famílias e das empresas na resolução dos seus problemas. Queremos fazer parte da solução para as mais de 250 mil famílias que sempre confiaram em nós e têm o seu crédito à habitação no Banco Santander. Por isso mesmo, têm a possibilidade de solicitarem online, de uma forma simples e prática, a renegociação dos seus créditos, com a carência imediata de amortização de capital durante 6 meses, por exemplo. Por outro lado, estamos na linha da frente na dinamização junto das empresas nacionais dos mais de €6 mil milhões de linhas de apoio anunciadas pelo Estado português. E estas são apenas algumas das iniciativas.

Os restantes projetos de responsabilidade social vão manter-se?

Mantemos os que fazem sentido, privilegiando causas sociais. Colaboramos em Portugal com 50 instituições do Ensino Superior e investimos anualmente, em média, 7 milhões na responsabilidade social corporativa.

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