Entrevista a Caldeira Cabral

Triumph. “Há esperança, penso que é possível, mas não é fácil”

Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA
Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

"Estamos de facto, ativamente, à procura de investidores que possam pegar na empresa", diz o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

Os trabalhadores da antiga fábrica de roupa Triumph estão em protesto contra o plano de despedimento coletivo movido pela dona e administradora da empresa, a TGI-Gramax.

Escreve a Lusa que a fábrica de roupa interior feminina, sedeada na freguesia de Sacavém, concelho de Loures, foi adquirida no início de 2017 pela TGI-Gramax e emprega, atualmente, 463 trabalhadores. Essa operação foi como que apadrinhada pelo atual ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

No entanto, em novembro, a administração da empresa comunicou aos trabalhadores que iria ocorrer um processo de reestruturação, que prevê o despedimento de 150 pessoas.

Na quinta-feira, um grupo de trabalhadores e trabalhadoras manifestaram-se à porta do edifício onde decorria o conselho de ministros. Entregaram uma peça de lingerie ao governo, em sinal de protesto, em jeito de pedido de ajuda.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o ministro da Economia fala sobre a situação.

Como analisa a situação precária da antiga fábrica da Triumph e dos seus trabalhadores?

O que posso dizer sobre a Triumph é que quando entramos para o governo a empresa pediu-nos uma audiência e declarou que já estava num processo de encerramento em Portugal. O nosso trabalho foi no sentido de convencer a empresa a não fechar, procurar em Portugal investidores e dada a sua dimensão era um processo difícil esse de encontrar investidores entre as empresas portuguesas que pudessem assumir este negócio, com esta dimensão.

Quando diz dimensão…

Em termos de número de trabalhadores, do volume de capitais que a empresa exigia. A Triumph encontrou investidores internacionais que tentaram e que pareciam trazer uma solução no sentido de obter novas encomendas, criar uma área comercial. A empresa era monocliente, não tinha sequer essa área.

E falharam.

Penso que esses investidores não conseguiram ser tão rápidos a encontrar mercado, a conseguir financiamento, não conseguiram de facto ter sucesso e neste momento há um problema social, dos trabalhadores, como os quais me solidarizo.

Continuam a tentar resolver o problema?

A secretária de Estado da Indústria recebeu aqui os trabalhadores no Ministério da Economia. Estamos a acompanhar a situação e estamos de facto, ativamente, à procura de investidores que possam pegar na empresa porque pensamos que seria mais interessante salvar a operação e os empregos do que ver fechar uma empresa já com 50 anos.

E então? Está otimista ou pessimista quanto ao desfecho?

Há esperança e penso que é possível, mas não é fácil. É um trabalho que temos de fazer com discrição.

E há interessados em investir ou recuperar a empresa ou não?

Há possíveis interessados que estão a estudar o dossiê e a estudar a possibilidade de assumir a empresa. Mas, como digo, não é um processo fácil dada a dimensão da empresa e porque tem de se esclarecer com o investidor anterior como é que se faz essa transição, se é sequer possível. Nesse sentido trabalhamos em conjunto e articulando com o presidente da Câmara [Bernardino Soares, do PCP] e penso que ele tem também um empenho muito grande em que se consiga encontrar uma solução. Mas é uma empresa privada que está numa situação complicada, de facto.

A empresa tem problemas de dívida?

O problema da empresa não é a dívida, é a sua dimensão, são problemas de financiamento.

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