Turismo arranca 2021 com forte quebra. 50% do alojamento turístico encerrado

No primeiro mês de 2021, a atividade turística em Portugal agravou a contração. Quebra nos hóspedes e dormidas na casa dos 80%.

Ao contrário do que aconteceu em janeiro de 2020, em que a atividade turística tinha crescido face ao ano anterior, o arranque de 2021 foi marcado por uma forte quebra. Os dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o alojamento turístico captou 308,4 mil hóspedes, o que representa uma queda de 78,3% face ao mesmo mês do ano passado. Destes mais de 300 mil hóspedes, a maioria era residente em território nacional: 227,8 mil.

Olhando para as dormidas, a quebra é igualmente significativa. As unidades de alojamento para turistas registaram 709,9 mil dormidas, uma descida de 78,2% face ao período homólogo. As dormidas de residentes foram 427 mil, de acordo com os dados do gabinete de estatística, o que reflete um decréscimo de 60,3%.

O setor do turismo é um dos mais afetados pela crise gerada pela pandemia. Portugal voltou a entrar em confinamento geral a 15 de janeiro, estando assim, nomeadamente, as deslocações para fora dos concelhos proibidas aos fins de semana. Além disso, Portugal era um destino fortemente dependente dos visitantes estrangeiros até à pandemia. Com as restrições aplicadas um pouco por toda a Europa, os principais mercados emissores de turistas para Portugal, a quebra do setor tem sido elevada.

O INE indica que "em janeiro, 54,0% dos estabelecimentos de alojamento turístico estiveram encerrados ou não registaram movimento de hóspedes (52,3% em dezembro)".

O turismo em Portugal, depois do boom que viveu até 2019, teve um dos seus piores anos em 2020. Vários players do setor acreditam que o primeiro trimestre deste ano estará perdido. E apenas no verão poderá iniciar-se a retoma da atividade, embora longe dos níveis pré-pandémicos.

A atividade turística é um dos pilares de várias economias europeias. Com o setor a sentir na pele o contágio do vírus, os líderes europeus debatem meios para tentar que, nos próximos meses, as viagens sejam mais frequentes. Nesta segunda-feira, os ministros do Turismo da Europa debatem os planos para a harmonização de regras para as viagens, nomeadamente através do uso de um certificado de vacinação, adiantou a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, à Lusa.

"Esse tema tem vindo a ser discutido no âmbito da Comissão e da Presidência portuguesa", referiu, questionada sobre a matéria. "Mais do que um passaporte de vacinação o que tem vindo a ser falado é um certificado de vacinação, de modo a garantir que qualquer um de nós possa viajar em segurança, estando vacinado, ou podendo evidenciar que está imune à doença porque já teve contacto com ela, ou então que tem um teste negativo", referiu, acrescentando que o "objetivo é harmonizar tanto quanto possível as regras para aqueles que querem viajar, estando vacinados ou não. Estando imunes ou tendo um teste negativo".

Além disso, e para tentar minimizar os efeitos negativos no setor do turismo, o governo tem desbloqueado vários apoios. Ainda neste fim de semana, Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, em entrevista ao Diário de Notícias, avançava um alargamento e reforço do programa Apoiar - que abrange nomeadamente o turismo -, cujas verbas para novas candidaturas foram declaradas esgotadas no início de fevereiro, exceto nos apoios a rendas e empresários em nome individual sem contabilidade organizada com trabalhadores a cargo. Será também neste mês que serão lançados o apoio prometido para suporte de parte dos custos acrescidos com contribuições sociais devido ao aumento do salário mínimo.

O governante adiantou ainda que o programa Apoiar passará a contemplar ajudas para uma diversidade maior de empresas, sendo igualmente reforçados os montantes face ao prolongamento das medidas de confinamento em vigor.

"Temos uma situação difícil para essas empresas que estão em quebra que é, digamos assim, ver como é que ajudamos um pouco mais nestes meses, mais prolongados, de redução da atividade. Queremos reforçar o programa Apoiar, quer abrindo algumas situações que, nesta altura, estão excluídas do acesso quer reforçando, digamos assim, os montantes em função deste período adicional de dificuldades que temos", refere Siza Vieira na entrevista.

Notícia atualizada pela última vez às 11h35

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