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Turismo e Metro afastam operários das oficinas da EMEF em Lisboa

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos. (ANTÓNIO COTRIM/LUSA)
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos. (ANTÓNIO COTRIM/LUSA)

Ministro das Infraestruturas foi questionado sobre as dificuldades de contratação de funcionários para empresa de manutenção de material de comboios.

É mais difícil contratar operários para as oficinas de material circulante da EMEF da Lisboa do que no Norte do país. Esta situação foi assumida esta terça-feira pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, durante uma audição parlamentar sobre o sector ferroviário. O governante voltou a falar sobre o plano de investimento de 45 milhões de euros na recuperação de material circulante e diz ainda que venceu a batalha com o colega das Finanças, Mário Centeno.

“Temos mais dificuldade em contratar em Lisboa por causa da pressão salarial: do setor do turismo, que é de maior instabilidade mas que retira capacidade por causa dos salários mais altos, e do Metro de Lisboa, que tem uma diferença salarial muito grande nos salários de operários de manutenção de material”, referiu Pedro Nuno Santos durante a audição na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

Não é a primeira vez que se fala na dificuldade de contratação de operários para as oficinas da EMEF. Em março, o presidente do conselho de administração da CP – Comboios de Portugal referiu que o nível salarial de entrada na empresa é de 700 euros.

Nos 18 meses, as oficinas da EMEF perderam 150 operários; entraram 102. Este cenário vai mudar porque serão recrutadas 67 pessoas nos próximos meses, recordou Pedro Nuno Santos.

Este acrescento de capacidade será possível com um plano de investimento de 45 milhões de euros na renovação do material circulante. O plano irá abranger a intervenção de 70 unidades – entre automotoras, locomotivas e carruagens – principalmente na oficina de Guifões, no Porto, que será reaberta. Também haverá intervenção de material noutras oficinas da EMEF. O material a ser renovado será conhecido ainda em julho, segundo o ministro.

Batalha com Centeno

Além da contratação de 67 pessoas para a EMEF – e de 120 funcionários para a CP – ficou garantida uma norma de substituição automática de trabalhadores do quadro de pessoal que saírem por vontade própria sem ser necessária uma autorização do Ministério das Finanças.

Estas medidas terão sido possíveis porque “foi possível convencer os colegas das Finanças”, liderados por Mário Centeno. Pedro Nuno Santos recordou que na audição anterior, dia 30 de abril, tinha anunciado que iria “travar uma batalha dentro do Governo para as empresas de transportes iniciarem uma vida nova”.

Aposta no comboio turístico

O ministro das Infraestruturas recordou ainda que “infelizmente, o desinvestimento na CP e na EMEF tem mais de 10 anos” e alegou que as responsabilidades “devem ser partilhadas”, entre PS, PSD e até o CDS-PP. “O país fez uma aposta no automóvel e desinvestiu na ferrovia, que vai exigir muitos anos de investimento, deste e de futuros governos.”

Pedro Nuno Santos reforçou ainda o compromisso do Governo com o transporte ferroviário, “o melhor meio, em termos ambientais e de custos” e que pode ser utilizado “para impedir os carros de entrar nas cidades”.

O comboio também poderá ser utilizado como forma de atrair um novo perfil de visitantes. “Temos um potencial de turismo ferroviário que está muito longe de ser aproveitado. Temos de ter linhas para exploração turística de grande parte do nosso território. Basta pensar nas receitas do turismo ferroviário no centro da Europa.”

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