Turismo

Turismo ferroviário tem potencial em todo o país mas precisa de parcerias

Locomotiva a carvão da CP em testes na linha do Vouga. 
(Maria João Gala /Global Imagens)
Locomotiva a carvão da CP em testes na linha do Vouga. (Maria João Gala /Global Imagens)

O comboio a carvão vai voltar ao Vouga este sábado após 20 anos de ausência. Mas há mais linhas com paisagens para chamar interessados do estrangeiro.

Este sábado, 14 de dezembro, é um dia histórico para os fãs dos comboios (e não só). Um comboio a carvão-vapor vai voltar a circular na linha do Vouga, depois de duas décadas de ausência. É o regresso do turismo ferroviário à única linha em bitola estreita do país. Mas há condições para este tipo de viagens de multiplique um pouco por todo o país – atualmente, esta oferta só existe sazonalmente na região do Douro.

“Este tipo de experiências tem tido muito sucesso na Europa. É de saudar que tenhamos este tipo de viagens em Portugal e que possam ser repetidas com mais regularmente”, destaca António Brancanes, presidente da APAC – Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-Ferro.

No centro e sul do país, também há muito potencial por explorar, segundo António Brancanes. “Se houvesse uma composição histórica a fazer viagens nas linhas de Cascais ou de Sintra, certamente teriam muito sucesso. E na linha do Algarve, os muitos entusiastas ingleses ficaram deliciados com as paisagens, sobretudo perto de Faro”, exemplifica.

Apesar da vantagem na “beleza da paisagem entre Lagos e Vila Real de Santo António”, a região do Algarve afasta ter condições para se lançar nesta nova oferta para os milhões de estrangeiros que visitam o sul do país todos os anos.

“É preciso pensar em três frentes prioritárias para a acessibilidade e mobilidade na região: a eletrificação da linha, que permitirá aumentar a competitividade da via-férrea e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis; a ligação ao aeroporto de Faro; e o acesso a Sevilha, que assim ligaria também o Algarve à rede de alta velocidade que está conectada com o resto da Europa. Só então poderemos ousar falar em turismo ferroviário na região, na estruturação do serviço e no seu financiamento”, sustenta João Fernandes, presidente da região de turismo do Algarve.

No Centro, as condições parecem estar reunidas, “desde logo, porque a sede do Museu Nacional Ferroviário está na região, mais concretamente no Entroncamento. Depois, porque a região dispõe de património industrial ligado à ferrovia que pode integrar um projeto global de experiências turísticas direcionadas a este perfil de viajante. E também oferece a quem a visita paisagens naturais marcantes atravessadas pelas linhas ferroviárias. Trunfos que quem experimentar o comboio a vapor da linha do Vouga vai certamente apreciar. Esta é uma iniciativa que merece o nosso mais vibrante aplauso”, nas palavras de Pedro Machado, presidente da Turismo Centro de Portugal.

A nível financeiro, Pedro Machado nota que “um projeto global de turismo ferroviário não pode ser exclusivo de uma região de turismo” nem pode ser suportado, em exclusivo, pela CP. Para que possa ser um produto turístico completo, o turismo ferroviário deverá mobilizar parcerias público-privadas, com capacidade para rentabilizar serviços, meios e pessoas”.

Este dirigente sugere mesmo uma solução que “poderá passar por uma parceria entre a CP, as regiões de turismo e os agentes privados, com uma estratégia pensada a médio/longo prazo e partilhada por todas as entidades”.

A linha do Alentejo é outra linha com potencial para angariar os adeptos do turismo ferroviário. O líder da APAC lembra mesmo a viagem temática organizada pelo grupo Vila Galé em outubro de 2017 entre a Gare do Oriente e a Herdade da Figueirinha, para a inauguração de um hotel.

Nessa inauguração, Jorge Rebelo de Almeida, o presidente deste grupo hoteleiro frisou a importância de preservar a linha do Alentejo e de promover a ligação direta desta região ao Algarve.

O que vai haver no Vouga?

Na linha do Vouga, serão feitas três viagens de Natal, dias 14, 15 e 21 de dezembro, uma delas reservada aos trabalhadores da CP. Será usada a locomotiva E214, da frota da CP, que funciona exclusivamente a carvão e água e lá dentro têm de estar fogueiros para que a máquina não pare. Esta composição conta com 144 lugares sentados, distribuídos por três carruagens com 48 lugares cada.

Uma carruagem é de 1908 e tem origem belga; outra foi fabricada na Alemanha em 1925; a terceira foi construída em 1913 nas oficinas do Porto dos Caminhos de Ferro do Estado. Esta viagem apenas é possível graças ao apoio da câmara municipal de Águeda e da junta de freguesia de Macinhata do Vouga, que vão proporcionar animação musical e oferta de produtos da região.

A locomotiva a vapor E214, recuperada em 2017, nas oficinas da EMEF, integrou, inicialmente, a série E201 a 216 e foi fabricada pela casa alemã Henschel & Sohn para os caminhos-de-ferro do Minho e Douro, assegurando o serviço na Linha de Trás os Montes, segundo informação divulgada pela CP.

A transportadora acrescenta que duas destas locomotivas foram posteriormente alugadas à Companhia do Vale do Vouga, mantendo-se em circulação e a E214 assegurou o serviço na Linha do Corgo, até 1988. Dotadas de sistema Mallet eram máquinas “compound” de quatro cilindros, todos exteriores e, embora destinadas a comboios de mercadorias, pelo seu grande poder de tração, asseguraram também comboios de passageiros.

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