Automóvel

Turismo low-cost emagrece receitas do rent-a-car

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

São alugados mais carros, mas mais pequenos e baratos. Rent-a-car faturou 700 milhões em 2018, mas a receita média diária é cada vez mais reduzida.

O aluguer de automóveis em Portugal tem crescido nos últimos anos à conta do aumento de turistas. As empresas de rent-a-car registaram no ano passado receitas de 700 milhões de euros, segundo os dados da ARAC, a associação do setor. Só que os estrangeiros estão cada vez mais a alugar carros mais pequenos e baratos, o que torna cada contrato menos rentável. Lisboa, Açores e Porto são as regiões que mais crescem.

“Ao contrário do que acontece na hotelaria, em que a receita média por dia tem subido, no rent-a-car houve uma quebra em 2018. Estamos a receber turismo menos endinheirado e isso nota-se nos alugueres. Isso também acontece por causa das novas formas de alojamento”, adianta Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC, em declarações ao Dinheiro Vivo.

Este cenário tem levado as empresas de rent-a-car a investir cada vez mais. “O aluguer de carros mais pequenos obriga a ter muito mais mão-de-obra, custos administrativos e mais lavagens.” Só que a situação “reduz a margem operacional das empresas”, o que obriga as empresas a manterem uma boa ocupação dos automóveis. “Só assim não haverá problemas de rentabilidade”, avisa. O maior número de alugueres e de carros na frota compensaram a menor receita por contrato.

A indústria de rent-a-car chegou a ter cem mil lugares na garagem nos meses de julho e agosto, mais 25% do que em 2017. Praticamente dois terços (65%) da frota das empresas de rent-a-car são dos segmentos A e B, que correspondem aos carros mais pequenos do mercado.

“Na sua esmagadora maioria são automóveis movidos a gasolina porque não há oferta equiparada de carros a gasóleo.” Com os veículos maiores, o cenário muda. “Continua a haver uma grande procura de carros a gasóleo, sobretudo no segmento C (automóveis compactos). Durante muitos anos, vão conviver veículos a gasóleo e a gasolina com híbridos e elétricos”, sentencia o dirigente, que sublinha os 200 carros elétricos que já estão nas empresas, “sobretudo para uso urbano”.

Até lá, por causa das mudanças nos últimos anos, “vai haver muito mais oferta de carros dos segmentos A e B nos concessionários de usados. Isto é bom para os consumidores. Os carros de rent-a-car acabam por ser aqueles que estão em melhor estado, porque têm manutenção constante após cada aluguer. Estão sempre em perfeitas condições e são recondicionados antes de serem vendidos”.

Açores em destaque
A procura pelo turismo nas principais cidades portuguesas também tem contribuído para o aumento do aluguer de automóveis. Isso explica o crescimento, “de forma clara”, dos contratos em Lisboa e no Porto, segundo Joaquim Robalo de Almeida. Os veículos alugados nestas cidades também são úteis para que os visitantes possam conhecer o interior do país, com escassa oferta de transportes públicos.

Ao mesmo tempo, graças à liberalização do espaço aéreo, o mercado açoriano tem crescido, sobretudo na ilha de São Miguel. “As multinacionais instalaram-se em Ponta Delgada e abriram muitas pequenas empresas de rent-a-car, com frotas de apenas sete automóveis, que se juntam aos operadores locais que já existiam antes.” No resto do país, os mercados da Madeira e do Algarve estabilizaram nos últimos anos.

Ingleses em primeiro
Um carro alugado acaba por ser a única forma de os turistas conseguirem, por exemplo, conhecer o interior do país, com escassa oferta de transportes públicos. Ingleses, franceses, holandeses, irlandeses e alemães são os turistas que mais alugam carros em Portugal.

Ainda não se sabe, por esta altura, em que medida a saída do Reino Unido da União Europeia poderá mudar este cenário. “A existir Brexit, não acredito que os britânicos deixem de fazer turismo. Tudo depende do comportamento da libra. Mas neste momento nem sequer sabemos se eles vão sair da UE. E ainda não será neste ano que esse impacto será sentido.”

As empresas, entretanto, têm procurado diversificar o perfil do turista que aluga carros. “Há cada vez mais norte-americanos e brasileiros. E continuamos a fazer uma promoção eficaz em vários mercados, como Israel.”

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