Turismo: Portugal com 10 milhões de hóspedes em 2020. Proveitos afundam mais de 66%

O ano passado foi marcado por uma quebra acentuada do turismo, como confirmam os dados do INE. As unidades de alojamento tiveram sobretudo com os turistas nacionais, ainda assim os proveitos caíram a pique.

2020 foi um ano atípico para o turismo em Portugal. A pandemia ditou uma travagem a fundo do setor, que viu o número de hóspedes, dormidas e proveitos a afundarem significativamente. As unidades de alojamento turístico contaram com 10,5 milhões de hóspedes no total do ano passado, uma queda de 61,3% face a 2019, de acordo com os dados finais revelados esta segunda-feira, 15 de fevereiro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Ou seja, passaram por estas unidades menos 16,6 milhões de pessoas.

Os principais "ausentes" foram os turistas estrangeiros. Portugal é, há muito, um destino dependente do turismo dos não residentes. Mas no ano passado, as restrições e limitações devido à pandemia, a somar aos receios de viajar, levaram a uma forte quebra no número de viajantes estrangeiros. Os hóspedes não residentes ascenderam a 3,9 milhões em 2020, o que representa uma descida de 75,7%. Em 2019, Portugal tinha recebido 16,4 milhões de turistas estrangeiros, o que significa que no ano passado perdeu 12,5 milhões de hóspedes não residentes.

Os mais de 10 milhões de hóspedes representaram 25,9 milhões de dormidas, o que se traduz num decréscimo de 63% face a 2019. A fatia de leão das dormidas foi protagonizada pelos turistas residentes: 6,5 milhões de hóspedes residentes em Portugal foram responsáveis por 13,6 milhões de dormidas.

"Desde 1993, ano em que se registaram 23,6 milhões de dormidas, que não se observava um número de dormidas tão reduzido como o que se verificou em 2020", diz o gabinete português de estatística.

A queda nos hóspedes e dormidas levou a uma descida a pique nos proveitos das unidades de alojamento para turistas. Os proveitos totais ascenderam a 1,4 mil milhões de euros, muito longe dos quase 4,3 mil milhões de euros registados no ano de 2019. Os proveitos de aposento alcançaram os 1,08 mil milhões de euros, uma queda de 66,3% face ao ano anterior.

"A pandemia COVID-19 teve notoriamente um forte impacto nos resultados anuais. No conjunto dos dois primeiros meses do ano, as dormidas apresentaram um crescimento de 10,8%, resultados que foram parcialmente influenciados por efeitos de calendário: o Carnaval, que em 2020 ocorreu em fevereiro e no ano anterior ocorreu em março, e em 2020 fevereiro teve 29 dias mais um que em 2019. No conjunto dos 10 meses seguintes, registou-se uma diminuição de 70,4% nas dormidas", nota o INE.

No primeiro confinamento, decretado em março de 2020, muitos serviços e comércio tiveram de encerrar. Os hóteis não encerraram por decisão do governo, embora muitos serviços que oferecem - como cabeleireiro, spa, piscinas, espaços para eventos - tivessem de estar de portas fechadas. Ainda assim, a falta de procura ditou o encerreramento de centenas de unidades de alojamento. Uma tendência que diminuiu um pouco no verão mas o aumento das restrições a partir do outono levou a um novo fecho de portas.

"Durante 2020, com exceção de janeiro e fevereiro, a proporção de estabelecimentos encerrados ou que não registaram movimento de hóspedes foi sempre superior à verificada em 2019. Abril e maio foram os meses que registaram maiores proporções (85,0% e 74,1%, que contrastam com 17,9% e 16,3%, respetivamente, em 2019), enquanto em agosto e setembro se registaram os menores valores (22,8% e 25,9%, após 8,4% e 12,6%, respetivamente, em 2019). Desde o início da pandemia COVID-19, os meses em que se verificaram menores decréscimos na proporção de estabelecimentos encerrados ou sem movimento face ao mês homólogo, foram março (-13,1 p.p.), setembro (-13,3 p.p.) e outubro (-13,4 p.p.)", aponta o INE.

Dezembro com quebras de 70%

A pandemia ditou a mudança de muitos hábitos. O mês do Natal foi em 2020 diferente. Apesar do alívio de algumas restrições, o Natal foi passado para muitos em família. Mas os típicos jantares de Natal, e outros eventos associados à quadra, não ocorreram, o que pesou para o turismo. Além disso, na Passagem do Ano, os ajuntamentos de pessoas estavam probidos, o que não permitiu que se organizassem as tradicionais festas de boas vindas ao ano novo, o que para o setor também foi negativo.

Os dados do INE indicam que o setor do alojamento turístico1 registou 459,4 mil hóspedes e 969,8 mil dormidas em dezembro de 2020; isto representam quedas de 70,9% e 72,4%, respetivamente. Os proveitos totais no último mês de 2020 registaram uma descida de 73,7% para 54,0 milhões de euros. Já os proveitos de aposento fixaram-se em 36,3 milhões de euros, diminuindo 74,2%. "Em dezembro, 50,5% dos estabelecimentos de alojamento turístico estiveram encerrados ou não registaram movimento de hóspedes (49,0% em novembro)", acrescenta o gabinente de estatística.

(Notícia atualizada pela última vez às 11h35)

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