Inovação

Turistas fazem disparar vendas de conservas portuguesas

A Loja das Conservas tem um restaurante para promover o consumo deste produto. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens
A Loja das Conservas tem um restaurante para promover o consumo deste produto. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

Com o boom do turismo, as conserveiras reinventaram-se. Novos produtos, características gourmet e uma estética vintage conquistaram os estrangeiros

O interesse dos turistas franceses pelas conservas portuguesas é “tremendo”, mas este produto tradicional – todos os dias mais gourmet – também cativa italianos, espanhóis, ingleses e brasileiros. O caso da Conservas Portugal Norte ilustra bem a importância crescente das compras do turismo em Portugal: há cinco anos, as vendas rondavam os nove milhões de euros, com a exportação a valer 85%; em 2018, já contabilizou uma faturação de 13 milhões e o exterior já só pesou 75%. A Ramirez, a mais antiga indústria do setor em laboração, acaba de lançar uma loja online e, ainda na fase de testes, já recebeu encomendas de Itália.

Tatiana Faustino e Rodrigo Souza são os rostos luminosos da terceira geração da Conservas Portugal Norte. Com sangue na guelra apostaram na introdução de linhas de produtos gourmet, com um packing cuidado e vintage, seguindo o sabor da moda. Como sublinham, “a indústria é tradicional, mas não tem de ser arcaica”. A primeira aposta foi o lançamento da Porthos Vintage, em embalagem de madeira, que conheceu tal recetividade que, num mês, as paletas armazenadas esgotaram. A Porthos “é uma marca com mais de cem anos, muito reconhecida a nível internacional”.

A Conservas Portugal Norte vai um abrir um bistrô, em Matosinhos. Fotografia: Igor Martins/Global Imagens

A Conservas Portugal Norte vai um abrir um bistrô, em Matosinhos. Fotografia: Igor Martins/Global Imagens

Como afiançam, este lançamento abriu o apetite por produtos de qualidade superior, artesanais, nutritivos e naturais. Puseram mãos à obra e sob a marca Briosa lançaram uma versão gourmet, que hoje conta 24 referências e está sempre a crescer. São produtos como sardinhas sem pele e sem espinhas em azeite com limão e basílico, ou filetes de atum com azeite com cebola e louro. Tudo na tradicional lata retangular, envolvida em papel em que despontam azulejos portugueses.

Montra para o mundo
A Conservas Portugal Norte disponibiliza os seus produtos em mais de 400 pontos de venda no país, incluindo aeroportos. No entretanto, expandiram a matéria-prima, muito concentrada em sardinha, atum e cavala, e investiram em peixe-agulha, bacalhau, carapauzinhos. Em outubro passado, apresentaram a nova aposta. Ao baú foram buscar a Dama e introduziram a linha biológica, sem olvidar cuidados com a imagem e o packing.

A Loja das Conservas, com espaços em Lisboa e no Porto, é uma montra da indústria conserveira portuguesa que abriu portas em 2013 a pensar no mercado interno, conta João Reis, mentor do projeto. Mas Portugal estava a iniciar um ciclo de forte procura turística e pela porta começaram a entrar franceses, espanhóis, italianos… “O cliente internacional tem maior facilidade em reconhecer a qualidade das conservas portuguesas, tem o produto integrado na sua dieta”, explica João Reis.

O ano de 2014, primeiro completo do espaço de Lisboa, “foi excecional e verificámos que tínhamos dois segmentos de consumidores, os turistas e a classe média e média alta portuguesa”, frisa. Para o empresário, “o turismo acelerou bastante os volumes de vendas e permitiu às conserveiras desenvolver linhas sofisticadas, introduzir novas espécies, reforçar o cuidado com a imagem e investir mais em estruturas comerciais e de marketing.

A Ramirez investe 300 mil euros por ano em investigação e desenvolvimento. Fotografia: Igor Martins/Global Imagens

A Ramirez investe 300 mil euros por ano em investigação e desenvolvimento. Fotografia: Igor Martins/Global Imagens

A Ramirez não precisa de apresentações. Com vendas de 30 milhões (com as exportações a valerem 55%) e 15 marcas no ativo, a empresa tem investido todos os anos no lançamento de novas referências. Só em 2018 contabilizou 25. Como avança Manuel Ramirez, administrador, “a diversificação da produção trouxe valor acrescentado e diferenciação” face à forte concorrência mundial.

Nos últimos cinco anos, a Ramirez reforçou a marca centenária Cocagne, que tem na Bélgica o seu principal mercado, pegou na Renommée e criou uma linha de 25 referências novas e de olho posto no mercado francês recuperou a também centenária Berthe, que já conquistou o mercado de Paris. “Recebemos dois milhões de turistas franceses e isso deu publicidade às conservas portuguesas”, frisa o gestor. Mas o processo é demorado: “Temos há quatro anos um produto em desenvolvimento, que só agora irá para o mercado.”

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