Tecnologia

Twitter põe ponto final a anúncios políticos na plataforma

(REUTERS/Jim Bourg)
(REUTERS/Jim Bourg)

Twitter escolheu um lado na controvérsia dos anúncios políticos nas redes sociais. O CEO anunciou que estes anúncios não vão ter palco na plataforma.

A partir do próximo mês, deixará de ser possível pagar para ter anúncios com contornos políticos no Twitter. Através de comunicado, o CEO do Twitter é claro na mensagem a passar: “acreditamos que o alcance da mensagem política deve ser merecido, não comprado”. “Tomámos a decisão de pôr fim a toda a publicidade ligada a política no Twitter, globalmente”.

“Se por um lado a publicidade na Internet é extremamente poderosa e eficaz para os anunciantes comerciais, esse poder traz riscos significativos na política, algo que poderá ser usado para influenciar votos que podem afetar a vida de milhões”, escreveu o CEO do Twitter na plataforma.

Referindo que esta decisão é baseada “numa questão de princípios”, Jack Dorsey indica ainda que a empresa vai detalhar como funcionará esta alteração à política comercial até ao dia 15 de novembro.

Esta decisão do Twitter chega num contexto em que empresas como o Facebook estão debaixo de fogo pela forma como é feita a gestão de anúncios com mensagens políticas – ainda para mais numa altura em que já estão a ser preparadas as eleições presidenciais de 2020.

Na semana passada, Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, foi ouvido no Congresso norte-americano, para prestar esclarecimentos sobre vários temas, desde a possível criptomoeda Libra até às condições dos anúncios políticos exibidos na rede social, que possam mesmo promover a desinformação.

Leia também | Acordo com anunciantes poderá custar 40 milhões de dólares ao Facebook

Depois do caso Cambridge Analytica ter sido tornado público, em 2018, as investigações revelaram que os anúncios do Facebook tinham sido usados para apresentar mensagens falsas aos utilizadores mais suscetíveis – algo que terá tido influência no resultado das eleições presidenciais norte-americanas, que deram a vitória a Donald Trump.

A decisão do Twitter está a reforçar uma divisão entre quem defende o fim dos anúncios de cariz político nas plataformas sociais e quem defende que esta “limpeza” poderá prejudicar as campanhas políticas de menores dimensões.

A tomada de posição de Jack Dorsey terá inclusive surpreendido os analistas, nota a agência Reuters. De acordo com a apresentação de resultados anuais de 2018, cerca de 86% das receitas do Twitter são resultantes de publicidade.

Estima-se que o Twitter tenha recebido cerca de 3 milhões de dólares de receitas de publicidade resultantes do mercado dos anúncios políticos, no ano passado. De acordo com as contas do Twitter do ano passado, os anúncios políticos são uma “gota no oceano” das receitas totais de publicidade, que ascenderam aos 3,04 mil milhões de dólares.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
António Costa e Silva, responsável pelo plano para a economia nacional nos próximos dez anos.
(Leonardo Negrão / Global Imagens)

Plano de Costa Silva. As bases estão lá, falta garantir boa execução

Filipe Santos, dean da Católica Lisbon Business and Economics ( Pedro Rocha / Global Imagens )

Filipe Santos: Risco de austeridade? “Depende de como evoluir a economia”

Filipe Santos, dean da Católica Lisbon Business and Economics ( Pedro Rocha / Global Imagens )Filipe Santos
( Pedro Rocha / Global Imagens )

Filipe Santos: Há um conjunto de empreendedores que vai continuar

Twitter põe ponto final a anúncios políticos na plataforma