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Uber admite parar na Califórnia caso tenha de tratar condutores como empregados

(Josh Edelson / AFP)
(Josh Edelson / AFP)

Em declarações à MSNBC, o CEO da Uber admite paragem temporária na operação da Califórnia, que poderá "demorar alguns meses".

O líder da Uber admite que a operação da plataforma de transporte na Califórnia, nos Estados Unidos, possa vir a parar temporariamente caso não haja uma mudança no parecer divulgado esta segunda-feira. Em causa está a injunção provisória que obriga plataformas como a Uber ou a rival Lyft a reconhecerem os motoristas como empregados das empresas.

Há muito que o tema do tratamento dos motoristas neste tipo de plataformas é discutido, assim como o fenómeno da “gig economy”, de trabalhos pontuais. Enquanto as empresas alegam que os motoristas preferem não ter o estatuto de empregados das companhias, descrevendo a flexibilidade como uma vantagem nesta relação, os sindicatos e organizações de trabalhadores referem que este modelo de negócio priva quem trabalha de direitos e proteção laboral.

Em entrevista à MSNBC, Dara Khosrowshahi, CEO da Uber admite a paragem caso o tribunal californiano não mude de ideias. “Caso o tribunal não reconsidere, na Califórnia é difícil acreditar que possamos passar o nosso modelo para emprego a tempo inteiro rapidamente”, afirmou.

Tanto a Uber como a Lyft têm agora o prazo de uma semana para recorrer desta decisão inicial. Com a proibição de continuarem a classificar os motoristas como trabalhadores independentes, as duas empresas são obrigadas a disponibilizar os respetivos benefícios aos trabalhadores, como proteção no desemprego ou seguro de saúde.

O líder da Uber afirmou ainda que, caso não haja uma mudança, a paragem poderá mesmo acontecer, mantendo-se até novembro.

Outra das esperanças da Uber passa pelos eleitores da Califórnia. Em novembro irá a votos uma proposta que poderá funcionar a favor da companhia, a Proposition 22, que poderá declarar que os motoristas de aplicações de transporte ou entregas do estado da Califórnia representem uma exceção, sem necessidade de serem classificados como trabalhadores da empresa.

Enquanto o CEO da Uber apela ao tribunal, reforçando que a pausa no serviço poderá representar cortes nos rendimentos dos motoristas, o juiz Ethan Schulman, responsável pelo caso, rebate que “esta é a altura menos má” para tanto a Uber como a Lyft ajustarem os modelos de negócio. Devido à pandemia e ao confinamento, o número de viagens diminuiu neste tipo de operações.

De acordo com os resultados apresentados na semana passada pela Uber, devido ao confinamento o negócio de entrega de refeições já gera mais receitas do que as viagens. As receitas neste serviço de entregas duplicaram (+103%) para 1,2 mil milhões de dólares. Nos mesmos três meses, as receitas das viagens caíram 75%, para 790 milhões de dólares.

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