Uber já só vai aceitar carros elétricos nas grandes cidades

A partir de 16 de julho, a Uber vai aceitar apenas carros elétricos para se juntarem à plataforma de TVDE (transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados) e que venham a circular dentro das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e nos distritos de Braga e Faro.

“Queremos continuar a contribuir para o desenvolvimento e adoção da mobilidade elétrica em Portugal, como temos feito desde que aqui lançámos o primeiro produto 100% elétrico da Uber, em estreia mundial, em 2016", explica em comunicado Manuel Pina, diretor-geral da Uber em Portugal. "A eletrificação do setor dos transportes tem ainda obstáculos estruturais pela frente como o desenvolvimento da infraestrutura de carregamento, ou a oferta acessível de veículos elétricos, pelo que esta transição terá sempre de ser gradual", prossegue. "A forma como a Uber encara este desafio é ambiciosa mas realista: sabemos o que temos pela frente mas esperamos que iniciativas como esta possam ajudar a mobilizar parceiros privados e autoridades públicas e que este esforço, que tem de ser conjunto, possa fazer a diferença. Queremos estar neste novo normal com condições melhores do que quando entrámos e a mobilidade elétrica é um dos pilares dessa estratégia.”

O objetivo é acelerar a eletrificação das viagens feitas através da Uber e contribuir para a descarbonização dos transportes de passageiros, numa altura em que a empresa sofre com o impacto provocado pela covid-19. Em maio iniciou-se uma ronda de despedimentos com alcance de perto de 6700 mil trabalhadores a nível mundial no início de maio - 30% da força de trabalho. O próprio presidente executivo, Dara Khosrowshahi, renunciou ao salário base até ao final do ano para reduzir os gastos da empresa. Já em Portugal vai despedir entre 120 a 150 pessoas do seu Centro de Excelência em Lisboa, um corte de 30% do escritório que dá apoio aos serviços da empresa por toda a Europa.

Mais pontos de carregamento

A regra anunciada esta quinta-feira pela plataforma "é aplicável a novos veículos nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, distritos de Braga e de Faro relativamente ao principal serviço UberX, bem como ao Comfort. Os parceiros vão poder continuar a adicionar veículos não elétricos no caso de substituição de um veículo já registado na plataforma ou para os serviços Uber Black ou UberXL".

Desde setembro último que a Uber iniciou uma parceria com a PowerDot, passando os motoristas a ter acesso exclusivo aos hubs de carregamento elétrico a preços mais competitivos. Este mês, a PowerDot irá expandir a sua rede de hubs com dois novos lançamentos em parceria com a Uber: um em Lisboa Entrecampos, e outro no Porto, Bessa. No final, serão seis os hubs de energia em todo o país, com 14 pontos de carregamento que permitem mais de 1000 carregamentos diários.

Desde 2016 que a plataforma da Uber disponibiliza a opção de viagem on-demand 100% elétrica, Uber Green. "Em Portugal, a Uber estima que os veículos eléctricos disponíveis na aplicação já poupam 40 toneladas de emissões CO2 semanalmente, 2080 toneladas anualmente", quantifica a empresa.

A associação Zero quer todos os TVDE 100% eléctricos até 2025. E já fez as contas, juntamente com uma coligação de organizações não-governamentais de ambiente da Alemanha, Bélgica, Espanha, Estados Unidos da América, França, Holanda e Reino Unido. "Os veículos 100% elétricos de tamanho médio são já, em média, 14% mais baratos do que os automóveis equivalentes a gasóleo, se forem efetuados carregamentos lentos durante a noite perto de casa e/ou carregamentos rápidos a taxas preferenciais", indica. "No caso de Portugal, o ganho é de quatro cêntimos por quilómetro entre um veículo 100% elétrico e um veículo a gasóleo, correspondendo a uma poupança de 19%, o que para 60 mil quilómetros percorridos por ano considerados no estudo permite uma poupança anual de 2.400 Euros. Se se considerar o valor mais reduzido da eletricidade num carregamento noturno, em tarifa de período de vazio, o ganho é muito superior."

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