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Uber vai reforçar aposta em bicicletas e trotinetas elétricas

Dara Khosrowshahi, presidente executivo da Uber. Fotografia:  REUTERS/Adriano Machado
Dara Khosrowshahi, presidente executivo da Uber. Fotografia: REUTERS/Adriano Machado

Dara Khosrowshahi admite que estratégia pode ter custos financeiros a curto-prazo, mas pode ser muito benéfica para o futuro desta plataforma.

Desde o início do ano, a Uber comprou a empresa de partilha de bicicletas elétricas Jump, investiu na empresa de trotinetas elétricas Lime e ainda assinou um acordo com a plataforma de bilhetes para transportes públicos Masabi. Estes negócios enquadram-se na transformação que a plataforma norte-americana está a fazer: apostar cada vez mais em veículos de duas rodas, sobretudo para os trajetos mais curtos dentro das cidades. A estratégia para os próximos anos, no entanto, pode levar a uma diminuição de receitas no curto-prazo, admite Dara Khosrowshahi, o líder da Uber.

“Durante a hora de ponta, é muito ineficiente para um chaço de uma tonelada de metal transportar uma pessoa para 10 quarteirões. Somos capazes de mudar o comportamento de forma a ser benéfico para o consumidor. E é uma vitória para a cidade. Financeiramente, no curto-prazo, talvez não seja uma vitória para nós, mas estrategicamente, no longo-prazo, pensamos que essa é a forma como queremos ser conhecidos”, refere o gestor há um ano à frente da Uber em entrevista publicada no Financial Times deste domingo.

Dara Khosrowshahi assume mesmo que a Uber faz menos dinheiro numa viagem de bicicleta do que numa viagem de carro. Só que o líder da plataforma acredita que este impacto será atenuado: os utilizadores vão recorrer cada vez mais vezes e fazer cada vez mais viagens com a aplicação. Para explicar este efeito, o gestor recorda a sua experiência na plataforma de reservas Expedia, de onde saiu para liderar a plataforma de transportes norte-americana.

A Uber comprou a plataforma de partilha de bicicletas Jump, em abril deste ano.

A Uber comprou a plataforma de partilha de bicicletas Jump, em abril deste ano.

“Estamos dispostos a trocar valor económico de curto-prazo por maior relação com os nossos consumidores. Na minha carreira, apercebi-me de que o relacionamento a longo-prazo ganha guerras. Por vezes, vale a pena perder batalhas para ganhar guerras”, sustenta na mesma entrevista.

O CEO tem consciência do efeito que esta estratégia pode ter junto dos motoristas que trabalham para a Uber. Mas Dara Khosrowshahi acredita que os condutores da plataforma vão poder beneficiar, a longo-prazo, de maiores rendimentos pelas viagens, que serão maiores e com menos trânsito.

“Quando falo com os nossos motoristas parceiros sobre isto, a primeira impressão é ‘para que é que estás a pôr uma bicicleta a competir comigo?’. Mas depois da conversa, os condutores pensam ‘olha, tenho viagens maiores e posso fazer mais dinheiro? Assino por baixo’, conclui.

A Uber está cada vez mais perto de ir para a Bolsa, tendo contratado, no início da semana, um novo responsável financeiro. O antigo CFO do Merrill Lynch, Nelson Chai, vai preparar a ida da Uber para o mercado de capitais, que está prevista para 2019.

Nelson Chai é um nome bastante conhecido pelos bancos norte-americanos, que terão de ajudar a Uber a encontrar investidores que queiram apostar numa empresa que registou prejuízos de mais de mil milhões de dólares (866,7 milhões de euros) em três dos últimos seis trimestres.

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