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Um ano depois, três empresas de trotinetas já saíram do país

Há cerca de 4000 trotinetes partilhadas em Lisboa. (Foto: MIGUEL A. LOPES/LUSA)
Há cerca de 4000 trotinetes partilhadas em Lisboa. (Foto: MIGUEL A. LOPES/LUSA)

Wind, Tier e Bungo deixaram o mercado português nos últimos meses. Logística sem emissões é o próximo passo para plataformas.

Passou um ano desde que as trotinetas partilhadas começaram a aparecer nas ruas portuguesas. Primeiro, em Lisboa; nos meses a seguir, em cidades do litoral norte, centro e sul. A Lime foi a primeira e juntaram-se mais oito plataformas, praticamente todas apenas em Lisboa. Mas três já desistiram do mercado português – Wind, Tier e Bungo.

“As operações em Lisboa estão suspensas até à chegada do nosso próximo modelo”, explica fonte oficial da Wind ao Dinheiro Vivo. As trotinetas da Tier deixaram de ser vistas há algumas semanas na capital. A experiência da Bungo em Paços de Ferreira e Ermesinde acabou por não ter efeito.

Lime e Voi também chegaram a ter operações em Coimbra e Faro, respetivamente, mas acabaram por desistir de cada uma destas cidades. A nível nacional, apenas a Circ vai além de Lisboa: está sozinha em Coimbra, Faro, Almada, Cascais, Portimão, Figueira da Foz, Ermesinde, Vila Nova de Gaia e Braga.

Só na capital portuguesa há perto de quatro mil trotinetas elétricas partilhadas, um quarto das quais da Lime. Miguel Gaspar, vereador da Mobilidade, admite que, no primeiro trimestre, “houve um abuso do espaço público, dos passeios, que fez as pessoas ficarem muito desconfortáveis”.

Leia mais: Duplica em Portugal a compra de bicicletas elétricas

A situação acabou por ser resolvida, nos últimos meses, com a “criação de cerca de mil lugares de estacionamento para trotinetas”. Bastou, para isso, retirar cerca de 50 lugares de estacionamento para automóveis – em cada lugar cabem 20 trotinetas.

Resolvido o problema do estacionamento, começam a surgir desafios ambientais e de integração na mobilidade.

No ambiente, os colaboradores da Hive vão começar a utilizar bicicletas de carga elétrica ainda neste mês para recolher as trotinetas. A Voi também pretende seguir este exemplo, mas ainda não tem data. A Lime já faz isso há alguns meses mas apenas com a patrulha que faz a manutenção – os juicers utilizam meios próprios, nem sempre amigos das emissões.

A Circ, nesta área, lembra que faz parte do projeto Ayr, do CEiiA, em que as emissões de dióxido de carbono poupadas ao ambiente em Matosinhos são transformadas em créditos para pagar a licença.

Para ganhar peso no mercado, no entanto, “a trotineta tem de ser mais do que um meio de divertimento e tem de se integrar com os transportes públicos”, avisa Rosário Macário, professora de Economia dos Transportes do IST – Instituto Superior Técnico.

Miguel Gaspar diz que a Câmara Municipal de Lisboa “está a trabalhar num catálogo de mobilidade para dar visibilidade a todos os operadores de partilha de veículos” e está a elaborar um estudo com o IST “para avaliar os impactos destes transportes na cidade”.

Só em Lisboa, calcula-se que seis em cada dez viagens de trotineta acabam junto a uma paragem de autocarro ou estação de metro/comboio, segundo a Voi e a Lime.

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