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Um castelo no norte de Itália vai ser um hotel graças a cem portugueses

Fotografia: Housers
Fotografia: Housers

A Housers precisava de 550 mil euros para financiar a recuperação de um castelo. Em pouco mais de duas semanas o projeto atraiu quase 800 investidores

Ao fim de dois anos a apanhar investidores pelo caminho, a Housers financiou um castelo. A plataforma demorou 16 dias a angariar os 550 mil euros que vão tornar o Castellero Timeless Charm Resort, na região italiana de Piemonte, num condo-hotel.

Entre os 788 “apostadores” no mais recente projeto da empresa espanhola, que financia a compra ou a recuperação de imóveis através de crowdfunding, cem são portugueses. O número apanhou os responsáveis da Housers de surpresa. “Os portugueses são apenas 8% da base de investidores da Housers e neste caso representaram 13% dos financiadores. Foi muito bom”, explica o CEO da plataforma espanhola em Portugal, João Távora.

No total, o castelo italiano recebeu 38 mil euros de investidores portugueses dispostos a arriscar num projeto que promete uma taxa de juro fixa de 12,75% a 18 meses, o que corresponde a 8,5% em 12 meses. Correndo tudo como previsto, um investimento de dois mil euros, por exemplo, vai render 255 euros ao fim dos 18 meses. Os portugueses não arriscaram tanto: investiram em média 366 euros no castelo de Monferrato.

Mas disso a Housers já estava à espera. “Tipicamente os portugueses são quem investe menos nos nossos projetos. E começam com montantes muito baixos, de 50 euros, que é o mínimo exigido, ou 100 euros. Depois começam a ver os juros a cair todos os meses na conta e ganham confiança. Sobem o montante e investem noutros projetos.”

O isco da taxa fixa também terá ajudado ao sucesso, admite o CEO. “Regra geral, a taxa fixa atrai mais pessoas, por ser muito mais elevada. Claro que depende do perfil de risco do investidor, mas numa plataforma como a Housers é normal que as pessoas sejam pouco avessas a arriscar. Quem não quer assumir riscos não investe em crowdfunding, prefere um depósito a prazo que paga 0,2% ao ano ou um certificado de aforro. Quanto maior o risco, maior será a rentabilidade”, destaca.

João Távora garante que quem entra com dinheiro na Housers sabe ao que vai. “Avisamos que o capital não é garantido e que pode haver perdas. Mas perder tudo é muito difícil, nenhum dos nossos projetos entrou em default até agora. Claro que as coisas podem correr mal, sublinha, mas isso é o risco de qualquer investimento imobiliário, não é só no crowdfunding.”

O princípio também se aplica em sentido inverso. Ou seja, nos projetos que a Housers disponibiliza na plataforma. “Já recusámos propostas. Se nos apresentarem um projeto que pretende vender casas a 4000 euros por metro quadrado daqui a dois anos quando o metro quadrado naquela zona custa hoje 2000 euros, nós não vamos querer financiá-lo porque não acreditamos que vá ter sucesso.”

Quarto de hotel com dono
A taxa fixa não foi o único chamariz que atraiu os investidores a Itália. Habituados a financiar prédios ou apartamentos, os adeptos do crowdfunding não resistiram ao conceito de condo-hotel. A propriedade foi comprada por um promotor italiano que não quis recorrer ao financiamento da banca. “Queriam capital próprio ou financiamento privado. Apesar de pagarem mais juros neste caso, também obtêm o empréstimo mais depressa, com menos burocracias e menos exigências”, nota João Távora.

Mas o que é afinal um condo-hotel? “É um hotel em que parte dos quartos pertencem a pessoas ou empresas”, desvenda o CEO da Housers. No caso do castelo de Piemonte, as 22 suites vão estar à venda a partir de setembro. Os preços começam nos 250 mil euros e vão até 1,1 milhões.

“Se eu comprar uma suite tenho direito a usufruir de todos os serviços do hotel, como o spa ou as piscinas, durante oito semanas por ano, quatro em época alta. Nas restantes, a suite é gerida pelo hotel como se fosse um quarto normal. A rentabilidade para o dono da suite vai variar em função das reservas. Ao fim de três anos passa a ser dividida com o hotel”, explica o responsável.

Além do castelo, o resort italiano tem ainda um palácio, com mais 22 suites. O imóvel precisa de obras de recuperação, e é aqui que a Housers volta a entrar. A empresa vai abrir uma segunda ronda de financiamento para o Castellero Resort, que deverá arrancar em setembro. Tanto a meta como a oferta mantêm-se: 550 mil euros e uma taxa de juro de 12,5% a 18 meses.

Em Portugal, onde aterrou em outubro do ano passado, a Housers ainda não tem previsto nenhum projeto semelhante. Mas face ao “estado da nação” do mercado imobiliário, João Távora não tem dúvidas de que não faltariam interessados. “Com a fome de imobiliário que existeseria escoado facilmente. Mais cedo ou mais tarde deverá aparecer”, antecipa.

A plataforma conta com 4500 inscrições em Portugal e já captou por cá mais de 1,5 milhões de euros. Até outubro, mês em que celebra um ano desde que atravessou a fronteira, a Housers prevê abrir mais projetos de investimento em Portugal. Não serão castelos, mas terão taxa fixa.

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