Prémio Inovação NOS

Um catamarã solar que não polui e navega a custo zero

A carregar player...
Um catamarã solar que não polui e navega a custo zero

É silencioso, não-poluente e pode ser adaptado para as mais variadas utilizações. O catamarã solar da Sun Concept está a ser produzido em Olhão.

É o primeiro e único catamarã solar a ser produzido em Portugal. A ideia partiu da Sun Concept, empresa criada em 2015 com o objetivo específico de construir barcos silenciosos e não-poluentes. O CAT 12.0 alia ainda ao seu reduzido impacto ambiental o facto de navegar a custo zero. O conceito valeu à empresa de Olhão a conquista do Prémio Inovação NOS, na categoria de startups, que teve este ano a sua 3.ª edição.

Com 12 metros de comprimento e seis de largura, o CAT 12.0 é um catamarã que tem capacidade para entre 25 e 42 pessoas, pode atingir a velocidade máxima de 14 nós (perto de 26 km/h), navegar em alto-mar e ter uma autonomia de navegação de entre oito e 12 horas – dependendo da velocidade a que navegue e do tipo de baterias usadas (as de lítio são mais eficientes).

E o facto de ser um navio solar, não o impede de navegar de noite ou em dias de tempestade. Pelo menos, assim o garante João Gomes Bastos, um jovem biólogo marinho, de 33 anos, que é hoje o diretor-geral da Sun Concept. “Um barco destes navega-se exatamente da mesma forma como se conduz um carro elétrico e também exatamente como se navega outro barco qualquer”, diz João Bastos, referindo que em todas as viagens se tem de calcular distâncias e quantidades de combustível necessárias para ir e voltar. Só que aqui “os painéis solares produzem energia que é acumulada nas baterias e estas alimentam os motores”, explica. A velocidades moderadas “ele consegue produzir mais do que o que gasta, gerando durante o dia energia suficiente para andar de noite.”

E para aqueles que argumentam que, nos barcos a combustíveis fósseis, os precavidos têm sempre a hipótese do jerrican a bordo, a Sun Concept tem resposta pronta. “Existe outro ponto de vista, que é o nosso”, diz João Bastos. “Num barco a gasolina, leva o jerrican e, se por acaso fez mal as contas e gastou o jerrican também, não lhe vai nascer nada no depósito, nunca. Com este, a energia nasce-lhe no depósito. O pior que pode acontecer é ter de ficar lá mais um bocado à espera ou, na pior das hipóteses, esperar que o dia nasça, mas tem sempre combustível para voltar.”

João Bastos segura o modelo do CAT 12.0 de modo a evidenciar bem a localização dos painéis solares que alimentam as sua baterias. FOTO: Orlando Almeida / Global Imagens

João Bastos segura o modelo do CAT 12.0 de modo a evidenciar bem a localização dos painéis solares que alimentam as sua baterias. FOTO: Orlando Almeida / Global Imagens

Além do mais, sublinha ainda João Bastos, o CAT 12.0 soma o custo zero com combustíveis a “custos de manutenção 85% mais baratos, porque não tem gastos com óleos, filtros, velas, etc.” Tudo fatores que podem justificar o investimento entre os 275 mil e 395 mil euros na compra de um CAT 12.0.

Juntando a estas características o facto de ser produzido em série, o CAT 12.0 torna-se um conceito inovador. “Existem muitos protótipos, ideias e experiências, mas aqui a grande questão é ser uma construção em série, um modelo de série”, diz.

O catamarã passa, assim, a ser o segundo modelo solar da Sun Concept, depois do Sun Sailer, barco menor (sete metros) e mais lento, que é produzido nos estaleiros de Olhão à velocidade de um por mês. Comparando os dois, “o CAT 12.0 já é um barco muito mais polivalente e com muito mais opções que o Sun Sailer”, diz o diretor-geral, acrescentando que a ideia surgiu em resposta ao mercado. “Começámos a perceber que as pessoas com quem falávamos e os nossos clientes queriam também poder navegar em águas abertas, levar mais gente e ter um bocadinho mais de velocidade.”

Para já, a Sun Concept tem em produção apenas o seu primeiro catamarã solar, que deverá estar pronto em setembro. Depois deste modelo inaugural – construído em simultâneo com o respetivo molde, daí demorar mais tempo -, cada CAT 12.0 levará dois meses a construir. E pode ser inteiramente personalizado ao gosto do cliente, sublinha o diretor da Sun Concept.

Boas notícias, visto que este e o segundo catamarã da Sun Concept já estão vendidos – “ambos a operadoras marítimo-turísticas”. O terceiro está encomendado por um centro de mergulho e a Sun Concept tem 14 encomendas que só aguardam a constatação de que o CAT 12.0 cumpre mesmo o que é prometido pela Sun Concept para se transformarem em vendas.

Planos de expansão no horizonte

Pode dizer-se que a Sun Concept já não chega para as encomendas. Com apenas cerca de 18 pessoas no seu rol de pagamentos – só 12 das quais dedicadas à linha de produção, entre serralheiros, eletricistas, pessoal de montagem e de aplicação de compósitos –, a empresa não tem aspirações a produzir mais dos que os 12 Sun Sailers e seis Cat 12.0 por ano a que conseguirá dar reposta. No seu horizonte estão, portanto, planos de expansão – e até de internacionalização – para breve.

“Um novo estaleiro é imprescindível para nós conseguirmos aumentar a capacidade de produção”, afirma o diretor-geral da Sun Concept. “A expansão e internacionalização vão avançar logo que tivermos a autorização e a capacidade para fazer o estaleiro.”

Segundo conta João Bastos, a Sun Concept aguarda pela entrega, dentro de pouco tempo, de um terreno em domínio público marítimo, por parte da Docapesca de Olhão. “Só falta assinar os contratos, para podermos construir um estaleiro de raiz, com linhas de produção muito maiores e em que o navio é feito e sai logo direto para a água”, diz.

Algo que é, no mínimo, urgente para a Sun Concept que para fazer chegar o seu primeiro CAT 12.0 ao cliente vai ter de desmontar uma das paredes do hangar-estaleiro e, mesmo assim, o navio passa a 10 cm de cada poste, conta o responsável.

Com o novo estaleiro, virá também a aposta na internacionalização e numa política de comunicação mais a sério. “Por exemplo, no caso do Sun Sailer, nós acabámos por internacionalizar o conceito, mas não o produto”, explica João Bastos.

A perspetiva do casco do CAT 12.0, ainda em construção sobre o respetivo molde, dá uma ideia das dimensões reais do último modelo da Sun Concept. FOTO: Orlando Almeida / Global Imagens

A perspetiva do casco do CAT 12.0, ainda em construção sobre o respetivo molde, dá uma ideia das dimensões reais do último modelo da Sun Concept. FOTO: Orlando Almeida / Global Imagens

Dito isto, onde se pode comprar modelos da Sun Concept? A resposta óbvia é: através do contacto direto com a empresa, por via telefónica, e-mail ou visita ao local. Mas há mais. “Temos uma parceria, desde uma fase inicial, com o Grupo Siroco. Este é nosso representante e, através dele, estamos em Lisboa e no Porto”, diz o diretor-geral, acrescentando que têm também mais algumas representações e contratos com empresas no estrangeiro.

Mas o CAT 12.0 é um caso diferente. “O catamarã provoca, de facto, muito mais interesse. Por exemplo, neste momento estamos associados e a trabalhar muito bem com um grupo alemão, que é o NedShip Group”, diz João Bastos. Segundo o responsável, os alemães consideram os catamarãs o futuro e estão a apostar muito nisso. “São uma empresa muito grande, a nível mundial, e com uma enorme rede de contactos. Estamos neste momento a contactar e a ser contactados por gente de muitos sítios, desde a Austrália à Nova Zelândia, ao Dubai.”

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Christine Lagarde. Fotografia: REUTERS/Denis Balibouse

FMI corta a fundo crescimento de Alemanha, França, Itália e Brasil

Fernando Medina.

Medina entrega 52 chaves a inquilinos em risco de despejo

23 - SL Benfica _ foto - slbenfica.pt

Obrigações do Benfica atraem mais de 3.250 investidores

Outros conteúdos GMG
Um catamarã solar que não polui e navega a custo zero