Famalicão agroalimentar

Um negócio artesanal, português, que chega do Miolo de Nós

Ana Tanque, criadora da Miolo de Nós. Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
Ana Tanque, criadora da Miolo de Nós. Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Em Famalicão, coração da indústria têxtil, pulsa um ADN empreendedor. Entre os negócios inovadores identificámos 4 do agroalimentar. Eis um dos casos

Ana Tanque tem mãos de fada. Nos jantares em casa, tudo o que cozinhava desaparecia. “Rapidamente”, sublinha, risonha. Quando começou a fazer bolos e quiches para fora, o sucesso entre família e amigos estendeu-se aos incógnitos clientes. Para trás, já tinha deixado o ensino de Inglês e os trabalhos de tradução. “Cumpri o desejo da minha mãe, fui professora, mas quando me estava a aproximar dos 40 anos decidi virar a minha vida ao contrário, havia uma sensação de insatisfação”, conta.

Cozinhar e vender para fora também não era o seu sonho. Pegou no rolo da massa e decidiu criar biscoitos artesanais, com ingredientes que reportassem à lusofonia e trouxessem benefícios à saúde. Ao conceito apelidou-o Miolo de Nós, um “nós” de “nós portugueses”. “Quis dar às pessoas aquilo que os portugueses têm de melhor, um povo que integra as outras culturas na nossa, inclusivo, precursor da globalização, ainda com tradições e cultura própria”, explica.

Os biscoitos da Miolo de Nós juntam o sésamo, a lembrar a senda marítima para a Índia, e o caju, para homenagear o Brasil, mas também a erva-doce, muito usada na culinária do Alentejo e de Trás-os-Montes, o azeite português e o açúcar mascavado, entre outros segredos. No mercado desde 2012, conquistou logo uma série de lojas gourmet no Porto. Como explica, “vim para a rua bater à porta das lojas, a cidade já começava a ter alguma expressividade ao nível do turismo, e havia uma boa aceitação por produtos artesanais”. Ainda entre a cozinha e a labuta comercial, Ana Tanque assegurou um cliente de peso: o El Corte Inglés. Hoje, está quase só dedicada à área das vendas e à descoberta de novas receitas e produtos. Na produção, tem o apoio de três pessoas.

Os biscoitos Miolo de Nós estão presentes em vários pontos de venda de norte a sul do país, já conquistaram o El Corte Inglés de Madrid e dois grandes armazéns na Suíça. Segundo Ana Tanque, o investimento na criação da empresa ascendeu a 100 mil euros, financiado com capitais próprios, que deverão estar pagos dentro de dois a três anos. A empreendedora de origem famalicence está agora a testar a sua mais recente criação, umas crackers aromáticas, que estavam em preparação há cerca de três anos. “Estamos timidamente a fazer o Natal, o lançamento será em 2020”, diz.

Tudo na Miolo de Nós é a Ana Tanque: as receitas, o design das embalagens, as vendas, o marketing. E, por isso, não há pressas em crescer. A ambição é que haja reconhecimento da marca como sendo um produto artesanal e de qualidade, e mais democrático. O resto virá com o tempo, como até agora tem vindo.

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