Um quarteirão por 17 milhões vai ajudar Marvila a renascer

Bairro ainda tem os preços de habitação mais baixos de Lisboa. Ateliê de Frederico Valsassina vai desenhar o projeto numa área de 16 mil m2.

Já lhe chamam a Brooklyn de Lisboa, pelos espaços industriais que renascem, a fervilhar de criatividade, das casas amplas e limpas às galerias de arte, dos ninhos de startups aos hubs criativos que vão surgindo pelos vizinhos Beato e Marvila. Esta zona da cidade, onde os preços por metro quadrado das casas são os mais baixos de Lisboa - 1543 euros/m2, quando em zonas como Bairro Alto, Av. da Liberdade, Chiado ou Castelo chega a mais do dobro -, está a mudar rapidamente e Marvila acaba de ganhar um novo potencial representante da sua recentemente adquirida modernidade. Um quarteirão vendido por 17 milhões que vai revitalizar a área que se estende para trás da Praça David Leandro da Silva.

Este já não é o Oriente dos baldios onde os miúdos jogavam à bola e os mais velhos trabalhavam nas docas, nos armazéns de vinho ou nas fábricas de armas e fósforos, de borracha e de sabão; cujos edifícios foram sendo desocupados, abandonados, um a um caindo em ruínas até quase todo o bairro ser esquecido.

No último ano, com projetos anunciados para novos acessos de metro, elétrico e autocarro, centro de saúde e quartel de bombeiros e mais investimento da autarquia, incluindo o Hub Criativo do Beato, nova casa de várias tecnológicas que implicou um investimento de 20 milhões, o acordar deste Oriente tem sido rápido e agitado. Ontem, a publicação especializada Diário Imobiliário deu notícia do novo negócio que cumpre mais um passo nesse caminho: a venda do quarteirão que se estende para lá do histórico edifício da Fundação Maria António Barreiros.

Intermediada pelo grupo Onara, a transferência da propriedade da fundação ligada à Opus Dei para uma sociedade de compra e venda de imóveis custou 17 milhões de euros. Constituída em abril, conforme informação disponível nos agregadores de dados de empresas, a sociedade anónima (detida por três portugueses ligados ao turismo e imobiliário e um fundo suíço, segundo a mesma publicação) confiou a Frederico Valsassina o projeto de renovação do quarteirão.

O ateliê do arquiteto, considerado um dos melhores do país, tem no currículo reabilitações de peso, incluindo as obras desenvolvidas no edifício entre a Av. da Liberdade, a Rua Rosa Araújo e o projeto República 37, também em Lisboa, distinguido neste verão em três categorias do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana (Residencial, Lisboa e Reabilitação Estrutural).

Ainda não há pormenores sobre o que vai nascer no espaço enquadrado pela Praça David Leandro da Silva (na foto), pelo Clube Oriental e pelas ruas Fernando Palha e Zófimo Pedroso, mas os 16 mil metros quadrados de área de construção aprovada (acima do solo) deverão repartir-se entre habitação, lojas e escritórios, sendo seguida a lógica de espaços vizinhos como o Living Prata. Esta evolução ainda faz de Marvila um bom investimento, mas já deixa antecipar que em breve chegará à média de 2753 euros/m2 do resto da cidade.

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