Unbabel

Unbabel. A empresa que o põe a falar em 28 línguas diferentes

Unbabel já conta com mais de 100 pessoas na sua equipa.
Unbabel já conta com mais de 100 pessoas na sua equipa.

A Unbabel comemora 5 anos a “casar” a IA com a pós-edição humana à tradução automática. 23 milhões depois, a startup aposta na legendagem

No caminho para a internacionalização, as empresas têm de superar vários obstáculos. A língua pode ser uma delas. Num mundo em que a tecnologia ganha cada vez mais espaço, a startup portuguesa Unbabel criou uma solução tecnológica que “casa” inteligência artificial com pós-edição humana à tradução automática. Comemora cinco anos de vida, meses depois de ter angariado uma ronda de financiamento de série B, no valor de 23 milhões de dólares (perto de 20 milhões de euros), e acredita que “ainda estão no início”.

“Nós ajudamos empresas a comunicarem com os clientes em qualquer lugar. Esta plataforma, que combina tradução automática com tradução humana, é a maneira como o fazemos. Mas o nosso objetivo é permitir que as empresas joguem no mercado global de uma maneira transparente, fácil, escalável”, explica Vasco Pedro, CEO da Unbabel.

Com esta solução, uma pessoa que fale inglês pode responder – por exemplo no caso de um serviço de apoio ao cliente – em 28 línguas diferentes. Assim, a questão da língua, por vezes encarada como uma variável, poderá ser eliminada. Os recursos humanos podem estar concentrados no mesmo sítio, podendo gerar uma maior otimização e flexibilidade.

A Unbabel acredita que as soluções atuais na área da tradução “são um bocado do século passado”, uma vez que assentam sobretudo no envio de um texto para uma empresa para ser traduzido que, depois de traduzido, é reenviado. “É baseado sobretudo em esforço humano: tradutores profissionais. O que estamos a advogar é que isso não faz sentido, não é escalável e não permite às empresas terem flexibilidade e rapidez para atacarem os desafios que têm na parte de comunicação multilingue. É preciso uma nova categoria de produtos que nós estamos a chamar de Translation as a Service [TaaS].”

Vasco Pedro defende que vai haver uma mudança de mentalidade: as empresas vão deixar de ter recursos humanos disponíveis dentro das empresas – incluindo quando são contratados para determinados projetos – para “um estado em que a tradução está embebida diretamente nas ferramentas que as empresas usam”. “Acreditamos que tem de ser tecnologic driven e isso é Translation as a Service. Uma tradução que está sempre disponível, rápida, escalável.”

Com um modelo de negócio assente na subscrição, a solução da Unbabel pode ser usada por empresas globais, incluindo PME que tenham a ambição de escalar. Pinterest, Rovio, Skyscanner são três das firmas que usam este serviço.

Em janeiro, a startup levantou uma ronda de investimento que tem como destino a exploração de novos mercados e o desenvolvimento de produto. “Apostar no produto no sentido de continuar não só a desenvolver a parte de tecnologia mas também o tipo de conteúdos que estamos a fazer. Por exemplo, neste momento estamos a começar a desenvolver um pipeline de transcrição para além de tradução que nos permite atacar vídeo. Hoje, as pessoas consomem vídeo nos telemóveis, tipicamente sem som. Se não houver legendas as pessoas depois não veem o vídeo e isso está a causar uma necessidade grande de legendas.

A Unbabel assume que dentro de um ano poderá levantar mais capital. “Neste momento estamos muito bem capitalizados, também estamos a fazer fortes investimentos.”

A experiência no mundo do empreendedorismo não era propriamente uma novidade para Vasco Pedro quando, em 2013, cofundou com mais quatro pessoas – Hugo Silva, João Graça, Bruno Silva e Sofia Pessana – a Unbabel. Mas não tem dúvidas de que o segredo para o sucesso desta que é a quarta startup por onde passa é a equipa. “Se há uma coisa de que eu me orgulho são as pessoas que atraímos, desde a equipa fundadora – e a nossa capacidade de ultrapassarmos todas as dificuldades – às pessoas [que conseguimos] atrair, com a cultura certa, com a experiência certa, que acreditem no que estamos a fazer”.

Como é que se encontram as pessoas certas? “É preciso um bocadinho de sorte, como em tudo na vida.” Mas conseguir formar uma equipa com as pessoas mais certas passa por criar a mensagem correta, ter “uma visão que seja grande o suficiente, desafiadora o suficiente, demonstrar que o que estamos a fazer é legítimo, é real, e depois estarmos a fazer algo que tem um impacto grande, que pode ter um impacto grande”.

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