Tecnologia

Unbabel abre laboratório de inteligência artificial em Pittsburgh

Unbabel já conta com mais de 100 pessoas na sua equipa.
Unbabel já conta com mais de 100 pessoas na sua equipa.

O novo laboratório da empresa de tradução com recurso a inteligência artificial será liderado pelo norte-americano Alon Lavie.

A empresa portuguesa Unbabel vai abrir em setembro um laboratório dedicado à inteligência artificial em Pittsburgh, Estados Unidos, que será liderado pelo norte-americano Alon Lavie, disse à agência Lusa o presidente executivo da empresa, Vasco Pedro.

Lavie deixou a Amazon, onde chefiava o Grupo de Tradução de Máquina, para criar a nova equipa de inteligência artificial da tecnológica portuguesa, que oferece uma solução de tradução automática com editores humanos e tem entre os clientes a Pinterest, Change.org, Skyscanner ou a Weebly.

A localização do novo escritório na Pensilvânia pretende alavancar a relação entre a Unbabel e a Universidade Carnegie Mellon (CMU), onde Alon Lavie é investigador no Instituto de Tecnologia da Linguagem.

Vasco Pedro referiu que Lavie “é um dos especialistas mundiais em tradução de máquina” e foi seu professor na CMU.

“A equipa, no início, vai-se focar mais em questões práticas e aplicações daquilo que estamos a fazer nos clientes corporativos”, explicou, “mas à medida que formos crescendo isso vai-nos dar mais capacidade para atacar outros problemas”.

A Unbabel está a recrutar para o escritório e tem duas vagas a tempo inteiro abertas em Pittsburgh, uma para engenheiro de investigação sénior e outra para cientista de investigação sénior.

“Gostávamos de permitir a veiculação de pessoas entre os escritórios, ajuda imenso na perceção das pessoas que estão lá e ao desenvolvimento da cultura”, adiantou Vasco Pedro, falando da mobilidade profissional entre as instalações de Lisboa, São Francisco, Nova Iorque e agora Pittsburgh. “É cada vez mais premente escalar a cultura”, acrescentou, sendo que a empresa tem neste momento cerca de 220 funcionários.

O presidente e fundador da empresa afirmou que aquilo que a Unbabel fez até agora “ainda é muito o início” daquilo que quer fazer e o laboratório ajudará a explorar cenários futuros mais ambiciosos.

“Nós queremos que um dia estejamos a ter uma conversa e seja irrelevante que língua um ou o outro estão a falar”, declarou. “Quero que um dia possa ter a minha conta de e-mail, WhatsApp, voz, e estar a comunicar com qualquer pessoa em qualquer lado sem ter problema de língua”, explicou.

Com uma nova plataforma interna para as empresas clientes em preparação, a Unbabel também está a testar sistemas para o futuro. “Uma das coisas que estamos a começar a trabalhar agora inclui o conceito de ‘voice morphing’ [transformação da voz]”, revelou, falando de um sistema que faz a tradução da fala para outra língua mas usando a voz do interlocutor original.

A Unbabel oferece tradução em 28 línguas com diversos pares possíveis, por exemplo português-inglês ou inglês-alemão, em que um sistema automatizado faz a tradução inicial e depois tradutores humanos editam e validam a qualidade dos textos.

“O problema da língua é altamente complexo com centenas de subproblemas”, descreveu Vasco Pedro, sublinhando que cada par-língua, tipo de conteúdo e aplicação determinam características próprias.

“Os seres humanos adaptam-se a essas circunstâncias, mas como é que conseguimos fazer isto em escala?”, disse.

A integração entre a inteligência artificial e os seres humanos é um dos focos do executivo, que acredita no potencial desta interação para melhorar atividades e processos.

O CEO da Unbabel é um dos oradores em destaque no Global Summit 2019 da Singularity University, com presença no painel “Solving Today’s Problems with AI” (Resolvendo os problemas de hoje com IA) esta terça-feira.

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