Reestruturação

Unicer devolveu um milhão em apoios por ter fechado fábrica em Santarém

Foto: DR
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Rui Ferreira, CEO da empresa, garante que a situação com o Estado português foi já “integralmente regularizada”

A Unicer teve de devolver um milhão de euros de apoios que tinha recebido do Estado por causa de ter decidido encerrar a fábrica de refrigerantes de Santarém, conhecida por ex-Rical. A fábrica vai fechar já a 31 de janeiro, três meses antes da data inicialmente prevista.

“Os valores estão longe dos que foram sendo noticiados. Entre acertos, devoluções e suspensões de fundos comunitários está em causa um valor inferior a um milhão de euros”, garante Rui Ferreira, o presidente executivo da empresa.

A situação com o Estado português está já “integralmente regularizada”, garante em declarações ao Dinheiro Vivo.

A Unicer candidatou-se a cofinanciamento em investimentos efetuados na fábrica da Rical da ordem dos 3,7 milhões de euros. “Sempre tivemos consciência, como não podia deixar de ser, das consequências colaterais da decisão difícil de encerramento da unidade de Santarém. Foi um processo longamente analisado, estudado e detalhadamente calculadas as eficiências, os benefícios e os custos. E sabíamos exatamente onde se iriam repercutir os custos contratuais a nível dos incentivos. Mas a situação está absolutamente em dia e o ajustamento contratual está cumprido e devidamente regularizado”, assegura Rui Ferreira, sublinhando que a Unicer “sempre pautou a sua conduta por ser uma empresa cumpridora”.

A AICEP, a entidade pública que assinou os contratos com a Unicer, remete quaisquer informações para a empresa.

2015 foi um ano “muito exigente”, reconhece o gestor, já que “logo à entrada do ano, e acabados de concluir o orçamento, fomos confrontados com a situação em Angola e obrigados a fazer um plano de contingência para reagirmos à situação das exportações, que se degradaram rapidamente”. Um plano de contenção de custos que acabou por levar ao anúncio, em outubro, de uma reestruturação da empresa, com o encerramento da fábrica de Santarém e o despedimento de 70 trabalhadores e de mais 65 na estrutura central da Unicer em Leça do Balio.

Rui Ferreira assume que as vendas da Unicer caíram 40% nos mercados externos. Uma quebra em volume que foi ditada muito pelo efeito da crise em Angola, que já no ano anterior começava a dar sinais de abrandamento no consumo. Em 2014, Angola foi responsável por um quarto das vendas da cervejeira. No ano passado, com a queda do petróleo e a falta de divisas no mercado, os importadores deixaram de ter condições para fazer compras ao exterior. A Unicer foi apenas uma das muitas empresas afetadas.

Em contrapartida, as vendas da cervejeira no mercado nacional cresceram 4%, impulsionadas pelas boas condições climáticas do verão e pela dinamização da atividade turística, que ajudaram a puxar pelo consumo. E apesar do cenário internacional a empresa reduziu a dívida financeira em dez milhões de euros.

“Terminámos o ano com uma grande solidez financeira e estamos a trabalhar no desenvolvimento futuro de outros mercados para compensar a quebra de Angola”, diz Rui Ferreira. Que outros mercados? “Não há nenhum milagroso. São mercados onde já estamos a operar, mas onde estamos a fazer investimentos acrescidos no sentido de crescer. Estamos a calibrar de forma diferente os investimentos nas diversas geografias.”

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