Emprego

Unono. Aqui há ofertas de trabalho só para millennials

Lisboa, 17/05/2018 - Luis Mendes e Edgar Campos da Empresa Unono, com a restante equipa, nos seus escritórios.

(Filipe Amorim / Global Imagens)
Lisboa, 17/05/2018 - Luis Mendes e Edgar Campos da Empresa Unono, com a restante equipa, nos seus escritórios. (Filipe Amorim / Global Imagens)

A Unono é especialista em encontrar emprego para jovens com pouca experiência. Este ano vai integrar o Campus Residency da Google, em Madrid.

E se em vez de serem os candidatos a procurar ofertas de emprego, fossem as empresas à procura dos perfis de que necessitam? Esta foi a ideia que uniu o português Luís Mendes e espanhol Raphäel Heraief e que, em 2015, fez nascer a Unono. Esta é uma agência de recrutamento digital inteiramente dedicada aos millennials e que “funciona ao contrário das outras”, conforme explica o fundador português. O target são jovens recém-formados, que tenham até 5 anos de experiência e que procurem uma oportunidade de trabalho.

Há 10 anos, por volta de 2008, Luís era estudante de Engenharia Mecânica, em Lisboa, quando decidiu rumar a Barcelona, para uma experiência de Erasmus. A rede social Facebook estava ganhar força e popularidade e Luís aproveitou a onda. Durante a estada na cidade catalã, era pago para dedicar parte do seu tempo a recomendar eventos ao público universitário na rede de Zuckerberg. “Foi o meu ganha-pão durante todos os meses em que estive em Barcelona e na altura ganhava mais dinheiro do que ganho hoje em dia”, conta entre risos. “De tal forma que cheguei mesmo a ponderar se valia a pena continuar a estudar”, recorda.

Durante esses meses, conheceu o espanhol Raphäel Heraief, estudante de medicina e decidiram fazer um projeto conjunto; criaram uma plataforma online com o objetivo de juntar toda a comunidade universitária de todas as instituições de Ensino Superior da Europa. “Havia uma espécie de calendário em open source , e cada utilizador podia interagir e publicar o que queria”, conta Luís. Os dois amigos tiravam rendimentos da divulgação de publicidade relacionada com setor privado de Educação neste espaço.

O projeto foi selecionado para integrar um programa de aceleração de empresas, o Lanzadera, uma incubadora valenciana. Receberam um investimento de 200 mil euros e foi nesta altura que a dupla de jovens empreendedores decidiu repensar o modelo de negócio e mudar de rumo mas com o mesmo propósito.”Surgirmos na altura da crise. Em Espanha a taxa de desemprego jovem era de 53,2 % e em Portugal de 34,8%. Havia qualquer coisa que estava errada”, conta. Assim nasceu a Unono, uma plataforma de recrutamento inteiramente dedicada aos jovens recém-formados.

Inicialmente testaram o produto em Madrid. “Era segunda cidade da Europa com mais estudantes por metro quadrado. Em primeiro lugar estava Londres, mas era muito cara”, refere o fundador português da startup. Mais tarde, em 2016, trouxeram o modelo para Portugal que foi acolhido pela Startup Lisboa.

Uma empresa dedicada a recrutar millennials

No site o processo é simples. Basta fazer um registo com informações sobre a formação e experiência profissional e há também a possibilidade de submeter um vídeo. Não é possível ter acesso às vagas disponíveis ou saber quais as empresas que estão a contratar. A Unono analisa as informações recebidas e procura para cada candidato as oportunidades que mais se encaixem no perfil individual de cada um, de acordo com os pedidos que tem dos seus clientes. Entre eles, estão empresas como a Amazon, a Accenture, a Johnson & Johnson ou Ana Aeroportos. O processo está pensado para ser rápido e descomplicado.

André Simões tem 31 anos e é formado em Engenharia Civil. No ano passado encontrou uma vaga do seu interesse, no LinkedIn, rede social de emprego utilizada pela Unono para publicitar algumas ofertas específicas. “Meia hora depois estavam-me a ligar”, conta o atual diretor de projeto da Ana Aeroportos. O tratamento, o acompanhamento e as “conversas leves e casuais” são os pontos positivos que o jovem retira do contacto com a Unono.

Leia também: Google acelera pela primeira vez duas startups portuguesas

Em 2017, foram contratados perto de 65 candidatos em Portugal, num total de 150 na Península Ibérica, de entre os 60 mil inscritos na plataforma. “Este não é um número baixo. Se analisarmos, onde há um elevado número de contratações é no setor do trabalho temporário e para pessoas não licenciadas. Nós não atuamos aqui”, justifica Edgar Campos, Country Manager da Unono em Portugal. Para este ano, o número de placements vai duplicar e só nos primeiros 5 meses já foi recrutado o mesmo número de perfis que em 2017.

Lisboa, 17/05/2018 - Luis Mendes e Edgar Campos da Empresa Unono, com a restante equipa, nos seus escritórios. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Lisboa, 17/05/2018 – Luís Mendes e Edgar Campos da Empresa Unono, com a restante equipa, nos seus escritórios.
(Filipe Amorim / Global Imagens)

Telma Simões é um desses casos. Há 4 meses descobriu a Unono e submeteu os seus dados. Aos 23 anos, a licenciada em Psicologia Social das Organizações tentou a sua sorte e em menos de uma semana teve uma resposta. “Convidaram-me para ir trabalhar diretamente com eles. Mas não era o que procurava e a Unono, em vez de desistir de mim, acompanhou-me até surgir uma oferta do meu agrado”. O match foi feito com o grupo Auchan onde desempenha atualmente funções no departamento de Recrutamento e Seleção. “Esta está a ser uma grande rampa de lançamento para a minha carreira. E a Unono continua a acompanhar-me a ligar-me para saber como estão a correr as coisas”, refere.

As ofertas em cima da mesa assentam na mesma premissa: só há trabalhos remunerados, não são aceites estágios a troco de nada e o processo é totalmente gratuito para os millennials. As empresas, por outro lado, só pagam se houver uma contratação. O facto de recusarem ofertas não remuneradas fez a Unono perder vários clientes, mas ganhar a confiança do seu público-alvo. “Tínhamos de nos preocupar com a qualidade de serviço caso contrário não ganhávamos o jogo”, atesta Luís Mendes.

Para além das preocupações salariais, a Unono quer garantir que as empresas têm capacidade para acompanhar os recém-contratados. “Queremos ter a certeza de que o cliente tem boas condições para oferecer aos candidatos. Saber quais são as estratégias que a empresa tem, que salários pagam, quem vão ser os líderes desse talento. Quando vemos que está tudo certo avançamos. Se não estiverem reunidas as condições que consideramos que vão dar um bom serviço, recusamos”, assegura Luís Mendes.

O futuro está no vídeo

“O tradicional CV não é um bom meio para encontrar talento. São todos iguais, todas as pessoas têm experiências semelhantes. Mas no vídeo é possível demonstrar as soft skills, e haver uma diferenciação dos outros candidatos”, explica Edgar Campos.

É por isso mesmo que a Unono quer apostar cada vez mais neste meio. Na plataforma é possível submeter vídeos de apresentação, a par das informações. Contudo, ainda há poucos candidatos a fazê-lo. Porque ainda não estão habituados a este meio como uma forma de apresentação e porque pensam que os vídeos vão ser enviados para as empresas, explicam os responsáveis.

Contudo, de acordo com um estudo feito pela Unono, com base nas contratações feitas em 2017, os candidatos que apresentam um currículo em formato de vídeo têm 10 vezes mais hipóteses de ser contratados face aos candidatos que se apenas submetem o CV.

“E se conseguíssemos entrevistar todos os candidatos e dar a todos uma oportunidade igual?”, questiona Luís. Este é o objetivo a longo prazo da implementação do vídeo como meio preferencial de candidatura. Se todos os candidatos se apresentarem desta forma, têm um uma oportunidade mais eficiente de se dar a conhecer sem terem de ser chamados para uma entrevista presencial.

Lisboa, 17/05/2018 - Luis Mendes e Edgar Campos da Empresa Unono, com a restante equipa, nos seus escritórios. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Lisboa, 17/05/2018 – Luís Mendes e Edgar Campos da Empresa Unono, com a restante equipa, nos seus escritórios.
(Filipe Amorim / Global Imagens)

Com base neste projeto, a Unono está a desenvolver uma tecnologia, com uma equipa na Suíça, que permite ler os dados dos vídeos e que vai possibilitar parte da automatização deste processo. O produto recebeu um financiamento de 458 mil euros proveniente de um subsídio estatal suíço. No próximo ano a tecnologia estará pronta para ser comercializada no mercado.

Crescimento internacional e Google à vista

Ou América do Sul ou Europa do Norte. Num dos dois campos vai cair a bola, mas ainda não se sabe no qual. De um lado há uma proposta de investimento, do outro, uma proposta de expansão com um cliente atual da Unono. Este é um dos objetivos para 2018, definir o crescimento internacional da Unono e implementar o modelo em mais um país.

O crescimento do negócio vai permitir o crescimento da equipa, da qual fazem parte 35 pessoas em Portugal, Espanha e Suíça. Em terras portuguesas são 9 os trabalhadores que fazem a Unono andar para a frente.

Para ajudar à caminhada, a boa-nova chegou esta semana com a aprovação da candidatura da startup para fazer parte do Campus Residency da Google, em Madrid, um programa de aceleração de stratups que pretende potenciar o crescimento das empresas.

“A Google é muito similar à Unono na metodologia de crescimento do negócio, pelo facto de ser completamente digital e de utilizar as melhores ferramentas para automatizar todos os processos”, compara Luís que garante que o objetivo passa por aprender e forma a potenciar o crescimento do negócio. “Uma relação direta, estratégica ou comercial com a Google não faz parte da nossa estratégia atual”, garante.

Leia também: Unono tem os estágios mais sexy do verão

Este ano, a Unono vai apostar também na 2ª edição dos “estágios mais sexy do verão”, que são destinados a estudantes que frequentem os primeiros anos de licenciatura e queiram ter uma experiência, remunerada, no mercado de trabalho. A iniciativa é comum a Portugal e Espanha e em cada país há 5 empresas que acolhem os candidatos durante os meses de férias letivas.

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