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UPS Colónia. À noite, todas as encomendas têm pressa

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A Europa responde por 50% das receitas internacionais da UPS, que está a investir na região. Este Natal esperam-se recordes.

O Natal está à porta e por estes dias (ou melhor, noites) o aeroporto de Colónia, na Alemanha, é palco de um autêntico milagre logístico para que milhares de presentes e encomendas sejam entregues no seu destino, sem falhas. Tudo acontece de madrugada no gigantesco hub europeu da United Parcel Service of America – mais conhecida como UPS -, o segundo maior da empresa (com uma área de 100.000 metros quadrados, equivalente a 15 estádios de futebol), apenas ultrapassado pelo de Louisville, nos Estados Unidos.

Em qualquer outro dia do ano são ali processadas 190 mil encomendas por hora (ou seja, 53 por segundo), mas nesta altura que antecede o Natal o ritmo de trabalho duplica, chegando quase à marca recorde de 400 mil pacotes recebidos e distribuídos numa única hora. À boleia do crescimento do comércio eletrónico, a UPS prevê mesmo bater recordes nesta época natalícia com a entrega de 750 milhões de encomendas em todo o mundo entre 24 de novembro e a véspera de Ano Novo, o que representa o dobro do volume diário normal de 19 milhões de embalagens e documentos.

Face à época natalícia de 2016, este valor representa um acréscimo de 5%, sendo que nos 21 dias anteriores a 25 de dezembro, 17 devem superar os 30 milhões de embalagens entregues, garante a UPS. No ano passado, por esta altura, o dia mais movimentado chegou mesmo à marca de 38 milhões de entregas num único dia. “Antes do Natal, toda a gente quer que a sua encomenda, o seu presente, chegue ao destino a tempo e horas. Todos os anos, em novembro e dezembro, o nosso negócio cresce exponencialmente”, explica Wilfredo Ramos, country manager da UPS para Portugal e Espanha, durante uma visita guiada aos bastidores do hub logístico da UPS na Alemanha, por onde passam todas as encomendas provenientes de Portugal.

No aeroporto de Colónia, é por volta das onze da noite que o centro de operações da UPS ganha vida, com a chegada de cerca de 3000 trabalhadores para receberem e expedirem as encomendas que chegam em 42 voos e também 300 camiões, no caso de distâncias até 600 quilómetros. À chegada, as encomendas são divididas em categorias: pequenas, regulares e irregulares. As mais pesadas, acima de 70 quilos, são trabalhadas numa zona à parte. 15 minutos é o máximo que um pacote demora a chegar entre o ponto de chegada e o ponto de partida, percorrendo nesse espaço de tempo os 44 quilómetros que compõem o emaranhado de tapetes rolantes e escorregas.

Um sistema 100% automatizado e vigiado à lupa pela sala de controlo de operações: ao mínimo solavanco, o problema é automaticamente resolvido. O hub inclui ainda uma zona alfandegária própria e pelo caminho são vários os pontos de raio X e outros controlos de segurança super apertados, incluindo uma vistoria feita por cães treinados para farejar explosivos. E tudo isto em apenas três horas e meia, entre as onze da noite e as 2h30 da madrugada, sem qualquer margem para erros, garante Wilfredo Ramos. Cada segundo conta até à hora da partida do último voo carregado com encomendas.

Há 110 anos, quando a UPS foi fundada em 1907 em Seattle por dois jovens empreendedores, o cenário era bem diferente. Jim Casey e Claude Ryan investiram na altura 100 dólares na criação de uma empresa de mensageiros, a pé ou de bicicleta. Hoje a empresa tem mais de 430 mil colaboradores em todo o mundo (46.500 na Europa), 237 aviões a jato, 113.000 veículos de entrega, 2500 centros de operações, 11 hubs aéreos em três continentes, tem uma cobertura de mais de 220 países e territórios, entrega diariamente 19,1 milhões de embalagens e documentos (4,9 mil milhões no espaço de um ano) e faturou em 2016 61 mil milhões de dólares.

Depois da aventura europeia da empresa ter começado na Alemanha em 1976, a UPS chegou a Portugal em 1993. Por cá são três centros de operações, mais de 100 veículos de entregas, dois aeroportos servidos – Lisboa e Porto – e mais de 180 trabalhadores. De acordo com os números apresentados em Colónia pelo country manager, a UPS fez crescer o volume de exportações em Portugal mais de 5% no segundo trimestre de 2017, face ao mesmo período de 2016, “acima do crescimento do PIB português”, sublinhou. Um resultado que contribuiu também para o crescimento do volume de negócios na Europa em mais de 15% nestes três meses do ano, face ao período homólogo.

Até 2019 a UPS tem em curso um plano de investimento na Europa (responsável por 50% das receitas internacionais) na ordem dos 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,7 mil milhões de euros), que “beneficia os clientes em Portugal, da mesma forma que beneficia os clientes em todo o mundo”. “Estamos a investir forte na Europa. Estamos a meio do plano de investimento: em operações no terreno, novas instalações e rede aérea. E vai continuar até 2019. Acreditamos na Europa e prevemos um crescimento continuado”, acrescentou ainda.
Noite dentro, nas pistas do aeroporto de Colónia a hora de ponta acontece por volta das duas da madrugada. Com capacidade para 39 contentores e um total de 118 toneladas, o Boeing 747 é o “rei do ar” no hub europeu da UPS. Qual cena de um filme, o ‘nariz’ do avião abre-se para deixar entrar os contentores com formatos à medida para caber no interior tubular. Tudo ali é “especial”, incluindo o chão do cais de cargas e descargas, com rolamentos que permitem que duas pessoas desloquem os contentores sem dificuldades. Seja uma cama de bebé para Malta ou medicamentos para um hospital na China, tudo segue para o seu destino final. No dia seguinte, à mesma hora, o cenário repete-se.

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