PER

Urbanos deve 44 milhões. Novo Banco entre os maiores credores

Alfredo Casimiro, fundador e presidente do grupo Urbanos. Fotografia: Miguel Manso/Público
Alfredo Casimiro, fundador e presidente do grupo Urbanos. Fotografia: Miguel Manso/Público

Bancos estão entre os maiores credores de um dos maiores grupos logísticos portugueses

O grupo Urbanos vai negociar uma dívida superior a 44 milhões de euros. Este foi montante apurado junto de 23 credores no âmbito do Processo Especial de Revitalização (PER), de acordo com a lista publicada na quarta-feira junto do portal Citius.

O Novo Banco é um dos credores que mais tem a receber do grupo logístico. O banco liderado por António Ramalho reclama um total de 7,57 milhões de euros. Isto corresponde a 17,14% da dívida do grupo liderado por Alfredo Casimiro e refere-se a vários contratos assinados com várias empresas da Urbanos.

A seguir surgem dois fundos imobiliários fechados pertencentes ao universo da Imofundos. A Urbanos deve 5,81 milhões de euros (13,16% da dívida) a esta sociedade de gestão de fundos imobiliários que pertencia ao BPN e que foi nacionalizada em 2008. Permanece na estrutura das empresas Parvalorem, Parups e Parparticipadas.

TAP vai ter tarifas low-cost mas mantém refeições

A Caixa Económica do Montepio também surge entre os maiores credores, com uma dívida de 4,23 milhões de euros (9,58% da dívida). Nota ainda para o grupo Caixa Geral de Depósitos e o Crédito Agrícola, que reclamam, cada um, mais de dois milhões de euros (5% da dívida).

Também é possível verificar na lista divulgada esta semana a presença de várias empresas do grupo logístico, como a Urbanos Supply Chain e a Urbanos Soluções, ambas sob administração judicial desde o início de agosto; também pediram um PER. Só que estas empresas, assim como a holding Pasogal, integram o conjunto dos créditos subordinados, ou seja, os últimos a receber no âmbito do plano de recuperação.

Garantias do presidente

Para Alfredo Casimiro, o recurso ao PER “não tem de ser visto como um estigma. Está garantida a proteção dos clientes e dos trabalhadores”, referiu em declarações ao Dinheiro Vivo no início de agosto.

A Urbanos, no âmbito deste processo, está impedida, sem autorização do administrador judicial, de “praticar atos de especial relevo”, como a venda de ativos ou a celebração de novos contratos. O grupo logístico afasta a venda de ativos no âmbito deste processo. “É preciso dar um passo atrás para voltarmos a crescer. Queremos regressar às condições económicas de 2008/2009”, período em que o grupo Urbanos faturou cerca de 25 milhões de euros. Exatamente o mesmo montante do que em 2015.

A empresa fechou o ano passado com prejuízos de dois milhões de euros, segundo fontes do setor. O grupo Urbanos emprega atualmente 700 pessoas (400 de forma direta) e está presente também em países como Marrocos e Angola. Também sob administração judicial está a Rntrans, comprada em 2012 pela Urbanos. A empresa de logística de obras de arte, feiras, exposições e congressos apresentou-se ao PER junto do tribunal da comarca de Lisboa.

Fundado em 1990, o grupo Urbanos tornou-se conhecido nos últimos anos por ter tentado concorrer à privatização da TAP – tendo chegado a apresentar uma providência cautelar manifestando receios de que os novos donos pusessem em causa a opção de compra dos 49,9% do capital da Groundforce (empresa de assistência em terra), que ainda estão na esfera da TAP.

O grupo Urbanos vai iniciar as negociações com os credores e apresentar o respetivo plano de recuperação nas próximas semanas.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Indústria do calçado. 
Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Portugal regressou ao Top 20 dos maiores produtores de calçado

Sonae Industria

Ações da Sonae Indústria e da Sonae Capital disparam após OPA da Efanor

Alexandre Meireles, presidente da ANJE. Fotografia:  Igor Martins / Global Imagens

ANJE teme que 2021 traga “grande vaga” de falências e desemprego

Urbanos deve 44 milhões. Novo Banco entre os maiores credores