Hotelaria

Vão abrir 61 novos hotéis. Metade em Lisboa e no Porto

Hotel de Braga abre portas em 2018.
Hotel de Braga abre portas em 2018.

Estão ainda previstas 23 remodelações/reaberturas neste ano, de acordo com as contas da Associação da Hotelaria de Portugal.

As ruas e os hotéis cheios de turistas dão novo ânimo aos investidores. Em 2017, nasceram em Portugal 29 novos hotéis e reabriram 20 unidades com cara nova. Neste ano, o ritmo volta a aumentar: vão surgir 61 novas unidades em Portugal e preveem-se 23 reaberturas depois de uma expansão ou remodelação, diz a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

“São mais 4770 quartos do que em 2017. E com uma novidade: maior dimensão. A média de 2017 apontava para 60 quartos por unidade; em 2018 passa para 90 quartos [contando com as remodelações], o que é bastante importante porque para captar grandes eventos e congressos é preciso ter escala”, adiantou ao Dinheiro Vivo Cristina Siza Vieira, diretora-geral da AHP.

Por estas contas, o maior número de aberturas vai acontecer nas regiões de Lisboa e Porto. Das 61 previstas, 29 serão na Área Metropolitana de Lisboa, 25 destas só na capital. Entre estas novas unidades estão por exemplo o novo hotel Meliá na Av. Fontes Pereira de Melo; os hotéis Exe e Eurostars, ambos no Parque das Nações, ou o terceiro The Beautique Hotel, que nasce neste ano na Rua da Madalena. A região do Norte/Porto vai ganhar 14 novas unidades durante este ano. Uma delas será o novo Vila Galé Braga, que abre em maio; outro será o Pestana A Brasileira, que abre ao público dois meses antes (março), na Baixa portuense. Pelas contas da AHP, só a cidade Invicta ganha dez novos hotéis neste ano (ver info).

“2018 será um ano muito forte para o Pestana Hotel Group, com novos hotéis em vários destinos nacionais e internacionais. Destaco a aposta na qualidade com a internacionalização e crescimento da marca Pestana Collection Hotels, em Amesterdão, Madrid e Porto, reconhece José Roquette, responsável do grupo Pestana, que na quarta-feira apresenta os planos de investimento.

As tipologias de quatro e cinco estrelas serão as mais frequentes entre os novos projetos, uma vez que além de mais procuradas são as que apresentam maior rentabilidade. “A diferença entre um hotel de quatro e cinco estrelas é enorme, desde logo porque um cinco estrelas exige um investimento inicial e tem um custo de operação muito superior.” São, em todo o caso, a tipologia mais recorrente em Portugal – dos 1669 hotéis existentes em 2016, nada menos do que 417 eram de quatro estrelas – os com procura turística.

Porque estão a crescer os hotéis em dimensão? “Não creio que seja por causa do boom”, diz Cristina Siza Vieira, associando, antes, a maior escala “à reabilitação urbana”, que está a invadir as grandes cidades, como Lisboa e o Porto, e que “traz intervenções de quarteirão”, por exemplo como a que o grupo Sana está a realizar na Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa.

À semelhança do que já aconteceu no ano passado, em 2018 vão multiplicar-se os investimentos feitos por novos operadores nacionais e por marcas ou grupos estrangeiros, que “andam às compras em Portugal” e prometem dar concorrência aos investidores tradicionais portugueses – Pestana, Vila Galé, Turim ou Hoti -, cujos planos passam por novas unidades. É o caso, por exemplo, do grupo espanhol Barceló, que está na corrida pela concessão do hotel que vai nascer na Estação de Santa Apolónia, em Lisboa.

“Portugal continua a atravessar um bom momento turístico, com a notoriedade do país a crescer e a registar elevados níveis de satisfação por parte de quem nos visita, o que se reflete necessariamente na hotelaria”, diz Rebelo de Almeida, administrador da Vila Galé. Mas deixa um alerta: “Será mais difícil atingir crescimentos de dois dígitos. Os preços da hotelaria não são assim tão elásticos, alguns destinos como a Turquia, o Egito ou a Grécia estão a ter maior procura e há constrangimentos, por exemplo, a nível do transporte aéreo em Lisboa.”

A AHP também acredita que 2018 será um novo ano de crescimento, depois do recorde no número de visitantes, dormidas e proveitos da hotelaria em 2017. Mas põe um travão no excesso de otimismo. “O valor do investimento [hoteleiro] neste momento é muitíssimo elevado.

Comprar um terreno para construção ou para reabilitar tem um preço é brutal. O imobiliário cresceu imenso, por isso, embora o preço por noite tenha subido, não é ainda suficiente”, lembra Cristina Siza Vieira, assumindo que “o payback dos investimentos hoteleiros no mundo continua muito lento. A procura cresce, mas um hotel para se afirmar demora algum tempo”, e com novos operadores e maior concorrência é preciso cautela.

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