Consumo

Vão menos vezes ao super, gastam mais e compram online. E não só papel higiénico

JOSÉ COELHO/LUSA
JOSÉ COELHO/LUSA

Os portugueses estão a mudar os seus padrões de compras no super com o Covid-19. O estudo da Kantar e da Centromarca revela como mudou em dois meses.

Se dúvidas houvesse depois de assistirmos a verdadeiras corridas aos supermercados, os números revelam a mudança dos padrões de compra dos consumidores nacionais em menos de dois meses. Vão menos vezes ao supermercado, mas gastam mais dinheiro e viraram-se para as compras online. Curiosamente, apesar das imagens que correm nas redes sociais não é o papel higiénico o que os portugueses mais compram.

Foi uma mudança rápida. Com o surgimento dos primeiros casos de suspeita de contaminação no país, os gastos por ato de consumo aumentaram 8% (38,4 euros). “Já numa segunda fase, durante o mês de fevereiro, em que se multiplicam os casos confirmados e o alerta e o controlo é elevado, os gastos sobem ainda mais por cada ato de compra, 13% o que equivale a um gasto de mais 39,4 euros por cada ida ao supermercado“, refere o estudo Marcas+Consumidores, realizado pela Kantar para a Centromarca.

“É fácil de prever que os dados relativos às primeiras semanas de março não só consolidem, como mostrem um rápido incremento destes valores, como facilmente se percebe pela corrida às lojas a que assistimos nos últimos dias”, refere Pedro Pimentel, diretor geral da Centromarca, citado em comunicado.

Com o surto a elevar os níveis de preocupação dos portugueses e com as recomendações das autoridades no sentido de uma maior distanciamento social para conter a expansão do vírus, nas primeiras oito semanas do ano, os portugueses foram menos uma vez ao supermercado, face a igual período em 2019. Ainda assim, gastaram mais 11% em cada visita à loja, com um gasto superior em 38,9 euros, informa o estudo.

Mesmo antes da confirmação do primeiro caso de Covid-19 em Portugal, já apareciam os primeiros sinais de mudança nos padrões de compra. E não, não foi apenas papel higiénico que encheu os carrinhos dos portugueses.

Compras de produtos de alimentação e bebidas subiram 10%, as de papel higiénico 8%, as de produtos de limpeza 7% e de produtos de higiene e perfumaria 3%, segundo os dados da Kantar.

Compras online crescem

E as compras online foi uma opção tomada por muitos consumidores que aumentar consideravelmente os seus gastos nestas plataformas. “Nestes dois primeiros meses, os portugueses aumentaram ainda os gastos com compras online, para 60,5 euros de ticket médio de cada ato de compra, tendo, para além disso, comprado, em média, itens de um maior número de categorias de produto, agora 12,8″, informa o estudo da Kantar.

“Como é natural, a forte afluência às lojas e os receios associados aos riscos de contaminação levaram muitos consumidores a optar ou a reforçar as suas comprar online”, afirma Marta Santos, manufacturers sector director da Kantar. “Essa maior procura pela compra online, acontece, contudo, num momento de forte pressão sobre a cadeia de abastecimento, gerando, tendencialmente, uma dificuldade acrescida de resposta”.

Retalhistas online estão a debater-se com dificuldades logísticas para assegurar entregas em casa, com a elevada procura dos portugueses. Na Auchan foi criado uma fila de espera digital no site, e Continente na terça-feira pedia para os clientes regressarem mais tarde. No Mercadão, que faz entregas do Pingo Doce, registava picos de procura o que limitava as faixas de horário disponíveis para entregas.

“As marcas e as insígnias terão, neste momento crucial, que se adaptar, definir prioridades e fornecer valor em tempo real aos consumidores”, conclui Pedro Pimentel.

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